"Quando o adeus deixa tanta saudade, é sinal de que o que foi vivido será inesquecível". A dedicatória da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, com a foto do goleiro Danilo Padilha, exposta durante o velório do atleta, em Cianorte (Noroeste), não deixa dúvidas sobre o legado deixado por ele e toda a equipe da Chapecoense, após o trágico acidente na madrugada da última terça-feira, na Colômbia, que matou 71 pessoas na viagem para a disputa da final da Copa Sul-Americana.
Mais de dez mil pessoas passaram pelo Centro de Eventos Carlos Yoshito Mori para homenageá-lo - nem que fosse por um pequeno instante. Sobre o caixão, a bandeira do Londrina Esporte Clube, a camisa do Cianorte, as luvas e uma placa em homenagem ao herói paranaense. Familiares, amigos, ex-companheiros dos clubes por onde passou e, claro, diversos torcedores com as camisas do Londrina, Chapecoense e Cianorte ainda tentavam entender a tragédia, em meio as dezenas de coroas de flores que circundavam o local. Danilo, de fato, era especial. Depois de mais de dez horas de velório, o corpo seguiu em uma carreata com o carro do Corpo de Bombeiros até o cemitério da cidade.
Torcedores do Tubarão viajaram até o velório ainda na noite de sábado, logo que souberam que o corpo deixava Chapecó, após a homenagem na Arena Condá que emocionou o Brasil. O comerciante Wagner Cândido chegou em Cianorte logo depois da meia noite de domingo à espera do "Paredão", que fechou a meta londrinense entre 2011 e 2013. "Sou apaixonado pelo Londrina e precisava fazer esta homenagem. O time ressurgiu com ele, não apenas como jogador, mas como um pai, amigo, esposo... A humildade do Danilo era muito grande e, vendo a família dele aqui, entendo o porquê. Nunca vou me esquecer do jogo quando o time retornou à primeira divisão do Paranaense", relembrando a atuação do goleiro contra o Nacional de Rolândia, quando fez três grandes defesas e garantiu o acesso.
A torcida organizada Falange Azul também esteve no velório com bandeiras em homenagem ao goleiro. Todos com a tristeza estampada nos olhos. O auxiliar administrativo Rafael Costa também recordou do jogo contra o Nacional. "Ele foi até nós, subiu o alambrado e comemorou muito com a gente. Sem dúvida, é um atleta que já está marcado na história do Londrina".
O diretor do Cianorte, Adir Kist, era o goleiro titular do Leão do Vale em 2005, ano histórico graças a goleada por 3 a 0 contra o Corinthians pela Copa do Brasil. Danilo era o reserva de Adir. "Conheci o Danilo quando ele subiu para o profissional. Eu ajudei ele a sonhar e acreditar que era possível, por toda a qualidade que tinha. Era uma pessoa maravilhosa e hoje virou um ídolo do Brasil. Esta é uma perda sem precedentes e espero que Deus conforte toda a família neste momento".
Amigos do goleiro, que jogaram com ele nas categorias de base, fizeram camisetas em homenagem ao atleta. "No jogo que a Chapecoense venceu o São Paulo por 2 a 0, fiquei quatro dias na casa dele e vi como todos o amavam na cidade. Mesmo depois de ter se tornado um ídolo em Chapecó, continuou com a mesma humildade, sempre atencioso e companheiro", complementou, com a voz embargada, o colega Igor Tagushi. "Obrigado, Danilo".
Mais de dez mil pessoas passaram pelo Centro de Eventos Carlos Yoshito Mori para homenageá-lo - nem que fosse por um pequeno instante. Sobre o caixão, a bandeira do Londrina Esporte Clube, a camisa do Cianorte, as luvas e uma placa em homenagem ao herói paranaense. Familiares, amigos, ex-companheiros dos clubes por onde passou e, claro, diversos torcedores com as camisas do Londrina, Chapecoense e Cianorte ainda tentavam entender a tragédia, em meio as dezenas de coroas de flores que circundavam o local. Danilo, de fato, era especial. Depois de mais de dez horas de velório, o corpo seguiu em uma carreata com o carro do Corpo de Bombeiros até o cemitério da cidade.
