Cerca de 40 moradores do Residencial Flores do Campo (zona norte) se instalaram no gramado em frente à Prefeitura de Londrina, na tarde de quarta (20), para cobrar uma posição das autoridades sobre o futuro das 400 famílias que há quase um ano ocupam 1,2 mil imóveis inacabados do Programa Minha Casa Minha Vida.
O protesto ocorre um dia depois de uma operação policial conturbada no Flores do Campo. O repositor de mercadorias João Vitor Rafael, 20, considerou a ação da Polícia Militar na ocupação, na noite de terça (19), uma forma de pressão para que os moradores deixem o residencial. "A polícia visitou a comunidade e agiu com muita violência, com agressões verbais e psicológicas. Não aguentamos mais. Queremos uma resposta do prefeito, se ele pensa em fazer reintegração de posse. Onde ele vai colocar as 400 famílias? Morar é um direito constitucional. Daqui não arredamos o pé até termos uma resposta concreta", disse.
O padre Luiz Dirceu Fumagalli acompanhou o protesto. Ele lembrou que, em um ano, nada foi feito para reverter a situação. "De nada adianta tirar esse pessoal de lá se não houver planejamento para o término das obras. Enquanto isso, todos devem ser tratados com respeito", posicionou-se.
À Guarda Municipal, os manifestantes garantiram se tratar de um protesto pacífico. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que ninguém atenderia os manifestantes porque a resolução do problema foge da alçada do município.
E aí, Cohab-Ld?
O presidente da Cohab-Ld (Companhia de Habitação de Londrina), Marcelo Cortez, disse que a ação de reintegração de posse é de autoria da Caixa Econômica Federal. "Não nos cabe qualquer definição sobre o assunto, que só poderá ser resolvido em esfera federal, por meio da Caixa. Nossa única responsabilidade é de definir as famílias contempladas, procedimento que deve se dar por meio de sorteio, quando a fila é maior que as unidades disponíveis", expôs.
Segundo Cortez, cerca de 68 mil famílias estão na fila de espera por uma casa na Cohab-Ld. Segundo ele, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2017, o número de pessoas em ocupações irregulares em Londrina passou de 915 para 3.500. "Aprovamos recentemente uma lei que dá subsídios para loteadoras que construam unidades habitacionais para pessoas de baixa renda para diminuir a fila da Cohab. Além disso, estamos trabalhando em terrenos próprios para gerar mais moradias", listou.
A reportagem tentou contato com a superintendência da Caixa Econômica Federal, mas, pelo adiantado da hora, ninguém atendeu as ligações. No dia 29 deste mês, a ocupação completa um ano. Cortez lamentou que a ocupação tem travado o município em novas contratações do Minha Casa Minha Vida, mas acredita que a ocupação não pode ser criminalizada. (Celso Felizardo/Grupo Folha)
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