A alimentação balanceada é primordial para a garantia de uma vida saudável, mas com o tempo o organismo sofre mudanças que exigem alterações na dieta. A ingestão de alguns nutrientes específicos é ainda mais importante para manter a qualidade de vida e evitar complicações da pessoa idosa.
Segundo a nutricionista Juliana Soares, um idoso saudável deve ter no mínimo seis refeições ao dia e incluir a ingestão de vitaminas e minerais, fibras, proteínas, carboidratos e gorduras boas, além de ficar atento à hidratação.
As vitaminas e minerais melhoram a sensação de bem-estar e podem ser encontradas nas verduras e legumes. Já as fibras, encontradas nas frutas, por exemplo, são benéficas para o funcionamento do intestino – o que beneficia principalmente o idoso acamado, pois a deficiência de movimentação prejudica a ação do intestino. Os carboidratos devem ser de boa qualidade e ingeridos em porções pequenas - as raízes como a mandioca, inhame e batata-doce são boas opções. Óleo de coco e azeite de oliva também devem estar presentes.
Entre os itens, a proteína é um dos mais importantes na idade avançada. "No idoso é importante que todas as refeições contenham proteína. Quando isso não ocorre, pode não se atingir a quantidade adequada no organismo e ser necessária a inserção de suplementação", salienta a nutricionista. Isso porque a proteína fortalece o músculo e traz sustentação óssea, sendo fundamental no combate à sarcopenia (falta de vigor muscular e enfraquecimento dos tecidos), que leva à fragilidade do indivíduo.
Carne, ovos, leites e derivados são boas fontes de proteína, mas é importante ficar atento ao preparo. "Os nutrientes da carne se perdem no cozimento, por isso não é recomendado usar grande quantidade de água e deve-se aproveitar o caldo em sopas ou outros alimentos", alerta Juliana. Ela observa que muitas pessoas não gostam ou possuem restrições, tanto da carne quanto do caldo, daí a necessidade de buscar acompanhamento para que seja avaliada a necessidade de dieta específica.
A falta de cálcio na alimentação é outro caso que pode exigir complemento, principalmente nas mulheres, que possuem maior risco de osteoporose. Tomar sol e incluir leites e derivados e vegetais verde-escuros na dieta podem evitar a insuficiência do nutriente. No entanto, é sempre bom fazer uma avaliação, já que o exagero de uma determinada substância pode resultar em outras complicações.
Para evitar problemas neurodegenerativos, a nutricionista explica que o consumo de peixes é uma boa opção, já que contém Ômega 3. Uma alternativa é a ingestão da substância em cápsulas. Ao mesmo tempo, a profissional salienta que é necessário estar atento à saúde do intestino, pois se não há boa microbiota (microorganismos que auxiliam na reciclagem dos nutrientes), as substâncias não são absorvidas adequadamente. É recomendado evitar alimentos que possam danificar a flora intestinal, como os industrializados e processados.
O cuidado com a alimentação deve ser inserido desde a infância, mas no idoso existem deficiências que somente um profissional qualificado pode avaliar e adequar a dieta em acordo com outras patologias e complicações que o indivíduo possa ter sofrido. Por isso é essencial ter o acompanhamento do o médico e/ou nutricionista.
DIVERSIDADE
Maria Aparecida Anzola, de 74 anos, conhece os benefícios da boa alimentação e costuma almoçar diariamente em um restaurante self-service na busca pela diversidade, principalmente de salada. "Meu prato é todo colorido. É bom comer uma variedade de verduras e legumes; eu gosto, me faz bem e nem sempre a gente consegue ter tantas opções em casa", explica.
Ela conta que inclui frutas, cereais, leite e derivados nas refeições em casa, faz hidroginástica, não tem hipertensão, nem colesterol, mas não conseguiu fugir do diabetes e complicações pulmonares decorrentes do cigarro. "Eu sempre tive muito cuidado com a alimentação e pratiquei exercícios físicos. Errei em ter fumado por tantos anos", lamenta.
‘Boa digestão começa na mastigação’
O médico geriatra José Roberto de Almeida explica que quando se trata de digestão na terceira idade as dificuldades já se iniciam na boca. As papilas gustativas, responsáveis por reconhecer o sabor dos alimentos, vão perdendo a sensibilidade com o passar dos anos e fazem com que muitos abusem do sal e do açúcar. A mastigação perde a eficiência, considerando que a maioria dos idosos não possui a dentição adequada. "Muitos usam prótese e se sentem desconfortáveis em mastigar alimentos mais consistentes, por isso é interessante escolher bem o alimento e prepará-lo de acordo com a capacidade, com texturas mais pastosas ou líquidas. É o caso da carne, por exemplo. A boa digestão começa na mastigação", ressalta. O médico lembra que algumas situações podem deixar sequelas no trato digestivo, como acidente vascular cerebral (AVC) e doença de Parkinson, que comprometem a atividade do esôfago, causando refluxo e dificuldade na deglutição. Por isso o cuidado específico na escolha dos alimentos para essas pessoas. Outras questões também dificultam a retenção dos nutrientes. Em decorrência do tempo, o estômago se desgasta e sofre alteração na superfície de absorção. Há também a diminuição na velocidade do trânsito intestinal, que favorece a constipação.
O médico reforça a importância de incentivar a ingestão de líquidos, pois é comum que pessoas de idade avançada se esqueçam de tomar água. "No idoso, a sensibilidade para sede é reduzida, ele tem mais predisposição à desidratação e complicações renais por conta dessa baixa ingesta líquida", alerta. Segundo ele, incluir sucos e chás entre as refeições pode servir como estímulo e aumentar a hidratação, mas nunca se deve substituir a água e as refeições por outros líquidos na rotina do idoso. (L.T.)
O médico geriatra José Roberto de Almeida explica que quando se trata de digestão na terceira idade as dificuldades já se iniciam na boca. As papilas gustativas, responsáveis por reconhecer o sabor dos alimentos, vão perdendo a sensibilidade com o passar dos anos e fazem com que muitos abusem do sal e do açúcar. A mastigação perde a eficiência, considerando que a maioria dos idosos não possui a dentição adequada. "Muitos usam prótese e se sentem desconfortáveis em mastigar alimentos mais consistentes, por isso é interessante escolher bem o alimento e prepará-lo de acordo com a capacidade, com texturas mais pastosas ou líquidas. É o caso da carne, por exemplo. A boa digestão começa na mastigação", ressalta. O médico lembra que algumas situações podem deixar sequelas no trato digestivo, como acidente vascular cerebral (AVC) e doença de Parkinson, que comprometem a atividade do esôfago, causando refluxo e dificuldade na deglutição. Por isso o cuidado específico na escolha dos alimentos para essas pessoas. Outras questões também dificultam a retenção dos nutrientes. Em decorrência do tempo, o estômago se desgasta e sofre alteração na superfície de absorção. Há também a diminuição na velocidade do trânsito intestinal, que favorece a constipação.
O médico reforça a importância de incentivar a ingestão de líquidos, pois é comum que pessoas de idade avançada se esqueçam de tomar água. "No idoso, a sensibilidade para sede é reduzida, ele tem mais predisposição à desidratação e complicações renais por conta dessa baixa ingesta líquida", alerta. Segundo ele, incluir sucos e chás entre as refeições pode servir como estímulo e aumentar a hidratação, mas nunca se deve substituir a água e as refeições por outros líquidos na rotina do idoso. (L.T.)