Torcedores do Tubarão viajaram até o velório ainda na noite de sábado, logo que souberam que o corpo deixava Chapecó, após a homenagem na Arena Condá que emocionou o Brasil. O comerciante Wagner Cândido chegou em Cianorte logo depois da meia noite de domingo à espera do "Paredão", que fechou a meta londrinense entre 2011 e 2013. "Sou apaixonado pelo Londrina e precisava fazer esta homenagem. O time ressurgiu com ele, não apenas como jogador, mas como um pai, amigo, esposo... A humildade do Danilo era muito grande e, vendo a família dele aqui, entendo o porquê. Nunca vou me esquecer do jogo quando o time retornou à primeira divisão do Paranaense", relembrando a atuação do goleiro contra o Nacional de Rolândia, quando fez três grandes defesas e garantiu o acesso.
A torcida organizada Falange Azul também esteve no velório com bandeiras em homenagem ao goleiro. Todos com a tristeza estampada nos olhos. O auxiliar administrativo Rafael Costa também recordou do jogo contra o Nacional. "Ele foi até nós, subiu o alambrado e comemorou muito com a gente. Sem dúvida, é um atleta que já está marcado na história do Londrina".
O diretor do Cianorte, Adir Kist, era o goleiro titular do Leão do Vale em 2005, ano histórico graças a goleada por 3 a 0 contra o Corinthians pela Copa do Brasil. Danilo era o reserva de Adir. "Conheci o Danilo quando ele subiu para o profissional. Eu ajudei ele a sonhar e acreditar que era possível, por toda a qualidade que tinha. Era uma pessoa maravilhosa e hoje virou um ídolo do Brasil. Esta é uma perda sem precedentes e espero que Deus conforte toda a família neste momento".
Amigos do goleiro, que jogaram com ele nas categorias de base, fizeram camisetas em homenagem ao atleta. "No jogo que a Chapecoense venceu o São Paulo por 2 a 0, fiquei quatro dias na casa dele e vi como todos o amavam na cidade. Mesmo depois de ter se tornado um ídolo em Chapecó, continuou com a mesma humildade, sempre atencioso e companheiro", complementou, com a voz embargada, o colega Igor Tagushi. "Obrigado, Danilo".
LUCAS GOMES
O corpo do atacante Lucas Gomes, atleta do LEC emprestado à Chapecoense, chegou na tarde de domingo na capital paraense, Belém, e foi levado para o município de Bragança, onde será sepultado nesta segunda-feira. (V.L.)
O corpo do atacante Lucas Gomes, atleta do LEC emprestado à Chapecoense, chegou na tarde de domingo na capital paraense, Belém, e foi levado para o município de Bragança, onde será sepultado nesta segunda-feira. (V.L.)
Mãe coragem
Se existe um símbolo de força, amor e fé em meio a toda essa tragédia com a equipe da Chapecoense e jornalistas mortos no acidente aéreo na Colômbia, o nome dela é Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo. Se o apelido do atleta era "Paredão", sua mãe, sem dúvida, pode ser considerada uma fortaleza.
Uma guerreia que começou a ser acolhida pelos brasileiros depois do abraço de conforto ao repórter Guido Nunes, da SportTV, que emocionado, não conseguiu segurar as lágrimas. Na Arena Condá, viu o nome do seu filho gritado por toda a torcida e, sempre solicita em meio aquela chuva toda, abraçou torcedores, concedeu entrevistas e se mostrou forte neste momento de dor insuportável.
Domingo, foi a vez do repórter do Grupo Folha ser abraçado por Dona Ilaídes. Em meio a uma dor imensa e já cansada de toda exposição, ela me abraçou, segurou pelo braço e disse: "Quero que você faça uma reportagem bem bonita do Danilo". Confesso, foi difícil segurar as lágrimas.
