Cerca de 350 famílias do assentamento Eli Vive, no distrito de Lerroville, zona sul, ocuparam na manhã desta quarta-feira (12) o pátio da Prefeitura de Londrina. Eles lotaram cinco ônibus, trouxeram colchões, cobertores, um fogão e muita comida e afirmam que só deixarão o local quando tiverem suas reivindicações atendidas. Os assentados querem garantias de recuperação dos 107 quilômetros de estradas que cortam o Eli Vive 1 e 2, novos prédios para as escolas e uma UBS (Unidade Básica de Saúde) dentro do assentamento. Nas negociações, eles reclamam a presença de representantes dos órgãos municipais responsáveis, além do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e MP (Ministério Público).
As estradas de terra estão em péssimas condições e dificultam o deslocamento da população e a distribuição da produção agrícola dos assentados. Atualmente, eles fornecem merenda escolar para 97 escolas estaduais de Londrina e, quando chove, enfrentam muita dificuldade para sair do assentamento com a produção e chegar até as escolas. "As estradas são o principal problema para o desenvolvimento do assentamento hoje. As estradas é que dão acesso à saúde, à educação e ajudam a escoar nossa produção", define o membro da coordenação do assentamento, Jauri Dias.
Um convênio para a recuperação das estradas do assentamento foi assinado pela prefeitura em 2014 e previa a destinação de R$ 3 milhões para as obras. Na época, os cálculos indicavam que o dinheiro seria suficiente para readequar 80 quilômetros. A execução do projeto nunca saiu do papel e agora, com a alta no preço dos materiais, os assentados acreditam que com os R$ 3 milhões não seria possível recuperar mais do que 40 quilômetros. "Queremos que façam o total de estradas do assentamento e seriam necessários R$ 9 milhões", disse a coordenadora política do assentamento Eli Vive, Sandra Aparecida Costa Ferrer. (Simoni Saris/Grupo Folha)
SAÚDE E EDUCAÇÃO
A estrutura das escolas é outra preocupação para os assentados. No local funcionam duas escolas municipais e uma estadual, com cerca de 500 alunos matriculados, mas as estruturas são de madeira, feitas há dez anos pelos próprios moradores e apresentam sinais de deterioração. Eles pleiteiam a construção de prédios de alvenaria. "Eles nos colocaram no assentamento e nos esqueceram. Não tem nada de infraestrutura do município, do Estado ou do governo federal. Tudo o que tem lá foi feito com o suor das próprias famílias", afirmou Dias. Em 2016, a secretaria municipal de Educação assumiu o ensino de duas instituições. Somados, os assentamentos Eli Vive 1 e Eli Vive 2 concentram uma população de cerca de três mil pessoas. Quando alguém fica doente, a unidade de saúde mais próxima é a UBS de Lerroville, distante cerca de dez quilômetros do distrito. "O posto de saúde de Lerroville não comporta mais a população do assentamento. O posto é pequeno até para os moradores do distrito", destacou Ferrer.
"A princípio, estamos em vigília, não vamos ocupar o gabinete nem a prefeitura. Vamos ficar aqui fora até que consigamos reunir esses órgãos para sentar e conversar. Não é só o prefeito, é todo mundo que tem responsabilidade sobre o assentamento Eli Vive. De hoje até sexta-feira, espero que resolva, mas não temos pressa de ir embora", disse Dias. Segundo Ferrer, membros do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) integram o grupo em apoio ao movimento. "A ideia é só sair daqui quando as autoridades nos garantirem que a nossa pauta vai ser atendida", comentou a coordenadora política do assentamento. Com uma cozinha improvisada montada próxima à porta de entrada da prefeitura, eles almoçaram e lancharam no local. O que seria repetido no jantar. (S.S.)
INCRA
A assessoria de imprensa do Incra informou que o órgão recebeu o projeto básico para readequação das estradas do Eli Vive elaborado pela Prefeitura de Londrina, mas o documento não foi aprovado e foi devolvido à prefeitura porque necessitava de ajustes. O Incra confirmou o repasse de R$ 3,3 milhões pelo Governo Federal com contrapartida de R$ 33 mil do município para a execução do projeto. O órgão ressaltou que o recurso não foi perdido em razão do atraso na finalização e aprovação do projeto, mas só será liberado com o aval do Incra. (S.S.)