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PATRIMÔNIO ESPORTIVO DA CIDADE

APÓS 38 ANOS - Município quer o Palácio do Futsal de volta

30 ago 2017 às 21:00

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Anderson Coelho
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O Palácio do Futsal pode voltar para as mãos da administração pública. De acordo com a Procuradoria do Município de Londrina, o imóvel foi doado para a Liga Londrinense de Futebol de Salão no fim da década de 1970. No entanto, o espaço não estaria sendo utilizado para a prática regular esportiva nos últimos anos, o que motivou o pedido de reversão do bem ao patrimônio público. Localizado na esquina das ruas Colômbia e Uruguai, na Vila Brasil, zona sul de Londrina, hoje o espaço ao redor do ginásio ainda sofre com o descarte de resíduos. Além da sujeira e do mau cheiro, as paredes do velho ginásio estão pichadas. Durante a noite e a madrugada, segundo os moradores do bairro, o local é escuro e favorece a ação criminosa.
O Procurador do Município de Londrina, João Luiz Martins Esteves, salienta que o imóvel foi doado pelo município para a Liga Londrinense de Futebol de Salão (responsável pelo imóvel) no ano de 1979. Segundo ele, após tomar conhecimento de que o espaço já não cumpria nos últimos anos com a sua finalidade, o município solicitou a reversão do bem ao patrimônio público de Londrina. Ele explica que o protocolo é de ação ordinária, de 2016, e visa a retomada do imóvel. De acordo com Esteves, o protocolo permanece em fase de citação na 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina.
Por outro lado, de acordo com Diogo Bembem, auxiliar do presidente da Liga Londrinense de Futebol de Salão, Valmir Moro, o Palácio é usado diariamente para aulas de futsal. Ele conta que a escola de futsal existe no local há 16 anos. Bembem relata que, nos últimos três, foram pagos o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), as contas mensais de energia elétrica e água. Sobre a situação externa do prédio, Bembem salienta que realiza pequenos reparos, a poda de árvores e faz a limpeza externa do local. Ele informa também que o espaço não possui muros em volta, o que permite a aproximação de qualquer pessoa, inclusive de pichadores. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)



Palco de glórias e talentos
O Palácio do Futsal foi um tradicional palco esportivo durante mais de três décadas. Apesar dos problemas, Fernanda Mansano destaca os bons momentos vividos no local. "Moro neste bairro há mais de 15 anos. Meu irmão e meu namorado treinaram e jogaram futsal no Palácio. Dá muita tristeza ver tudo isso abandonado, tenho saudade dos bons momentos que vivemos aqui, mas a situação atual é insuportável", acrescenta a balconista. Segundo outros moradores, a quadra de esportes ainda é usada eventualmente para treinamentos de futsal. No dia da reportagem, segunda-feira (21), as portas estavam fechadas e o Palácio deserto. Para a cabeleireira Vilma Lúcio da Silva, o espaço deveria ser utilizado para atividades comunitárias. "Ele poderia servir para tantas coisas: festas, reuniões, celebrações, aulas de artesanato. Eu mesmo poderia dar os meus cursos de manicure neste lugar", comenta ela, que mora ao lado do ginásio. A cabeleireira fala também sobre a insegurança vivida pelos moradores. "As pessoas são assaltadas nesta esquina (rua Colômbia com a Uruguai)", diz Vilma. Sobre o lixo que se acumula em frente ao prédio, ela ressalta que a limpeza é realizada esporadicamente pelos próprios moradores. (P.M.)

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Não é só o Palácio
O presidente da FEL (Fundação de Esportes de Londrina), Fernando Madureira, também comenta sobre a situação do espaço. "A falta de manutenção daquele prédio é um problema que se estende das gestões municipais anteriores. Assim como outros em espaços, o Palácio do Futsal necessita ter o seu contrato de uso e outros documentos regularizados. Alguns precisam, inclusive, passar por avaliações de segurança para que não sejam destruídos por incêndios e outros incidentes", informa Madureira. "Temos pelo menos 10 prédios em situações parecidas. Trabalhamos para regularizar cada um deles", reforça o presidente. (P.M.)


Insegurança
Balconista em uma panificadora, Fernanda Mansano explica que sai de casa para o trabalho antes do dia amanhecer. Ainda na escuridão da madrugada, ela conta que recentemente foi surpreendida por um ladrão em frente ao Palácio do Futsal. "Fui assaltada nesta esquina (rua Colômbia com a Uruguai). O espaço em volta do Palácio é muito precário, perigoso e está tomado por usuários de drogas. Isso sem falar dos ratos, aranhas e baratas que saem deste lugar", relata Fernanda. "Deixo a minha casa por volta das 5h30 da manhã, ainda não amanheceu neste horário. Por isso, para não ser novamente assaltada, hoje prefiro dar a volta no quarteirão e passar bem longe daqui, apesar de morar na mesma rua Colômbia", lamenta a jovem. (P.M.)

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‘Guardião’ faleceu em 2014
Em agosto de 2015, o Palácio do Futsal iria a leilão, como parte de um dos lotes da 1ª Vara de Execuções Fiscais de Londrina. Com área total de 1.696,50 m², o Palácio é composto por quadra poliesportiva e arquibancada cobertas, salas e banheiros. Na ocasião, o imóvel teria sido avaliado em R$ 1.750.000,00, conforme laudo judicial realizado em maio de 2015. O certame teria sido suspenso. Um dos fundadores, Edmilson Estigarribia, reconhecido como "Guardião do Palácio do Futsal", morreu em setembro de 2014, aos 66 anos, após parada cardíaca durante uma cirurgia. Segundo os moradores da rua Colômbia, ele era o responsável pela manutenção do prédio. (P.M.)


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