Numa conversa rápida, Ilaídes disse que se sentiu abraçada por todo o Brasil e o mundo durante esta semana. "O Danilo era liderança, heroísmo, amor e não está fácil ver ele desta forma como está ali... Lá em Chapecó, todos vinham me contar uma história boa do meu filho, com as lágrimas correndo no rosto. Eu não sabia que ele era tão amado assim".
A mãe do Paredão ainda lembrou a importância de Londrina para o atleta. Disse que aqui na cidade ele se "sentia em casa" e foi a primeira vez que alugou um apartamento como atleta, já que antes sempre estava em alojamentos. "Londrina era a casa do Danilo e depois do Cianorte, foi o primeiro lugar que se identificou de verdade. Foi em Londrina que ele arrumou a esposa dele e foi lá que chegou o meu neto. Foi no time em que ele começou a se tornar o herói que virou em Chapecó".
"E agora, Dona Ilaídes, o que vamos fazer sem ele?". A resposta desta pergunta tão difícil está no pequeno Lorenzo, filho de Danilo e Letícia, neto de Ilaídes. "Nós vamos fazer que ele seja o Danilo do futuro, numa versão melhor ainda. Costumo dizer que o meu marido era um aparelho mais antigo, o Danilo era o CD e nós vamos fazer do Lorenzo um pen-drive. O Danilo não teve grandes oportunidades quando jovem, mas com o Lorenzo nós vamos fazer isso acontecer desde criança", complementou ela, como uma força divina. (V.L)
Se existe um símbolo de força, amor e fé em meio a toda essa tragédia com a equipe da Chapecoense e jornalistas mortos no acidente aéreo na Colômbia, o nome dela é Ilaídes Padilha, mãe do goleiro Danilo. Se o apelido do atleta era "Paredão", sua mãe, sem dúvida, pode ser considerada uma fortaleza.
Uma guerreia que começou a ser acolhida pelos brasileiros depois do abraço de conforto ao repórter Guido Nunes, da SportTV, que emocionado, não conseguiu segurar as lágrimas. Na Arena Condá, viu o nome do seu filho gritado por toda a torcida e, sempre solicita em meio aquela chuva toda, abraçou torcedores, concedeu entrevistas e se mostrou forte neste momento de dor insuportável.
Domingo, foi a vez do repórter do Grupo Folha ser abraçado por Dona Ilaídes. Em meio a uma dor imensa e já cansada de toda exposição, ela me abraçou, segurou pelo braço e disse: "Quero que você faça uma reportagem bem bonita do Danilo". Confesso, foi difícil segurar as lágrimas.
Numa conversa rápida, Ilaídes disse que se sentiu abraçada por todo o Brasil e o mundo durante esta semana. "O Danilo era liderança, heroísmo, amor e não está fácil ver ele desta forma como está ali... Lá em Chapecó, todos vinham me contar uma história boa do meu filho, com as lágrimas correndo no rosto. Eu não sabia que ele era tão amado assim".
A mãe do Paredão ainda lembrou a importância de Londrina para o atleta. Disse que aqui na cidade ele se "sentia em casa" e foi a primeira vez que alugou um apartamento como atleta, já que antes sempre estava em alojamentos. "Londrina era a casa do Danilo e depois do Cianorte, foi o primeiro lugar que se identificou de verdade. Foi em Londrina que ele arrumou a esposa dele e foi lá que chegou o meu neto. Foi no time em que ele começou a se tornar o herói que virou em Chapecó".
"E agora, Dona Ilaídes, o que vamos fazer sem ele?". A resposta desta pergunta tão difícil está no pequeno Lorenzo, filho de Danilo e Letícia, neto de Ilaídes. "Nós vamos fazer que ele seja o Danilo do futuro, numa versão melhor ainda. Costumo dizer que o meu marido era um aparelho mais antigo, o Danilo era o CD e nós vamos fazer do Lorenzo um pen-drive. O Danilo não teve grandes oportunidades quando jovem, mas com o Lorenzo nós vamos fazer isso acontecer desde criança", complementou ela, como uma força divina. (V.L)