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Adeus, Neneca

26 jan 2015 às 08:40

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O domingo foi de despedida para o futebol de Londrina e do país. Um dos maiores goleiros da história do Tubarão, Hélio Miguel, 67 anos, não resistiu a um câncer e faleceu às 3 horas da madrugada, no Hospital do Câncer. O campeão paranaense com o alviceleste em 1981 lutava há meses contra a doença. Amigos, familiares, ex-companheiros e torcedores do Tubarão prestaram as últimas homenagens durante todo o dia no velório realizado na capela 2 do Parque das Oliveiras.
Reconhecido como um dos grandes ídolos da história do Londrina, Neneca, que completou 67 anos no último dia 18 de dezembro, lutava desde setembro do ano passado contra um tipo muito agressivo de câncer. Amigos e familiares contaram que o ex-goleiro chegou a tomar morfina para livrar-se das dores.
O ex-zagueiro Marinho, campeão mundial com o Flamengo, amigo de infância de Neneca, custava acreditar na morte do ex-companheiro. "Faz uns seis, sete meses ele ainda estava jogando bola. A gente se encontrava sempre aos finais de semana no ‘Centuriões’, e eu pegava carona com ele. Nem queria vir aqui vê-lo dessa maneira, mas foi um grande amigo. A imagem que vou guardar é do Neneca feliz, tomando uma cervejinha e jogando uma bolinha", confidenciou o ex-jogador.
Sete anos mais novo, Marinho não chegou a jogar com Neneca nos profissionais do Londrina, mas mantinha uma amizade bem próxima e ressaltou o espírito de solidariedade do ex-goleiro. "Ele era um cara carinhoso. Muita gente não sabe, mas o Neneca cansou de ajudar as pessoas do bairro dele. Era dono de um coração enorme", completou o ex-beque.
O filho mais velho, André Roberto Martins Miguel, 41 anos, contou que, apesar da gravidade, Neneca estava confiante na cura e lutou muito para seguir vivo. "Ele estava forte, e sempre falava que ia sair dessa, mas a doença tomou uma proporção muito grande", lamentou. Segundo ele, o pai foi internado na segunda-feira da semana passada, teve alta e voltou a ser internado – já sedado – na sexta-feira. "Já estava difícil até para ele levantar da cama".
"O que nos conforta é que foi plano de Deus. Ele foi um bom pai, um cara dedicado, bom profissional e um cara muito simples. Meu pai não fez faculdade, mas foi um cara conhecido pelo que ele fez. Morei sete anos na França e escutava falar dele lá. E isso é motivo de orgulho para nós", ressaltou André.
Fã declarado do ex-camisa 1 do LEC, o torcedor Dirceu Alves Teixeira, relembrou uma das noites marcantes de Neneca no Tubarão. "Tive oportunidade de vê-lo num jogo com o Cruzeiro, que ele pegou um pênalti e de tão emocionado tirei a camisa e joguei no chão, em cima de uma bituca de cigarro, queimou a camisa, mas tenho ela guardada até hoje. É um dia que vou guardar pra sempre", disse. "Vai ficar a saudade de um grande jogador, um cara que honrou a camisa do Londrina", completou Marcos Reis, o Migrão.
Neneca teve ao todo sete filhos – um deles já falecido – com três mulheres diferentes. O sepultamento está marcado para as 10h30 desta segunda, no Cemitério Padre Anchieta. (Rafael Souza/Folha de Londrina)

Homenagens

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Maiores clubes da carreira do ex-goleiro, Guarani e Londrina lamentaram a morte. "Com os mais sinceros votos de pesar à família do grande Neneca, o Guarani se despede do homem e eterniza mais um ídolo em sua história", destacou a nota divulgada pelo clube campineiro. "O Londrina Esporte Clube está em luto e se solidariza com os familiares e amigos, pedindo a Deus que conforte a todos. Neneca sempre demonstrou honra e carinho vestindo a camisa alviceleste, sendo um dos maiores goleiros da história do clube", enalteceu o Londrina em seu site oficial. (R.S.)

Carreira marcante

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Neneca começou a jogar futebol em 1968, nas categorias de base do Paraná Esporte Clube, que depois fundiu-se com o Londrina. Saiu de sua cidade natal para defender o América (MG) e, em 1974, chegou ao Náutico-PE. Dois anos depois foi para o Guarani-SP, onde alcançou o maior título da carreira: campeão brasileiro em 1978, no time que tinha Careca e Zenon. De lá, partiu para o Operário-MT e voltou ao Londrina em 1981 para ser campeão paranaense. Antes de encerrar a carreira, em 1986, em sua terceira passagem pelo LEC, Neneca ainda defendeu Fluminense-BA, Bragantino-SP e Votuporanguense-SP.
Após pendurar as luvas, ele ainda atuou pela seleção brasileira master e trabalhou como preparador de goleiros na base do Guarani e no profissional do LEC.
A trajetória do ex-arqueiro é lembrada ainda por uma marca expressiva. Ele é o dono da segunda maior invencibilidade debaixo das traves do futebol mundial. Com a camisa do Náutico, em 1974, Neneca ficou 1.636 minutos – 18 jogos – sem sofrer gols. Ele perde apenas para Mazaropi, do Vasco da Gama, que ficou 1.816 minutos sem ser vazado entre 1977 e 1978. (R.S.)


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