Com marcas de violência, um corpo foi encontrado na região leste no início da semana em Londrina. Por causa das características, a vítima seria transexual. A motivação do assassinato não foi confirmada pela Polícia Civil, que investiga o crime. Segundo uma representante municipal das transexuais, em busca de melhorias estéticas, algumas travestis assumem dívidas com agenciadores e sofrem violência por não conseguirem pagar os empréstimos.
"Inicialmente, não conheço esta vítima, tenho poucas informações sobre ela. Não sei a sua cidade natal, nome ou se morava em Londrina. Mas posso afirmar que a nossa cidade atrai transexuais de todas as regiões do país, que vislumbram oportunidades de trabalho", explica a representante e ativista social, que pediu anonimato por motivos de segurança. "Isso ocorre desde o início da prostituição na cidade, que em função do café ficou conhecida como próspera. Londrina ainda possui uma boa clientela noturna, porém ela não absorve todas as transexuais", afirma.
A representante esclarece que algumas transexuais, na ânsia por procedimentos para mudar o corpo, envolvem-se em dívidas com agenciadores, que não são quitadas devido aos juros abusivos. "Muitas se instalam em pensionatos e se endividam rapidamente. Mesmo sem condições, para ficar mais bonitas elas realizam implantes de silicone, apliques de cabelo. O valor exigido após os empréstimos é absurdo. Por exemplo, se o aplique custa R$ 500, o valor cobrado é de R$ 3 mil", detalha. "Além disso, a transexual tem a alimentação, a hospedagem e outros gastos mensais e sua situação fica desesperadora. Sem condições de quitar a dívida, ela se torna alvo de vários tipos de violência."
De acordo com a representante, junto à entidades municipais, busca desenvolver ações de atendimento. "Atualmente há uma aproximação maior com entidades públicas de Londrina, entre elas a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres e setores da segurança pública. Nosso objetivo é diminuir a violência, a homofobia e o desrespeito. Junto à organizações sociais do município, já conseguimos encaminhar transexuais para a sua cidade natal." (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
Identificação de vítima depende de DNA
Segundo a Delegacia de Homicídios, o corpo encontrado na zona leste de Londrina, devido ao estado de decomposição, será oficialmente identificado após exame de DNA, realizado pelo IML (Instituto Médico Legal) de Curitiba. Ainda não há uma previsão para o resultado. A Delegacia informou que a vítima seria uma transexual com pele de cor branca, "estatura corporal elevada" e próteses de silicone na região do tórax. Informações iniciais apontam que ela morava em Londrina e tinha 34 anos. Ela foi localizada enterrada de cabeça para baixo e envolvida em um plástico negro. Nenhum suspeito teria sido preso até a tarde de quarta.
Em março deste ano, Luiz Antônio da Silva, 28 anos, foi esquartejado em um hotel na rua Pernambuco, Centro de Londrina. A vítima seria uma travesti e foi encontrada sem os dois braços e uma perna. Ninguém foi preso até o momento, o suposto autor do crime já teria sido identificado pela Polícia Civil. (P.M.)