Quinze dias após ter alta do hospital, a auxiliar administrativa Mariane Regina Rodrigues, 24 anos, estava na porta da creche, com a filha nos braços, em busca de uma vaga. "Assim que ela nasceu eu fui porque já sabia que ia ser difícil. Eu preciso trabalhar, ajudo meu marido que é carpinteiro, mas não imaginava isso", lamenta. Na época, a matrícula indicava que a criança era a 27ª da fila, mas um problema no sistema quase colocou tudo a perder. "Um dia cheguei lá e disseram que não havia pedido no meu nome. Fiquei desesperada, procurei a Secretaria de Educação e, graças a Deus, tinham um livro e lá estava tudo certinho, mas até agora, dois anos depois, nada", diz.
A falta de vagas nas creches de Londrina é um problema que Mariane, moradora do Parque das Indústrias, na Zona Sul, compartilha com outras mulheres que formaram suas famílias e não podem se dar ao luxo de ficar em casa sem uma renda. "Eu me senti desamparada. Tenho duas filhas para criar e ao mesmo tempo entendo a situação da creche porque eles mostram para a gente a planilha e a situação não permite pressionar", conforma-se. "Mas eu e as outras mães pensamos que o bairro tem lugar para mais creches. Falta administração, mas mesmo assim eu tenho esperança de que esse ano eu consiga a vaga para minha filha", diz.