Apesar do sorriso fácil, a protetora de animais Anne Moraes não acha graça quando alguém brinca lhe perguntando se o objetivo é entrar para o livro dos recordes. Pelo contrário, sua única ideia é dar vida aos animais condenados à morte. Em uma chácara na Zona Rural de Londrina, ela tem como desafio alimentar e recuperar 350 animais e, sempre que possível, oferecê-los para doação. Número que já pode estar maior no momento em que você lê este texto.
"Numa média diária, por exemplo, sai um cachorro para doação e chega uma cadela esperando para dar cria a seis ou sete filhotes", comenta Anne. Há animais feridos, com câncer, amputados, alguns cegos, muitos à beira da morte. "Meu amor por eles é maior que a dor que sinto quando os vejo machucados e condenados à morte. Resgato o animal que as pessoas não pegariam e assim vou trabalhando", conta.
Porém, apesar de todo amor, afirma que não possui mais condições de continuar recebendo animais. "Chega! Pra mim não dá mais. Não tenho condições de receber outros bichos", revela ela. E não é pra menos. Além de todo o tempo e disposição dedicado aos animais, no final das "contas", ou melhor, do mês, Anne acumula muitas despesas.
R$ 20 mil por mês
Segundo a protetora de animas, os gastos mensais chegam aos R$ 20 mil, com alimentos, medicações e atendimento veterinário. Para manter os 350 animais, são mais de 750 quilos de ração. Fora isso, Anne tem de pagar o aluguel da chácara, mantém quatro funcionários assalariados e ainda paga uma van para transportá-los da área urbana até o local.
De onde vem o dinheiro para cobrir as despesas?, você deve estar perguntando. "Tenho um grupo de colaboradores que realizam doações mensais. Nem sempre completam todos os gastos, por isso minha mãe mantém uma loja de roupas e temos também uma renda vinda do aluguel de uma casa nossa, na zona norte de Londrina", explica Anne. (P.M.)
‘P’ da vida com prefeito
A protetora comenta que se reuniu diversas vezes com o prefeito Alexandre Kireeff, solicitando apoio da administração pública municipal. "Ele sempre nos recebe, afirma que se comprometeria com a nossa luta e buscaria uma forma de nos ajudar. Entramos para falar com ele e saímos esperançosos. Mas o tempo passa e nada ocorre", lamenta Anne. "Até mesmo a castração solidária, (projeto municipal que previa a castração de cães e gatos de beneficiários do Bolsa Família), que o próprio município anunciou no início do ano, não chegou a ser colocado em prática. Não dá mais para esperar do prefeito", desabafa o protetora. "Nem mesmo o transporte dos nossos funcionários, de Londrina até a zona rural, ele apoia", finaliza Anne.
O contato com Anne Moraes pode ser feito pelo Facebook, por meio da ADA (Associação Defensora de Animais Londrina), ou pelo WhatsApp (43) 8456-4662. (P.M.)
Kireeff responde
O prefeito Alexandre Kireeff afirmou que se reuniu com a defensora de animais e que se disponibilizou a apoiar seu trabalho. "Na verdade, expliquei a Anne que buscasse o contato com um vereador e que o mesmo encaminhasse um pedido de aquisição de um terreno para título de utilidade pública. Mesmo com a recomendação, ela não tomou providência. Não posso doar um bem público para ela de outra forma que não seja previsto em Lei Municipal", comentou o prefeito. "Desde já, quero deixar claro que admiro e acho incrível o trabalho feito pela Anne"
Sobre a castração solidária, Kireeff informou que o projeto não foi deixado de lado, mas que ainda não foi colocado em prática porque o interessado acabou desistindo de prestar o trabalho. Mesmo assim, afirmou que pretende retomar o projeto nas próximas semanas. (P.M.)
Vai e volta
Antigamente, Anne encaminhava os animais recuperados à adoção em feiras. No entanto, se frustrou com muitos "interessados". "Aconteceu vários casos em que a pessoa adotava o animal e depois o abandonava novamente ou me ligava para buscar porque se arrependeu. Teve cachorro que passou por mim, foi embora e voltou de novo", comenta ela. "Hoje, faço o primeiro contato com o interessado pela internet. Procuro saber bem o seu perfil. Após a adoção, consigo monitorar como estão vivendo e monitorar melhor o animal. Exijo uma doação responsável e sou bastante criteriosa", assegura Anne. "Afinal, o animalzinho já foi bastante mal tratado e não posso deixar que isso aconteça outra vez." (P.M.)