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Alerta - Testes rápidos aumentam diagnóstico de sífilis

09 jan 2017 às 09:34


A introdução do teste rápido para detecção da sífilis na rede pública de saúde em Londrina, em 2012, revelou números preocupantes referentes à doença. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam 640 casos de sífilis notificados no município entre 2013 e 2016 e nos últimos dois anos, a quantidade de confirmações vem superando as de HIV, vírus transmissor da aids. Só em dezembro de 2016, foram 11 casos confirmados de HIV para 46 de sífilis nas unidades de saúde do município.
Para tentar reduzir o número de casos positivos da doença, no ano passado o município adotou um novo protocolo de combate à sífilis, que deixou de ser considerada pelo Ministério da Saúde como Doença Sexualmente Transmissível (DST) e passou a ser classificada como Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Pelo novo protocolo, tanto a Maternidade Municipal Lucilla Ballalai quanto as maternidades privadas deverão disponibilizar o exame para detecção da bactéria transmissora da sífilis às mulheres que acabaram de dar à luz. Com o novo protocolo, é possível tratar a mulher e o parceiro, encerrando o ciclo de transmissão da doença, além de detectar os casos de sífilis congênita, causadora de diversos problemas em bebês.
"A sífilis estava subnotificada. A preocupação maior sempre foi com o HIV, que era um gargalo. Mas com o surgimento do teste rápido para sífilis e o treinamento e capacitação dos profissionais de saúde, os casos de sífilis foram sendo notificados. E a cada mês, os números ultrapassam os de HIV", disse o enfermeiro do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da Secretaria Municipal de Saúde, Edvilson Cristiano Lentine.

Doença pode levar paciente à morte
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida por meio de relações sexuais sem preservativo. A doença é dividida em três estágios. Na sífilis primária, pode surgir uma lesão na região genital, ânus, boca ou outro local da pele. Essa ferida única costuma se manifestar entre dez e 90 dias após o contágio e causa dor, ardência nem coceira e também não apresenta secreção. O segundo estágio da sífilis, entre o quarto mês e o primeiro ano após o contágio, podem surgir feridas na palma das mãos, na sola dos pés, queda de cabelo e perda de pelos do corpo, mas os sintomas nem sempre são atribuídos à doença, sendo muitas vezes confundidos com alergias, dificultando o diagnóstico correto.
Após essa fase, vem o período de latência da doença, que só volta a se manifestar décadas mais tarde, na sífilis terciária, quando aparecem os sintomas mais graves, como lesões cutâneas e problemas ósseos, cardiovasculares e neurológicos, podendo até causar a morte do paciente. No caso da sífilis congênita, os bebês podem nascer prematuros, com má-formação, problemas de visão e até vir a óbito.A doença é diagnosticada pelo teste rápido, disponível nas unidades básicas de saúde e, em Londrina, no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), na Alameda Manoel Ribas, 1 (centro), e o tratamento é feito com benzetacil, oferecido gratuitamente na rede pública de saúde. Desde a adoção do novo protocolo pelo município, a dosagem é única para todos os pacientes, dividida em três aplicações, ministradas uma a cada semana. Não há vacina contra a sífilis. A prevenção só pode ser feita com o uso de preservativo masculino ou feminino durante as relações sexuais.(S.S.)

Novo protocolo
O novo protocolo foi elaborado no ano passado e apresentado durante o II Fórum da Região de Londrina de Prevenção em Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)/Aids. A partir dele, o município readequou alguns pontos do protocolo do Ministério da Saúde. Um deles foi iniciar a distribuição dos testes rápidos para detecção da sífilis em todas as maternidades de Londrina, públicas ou privadas. "O protocolo do Ministério da Saúde determina que os testes para sífilis sejam realizados durante o pré-natal, no primeiro, segundo e terceiro trimestres de gestação. Mas assim como já acontece em São Paulo e no Rio Grande do Sul, decidimos também fazer o teste na mulher no momento do parto e oferecer o teste também ao parceiro dela para fechar o ciclo de transmissão. Os profissionais são treinados para que façam o aconselhamento de forma correta para que eles possam entender a importância, já que o teste não é obrigatório", explicou Lentine.
Na maternidade do Hospital Mater Dei, o teste é oferecido às parturientes desde novembro. Oito profissionais já passaram por treinamento e capacitação com os técnicos da Secretaria Municipal de Saúde e sempre que há disponibilidade de vagas, outros profissionais também são submetidos ao treinamento. No hospital, são feitos cerca de 35 partos por mês e, até agora, nenhum teste deu positivo. "As mães ficam tranquilas para fazerem o teste e ficam felizes quando dá negativo", disse a enfermeira da maternidade do hospital, Erika Cristina Rolim Rosa. (S.S.)


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