Londrina completou 19 dias sem mortes violentas. O maior período de 2017. O caso mais recente foi registrado na noite de terça-feira (7), quando um suspeito de roubo morreu durante confronto com agentes de segurança pública, na avenida Tiradentes.
O trabalho de investigação da Delegacia de Homicídios de Londrina seria um dos responsáveis pela queda no número de assassinatos. "Nos últimos meses, realizamos diversas prisões de pessoas ligadas diretamente aos homicídios. Durante as investigações, alguns suspeitos também foram mortos pelos rivais. Tudo isso influenciou na redução do número de mortes em nossa cidade", diz o delegado Ricardo Jorge, titular da especializada.
A maior parte das mortes ocorreu na zona sul. Porém a comunidade não testemunha um homicídio desde o dia 16 de setembro. Nesta data, três pessoas foram executadas no Parque das Indústrias, na mesma região. A motivação do ataque seria um conflito entre grupos criminosos rivais. Uma das vítimas era Maria de Fátima Nascimento Moraes, 57 anos. Ela estava vendendo pães quando foi baleada e morta.
"Somente nos meses de junho, julho e agosto foram 17 suspeitos detidos pela nossa delegacia. Inclusive envolvidos na guerra da zona sul, responsável por grande parte dos homicídios registrados este ano. Duas lideranças fortes, de grupos rivais, foram presas no mês de setembro. Além dos armamentos apreendidos que teriam sido usados nas execuções na região sul", explica. "A Delegacia de Homicídios continua organizando operações para dar cumprimento aos mandados de prisão de suspeitos de assassinatos", adianta o titular da Homicídios, que apura os crimes dolosos contra a vida (quando há intenção de matar), com ou sem autoria. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
‘É necessário manter a vigilância’,
diz secretário de segurança
A Secretaria Estadual de Segurança Pública "comemorou" o recorde de dias sem homicídio em Londrina. "Caso seja confirmado também pelo setor de estatística, traz uma excelente notícia. Tenho só a agradecer o trabalho de nossas Polícias Civil e Militar. É resultado do investimento que o Estado tem feito na segurança pública, contratando mais policiais, comprando mais viaturas. E também a ação de nossos órgãos de inteligência no combate ao crime organizado", diz o secretário estadual de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita. "No ano passado foi necessário atuar de maneira integrada. Força tarefa de vários órgãos, de maneira coordenada. E agora colhemos o resultado", avalia.
Ele informa que a intenção é reforçar o efetivo policial em locais de maior incidência de crimes. "É necessário manter a vigilância, reforçar ainda mais nossos efetivos, aplicar o policiamento efetivo em locais de maior incidência. Enfim, manter o bom trabalho que já tem sido feito pelas equipes da Polícia Civil e Polícia Militar, do departamento de inteligência e dos demais órgãos de segurança pública de Londrina", reforça.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol) de Londrina e região, Michel Franco, discorda do secretário. Segundo ele, não há qualquer reforço ao órgão. "A cidade vive um deficit de 50% no número de agentes da Polícia Civil", explica. Para Franco, apesar da queda do número de homicídios, a população sofre com a sensação de insegurança. Além disso, afirma que as vítimas de crimes padecem com a ausência de policiais civis, responsáveis pelo trabalho de investigação. (P.M.)
Mais de 100 mortes
De acordo com o levantamento elaborado pela reportagem, Londrina soma 122 mortes violentas em 2017. O número inclui vítimas de homicídios dolosos, latrocínios (roubos seguidos de morte) e óbitos em unidades de saúde após lesão corporal. Já segundo a Delegacia de Homicídios, que apura os crimes dolosos contra a vida, foram 90 pessoas assassinadas no ano.
Número este que não compreende casos de lesão corporal seguida de morte, latrocínio (roubo seguido de morte), nem confrontos com agentes das forças de segurança pública. Como o que aconteceu na noite da última terça-feira, quando o suspeito de um roubo de carro foi morto na avenida Tiradentes. Ele teria trocado tiros com os agentes. Segundo o Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, o suspeito não teria sido identificado até o fim da tarde de quarta-feira. Com ele teriam sido apreendidos um revólver e munições. (P.M.)