Cerca de 16 mil paranaenses foram afetados pelas chuvas no início desta semana em 42 municípios do Estado, principalmente nas regiões Norte, Noroeste e Norte Pioneiro. A informação faz parte do último boletim da Coordenação Estadual da Defesa Civil. De acordo com o levantamento, 2.194 pessoas ficaram desalojados por causa de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, sendo que 1.897 permanecem na mesma situação.
Árvores caídas, postes de energia elétrica no chão, desmoronamento de barrancos, pedaços de asfalto levados pela chuva, pontes danificadas e comunidades inteiras ilhadas. O volume de chuva registrado em Londrina desde o domingo até a manhã de terça-feira chegou a 340 milímetros, de acordo com o Instituto Tecnológico Simepar. A média histórica do mês de janeiro é de 214 milímetros. O Lago Igapó transbordou e a água que ultrapassou a barragem encobriu a Rua Almeida Garrett.
A força da água seguiu pelo Ribeirão Cambé destruindo os barracos construídos pelos índios caingangues próximo à Avenida Dez de Dezembro. Moradores ajudaram a retirar as crianças do local e ofereceram abrigo à comunidade. "A água vinha com tanta força que arrancou portões de algumas casas, derrubou muros e deixou o pessoal sem nada", contou o motorista José Roberto Fernandes, que ajudou a acolher as famílias. "A gente perdeu tudo. Perdeu roupas, móveis, fogão, tudo o que a gente tinha conseguido de doações. Teve gente que perdeu até os documentos. A gente estava se alimentando quando sentiu a água já nos pés", lamentou o caingangue Marcos Piraí Hiahiao. Segundo ele, aproximadamente 25 famílias vivem no local. O muro dos fundos de uma oficina mecânica cedeu e seis carros ameaçavam cair sobre alguns barracos que não haviam sido atingidos pela água.
A desolação vai ficar como marca na vida de muitas das pessoas que perderam tudo
Em Rolândia, na região de Londrina, mil moradores estão desalojados e 36 estão desabrigados. As buscas pelo motorista de ônibus Odair José que foi atingido por uma enxurrada no Rio Bandeirantes continuam no município. Ele é o único desaparecido no Paraná por causa das chuvas. Além disso, o relatório confirma a destruição de 15 residências e outras 50 casas danificadas em Rolândia.
A Escola Municipal Vitorio Franklin abriga as pessoas que deixaram as residências, principalmente no conjunto Tomie Nagatani, que foi entregue pela prefeitura de Rolândia há sete meses. A moradora Fernanda Aparecida Rink deixou o local junto com a irmã por causa do risco de desabamento em um ônibus do município que foi até o bairro para atendimento dos desabrigados. "Não deu tempo de levar nada", resumiu.
Rafael Fantin
Grupo Folha
Entre as 12 cidades paranaenses que sofreram problemas no abastecimento, Rolândia é considerada a mais crítica devido a destruição da estação de tratamento, que teve tubulações, equipamentos e bombas levadas pela enxurrada. De acordo com o gerente regional da Sanepar, Sergio Bahls, o abastecimento de Rolândia continua suspenso com impossibilidade de tratamento. A captação alternativa deve ocorrer em três poços da Cocamar, no entanto, a capacidade seria de 8% para atendimento da cidade.
Na quarta, a produção de água em Londrina permaneceu em 30% da capacidade máxima que chega a até 220 milhões de litros por dia com condições climáticas favoráveis. A população consome, em média, 180 milhões de litros por dia. O gerente industrial da Sanepar em Londrina, Roberto Arai, destacou que o volume de produção aumentou, mas não há previsão para a retomada da capacidade total de produção. (V.C. e R.F.)
A regional da Defesa Civil informou que a PR-445 voltou a ser interditada entre Londrina e Tamarana por causa do risco de queda da ponte do Rio Taquara. Assim, os viajantes com destino a Curitiba devem seguir viagem no sentido de Apucarana. Em Rolândia, o contorno da PR-986 foi liberado nos dois sentidos, o que diminuiu o alto fluxo de veículos e congestionamentos no perímetro urbano. Já a PR-444, em Arapongas, permanece interditado por causa de uma cratera na pista. (R.F.)