De acordo com o artigo 145 Do Decreto Municipal 320/2009 do Código Ambiental Municipal, é proibido dar alimento às aves livres na área urbana do Município, sujeitando-se ao infrator multa. No entanto, muita gente parece não levar isso a sério. Enquanto observa uma senhora alimentar pássaros no Calçadão de Londrina, a aposentada Celina Sugahara, 64 anos, diz que gosta do que vê. "É bonito ver. Tudo bem que tem a superpopulação, mas que é bonito, é. Se eu pudesse, também alimentaria. Não tenho coragem. Tenho medo de levar bronca." Bem próximo à cena, o porteiro Valdir Aranda, 39 anos, reclama. "Acho que não deveria fazer isso. Os pombos transmitem doença." Morador de Irerê, Aranda conhece de perto o problema porque no distrito em que vive foi uma luta para tornar o convívio entre gente e pombos pacífico. "Lá eles resolveram, graças a Deus e a população colabora. Aqui em Londrina vejo a cena com frequência e me preocupo". Enquanto conversa, as pombas sobrevoam toda a área e o filho de Aranda coloca o capuz sobre a cabeça para se proteger.
Alguns aposentados se mostram revoltados enquanto a senhora alimenta os pombo com macarrão cozido e pão. "Nosso escritório é aqui. E essa senhora é sem noção. As aves devem procurar comida na natureza. É o instinto. Começa a dar comida, eles se acostumam e é perigoso até morrer de fome", diz aposentado Agostinho Farrel, 78 anos. "Essa pomba traz sujeira, problemas para a saúde e tem gente que faz isso. Traz milho, pão, macarrão", reclama. Enquanto seguia o ritual, a senhora responsável por alimentar as aves se incomodou, mas seguia adiante: "Todo dia dou de comer. É macarrão integral. Que se dane, o fiscal". Ela se limitou a dizer que mora no Centro e que não gostaria mais de conversar.
Sema adverte
A assessoria de imprensa da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) informou: "Na Sema, temos o setor de fiscalização, responsável por apurar denúncias ambientais, tais como alimentação de pombos. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 12hs às 18hs, e o fone é 3372-4770 ou 3372 -4771. Caso seja fora desse horário, os guardas municipais são competentes para tomarem as medidas cabíveis, entrar em contato pelo 153". (W.V.)
Trabalho exige ação integrada
O biólogo Paulo Dolibaina, responsável pelas ações de controle à população de pombos do município, informou que medidas como teste com equipamento que emite ondas eletromagnéticas (repelência) na Praça Sete de Setembro – sem resultados satisfatórios -, poda de galhos do entorno do bosque para redução de sujeira, incremento da limpeza, alteração do caminho interno do Bosque e projeto de instalação de holofotes – 11 postes com 44 holofotes de luz amarela (lâmpada de vapor de sódio tubular) já foram realizadas. A primeira ação da comissão foi descartar medidas como abate, uso e fogos de artifício, anticoncepcionais, gel. Segundo a assessoria, universidades, prefeitura, setor agrário, dentre outras estão integradas para discussão e elaboração de propostas visando o manejo e controle dos pombos em Londrina. (W.V.)