São Paulo não parecia um bom lugar para José dos Santos Argolo naquele maio de 1964. Depois de viajar em um "pau de arara" por três dias, desde o Sul da Bahia, ele encontrou um clima estranho nas ruas. Eram os primeiros meses de governo militar. Ele decidiu, então, seguir para o Paraná.
Após alguns dias de trabalho em fazendas de café, mudou-se para Porecatu. Na Fazenda Variante, que cultivava cana-de-açúcar e café, recebeu promoção e se tornou fiscal de produção. Lá casou-se com Maria José e teve cinco dos seis filhos. A mais nova nasceu em Arapongas, onde ele mora desde 1971.
Aos 74 anos, usando uma mesa em um quarto usado como biblioteca, o operário José coloca no papel as lembranças de sua vida. Fatos como a infância, a briga com o pai e a viagem para o Sul estão presentes nos desenhos. Com pequenos e rápidos traços, a ponta da caneta esferográfica dá forma a plantações, construções e personagens.
Autodidata, Argolo segue a máxima: mínimo de elementos com o máximo de sensações. "Já fui aconselhado a fazer aulas para aperfeiçoar minha arte, mas recusei. Tenho medo de perder meu estilo", confessa o artista, que começou a desenhar aos 14 anos, reproduzindo figuras que via em revistas. Recentemente, ele voltou para a escola. "Não tem idade para retornar à escola. Se eu consegui aos 70, qualquer um pode", incentiva. Argolo pretende agora investir nos desenhos. "Quero comprar canetas próprias para desenho, com pontas menores, para retoques mais precisos", planeja. (Celso Felizardo/Folha de Londrina)
Após alguns dias de trabalho em fazendas de café, mudou-se para Porecatu. Na Fazenda Variante, que cultivava cana-de-açúcar e café, recebeu promoção e se tornou fiscal de produção. Lá casou-se com Maria José e teve cinco dos seis filhos. A mais nova nasceu em Arapongas, onde ele mora desde 1971.
Aos 74 anos, usando uma mesa em um quarto usado como biblioteca, o operário José coloca no papel as lembranças de sua vida. Fatos como a infância, a briga com o pai e a viagem para o Sul estão presentes nos desenhos. Com pequenos e rápidos traços, a ponta da caneta esferográfica dá forma a plantações, construções e personagens.
Autodidata, Argolo segue a máxima: mínimo de elementos com o máximo de sensações. "Já fui aconselhado a fazer aulas para aperfeiçoar minha arte, mas recusei. Tenho medo de perder meu estilo", confessa o artista, que começou a desenhar aos 14 anos, reproduzindo figuras que via em revistas. Recentemente, ele voltou para a escola. "Não tem idade para retornar à escola. Se eu consegui aos 70, qualquer um pode", incentiva. Argolo pretende agora investir nos desenhos. "Quero comprar canetas próprias para desenho, com pontas menores, para retoques mais precisos", planeja. (Celso Felizardo/Folha de Londrina)