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Águas de janeiro - 2 mil desalojados

14 jan 2016 às 08:28


Cerca de 16 mil paranaenses foram afetados pelas chuvas no início desta semana em 42 municípios do Estado, principalmente nas regiões Norte, Noroeste e Norte Pioneiro. A informação faz parte do último boletim da Coordenação Estadual da Defesa Civil. De acordo com o levantamento, 2.194 pessoas ficaram desalojados por causa de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, sendo que 1.897 permanecem na mesma situação.
Árvores caídas, postes de energia elétrica no chão, desmoronamento de barrancos, pedaços de asfalto levados pela chuva, pontes danificadas e comunidades inteiras ilhadas. O volume de chuva registrado em Londrina desde o domingo até a manhã de terça-feira chegou a 340 milímetros, de acordo com o Instituto Tecnológico Simepar. A média histórica do mês de janeiro é de 214 milímetros. O Lago Igapó transbordou e a água que ultrapassou a barragem encobriu a Rua Almeida Garrett.
A força da água seguiu pelo Ribeirão Cambé destruindo os barracos construídos pelos índios caingangues próximo à Avenida Dez de Dezembro. Moradores ajudaram a retirar as crianças do local e ofereceram abrigo à comunidade. "A água vinha com tanta força que arrancou portões de algumas casas, derrubou muros e deixou o pessoal sem nada", contou o motorista José Roberto Fernandes, que ajudou a acolher as famílias. "A gente perdeu tudo. Perdeu roupas, móveis, fogão, tudo o que a gente tinha conseguido de doações. Teve gente que perdeu até os documentos. A gente estava se alimentando quando sentiu a água já nos pés", lamentou o caingangue Marcos Piraí Hiahiao. Segundo ele, aproximadamente 25 famílias vivem no local. O muro dos fundos de uma oficina mecânica cedeu e seis carros ameaçavam cair sobre alguns barracos que não haviam sido atingidos pela água.


A desolação vai ficar como marca na vida de muitas das pessoas que perderam tudo


Rolândia devastada
Em Rolândia, na região de Londrina, mil moradores estão desalojados e 36 estão desabrigados. As buscas pelo motorista de ônibus Odair José que foi atingido por uma enxurrada no Rio Bandeirantes continuam no município. Ele é o único desaparecido no Paraná por causa das chuvas. Além disso, o relatório confirma a destruição de 15 residências e outras 50 casas danificadas em Rolândia.
A Escola Municipal Vitorio Franklin abriga as pessoas que deixaram as residências, principalmente no conjunto Tomie Nagatani, que foi entregue pela prefeitura de Rolândia há sete meses. A moradora Fernanda Aparecida Rink deixou o local junto com a irmã por causa do risco de desabamento em um ônibus do município que foi até o bairro para atendimento dos desabrigados. "Não deu tempo de levar nada", resumiu.
Rafael Fantin
Grupo Folha


Água demais, água de menos
Entre as 12 cidades paranaenses que sofreram problemas no abastecimento, Rolândia é considerada a mais crítica devido a destruição da estação de tratamento, que teve tubulações, equipamentos e bombas levadas pela enxurrada. De acordo com o gerente regional da Sanepar, Sergio Bahls, o abastecimento de Rolândia continua suspenso com impossibilidade de tratamento. A captação alternativa deve ocorrer em três poços da Cocamar, no entanto, a capacidade seria de 8% para atendimento da cidade.
Na quarta, a produção de água em Londrina permaneceu em 30% da capacidade máxima que chega a até 220 milhões de litros por dia com condições climáticas favoráveis. A população consome, em média, 180 milhões de litros por dia. O gerente industrial da Sanepar em Londrina, Roberto Arai, destacou que o volume de produção aumentou, mas não há previsão para a retomada da capacidade total de produção. (V.C. e R.F.)

Rodovias
A regional da Defesa Civil informou que a PR-445 voltou a ser interditada entre Londrina e Tamarana por causa do risco de queda da ponte do Rio Taquara. Assim, os viajantes com destino a Curitiba devem seguir viagem no sentido de Apucarana. Em Rolândia, o contorno da PR-986 foi liberado nos dois sentidos, o que diminuiu o alto fluxo de veículos e congestionamentos no perímetro urbano. Já a PR-444, em Arapongas, permanece interditado por causa de uma cratera na pista. (R.F.)


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