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4 décadas de parceria - Um caso de amor

04 mai 2017 às 09:08

Bem rodada e com uma coleção de histórias, a Brasília de cor creme do aposentado João Aiello, 82 anos, transformou-se em uma relíquia para toda a família. Adquirido em 1976, o possante servia para os passeios de João e sua esposa Odete, falecida há 15 anos. "Íamos para os rodeios, para as festas da cidade e para as quermesses de Uraí, onde morávamos", recorda. Agricultor, Aiello plantava algodão, uva e destaca ainda que da família para o trabalho, a Brasília era pau para toda obra. "Eu carregava as famílias que trabalhavam na colheita de algodão. Ia com a porta traseira aberta e a lotação chegava a 10 pessoas", diverte-se.
De presente e passado valiosos, nos dias de hoje a autêntica Brasília tem lugar garantido na garagem coberta dos Aiello, que vivem em Ibiporã. "Todos os dias, o vô toma a sopinha de pão logo que acorda, varre o quintal, recolhe as folhas, a sujeira dos cachorros, toma um solzinho e tem que dar uma funcionadinha no carro", conta seu neto, o estudante de Direito Silvio Aiello, 17 anos. O jovem conta que muitos dos familiares aprenderam a guiar nesta Brasília e que valoriza, assim como toda a família, o modo como o avô preserva o carro. Todos sabem o que o veículo representa em sua vivência. "É como uma pessoa para mim", diz o patriarca dos Aiello e proprietário da relíquia. "Ela está com 41.342 quilômetros rodados, tem uma marca no teto, que é de um abacate que caiu em cima dela na época em que morava no sítio e o assoalho está meio castigado porque a gente rodava mesmo na terra e levava até as pessoas para o hospital, mas de um modo geral está bonitona", diz.
Nos dias em que o quintal da casa é lavado, todo o cuidado deve ser dado à viatura. "O vô não gosta que molhe ela, não", relata o neto. Natural de Taquaritinga, João Aiello conta que sua primeira carteira de habilitação foi tirada só aos 38 anos de idade e que para ele é uma alegria e tanto poder preservar um carro que faz parte de sua memória. "Na época paguei 1600 contos nela. Já me fizeram várias ofertas de venda, a mais recente de R$ 10 mil, mas não troco, não vendo e não faço negócio com a Brasília porque o valor é sentimental", reforça.

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