Pesquisar no Google, trocar confidências no Whatsapp, atualizar o Twitter e postar fotos no Instagram são hábitos corriqueiros, mas não tão inocentes como parecem. Eles criam uma dependência tecnológica que, em alguns casos, pode exigir tratamento. Entre os principais problemas, alertam os especialistas, está a perda de controle da administração do próprio tempo e doenças relacionadas ao isolamento, que podem exigir um detox digital.
Uma pesquisa realizada pela Universidade Maryland, dos Estados Unidos, revelou que a dependência em tecnologia é semelhante ao uso de drogas. Depois de analisar mil jovens com idades entre 17 e 23 anos, os pesquisadores concluíram que 79% deles apresentam desconforto, confusão mental, isolamento e até coceira quando submetidos à restrição de eletrônicos.
"A internet e as novas tecnologias são importantes para o desenvolvimento e aprendizado de crianças, adolescentes e pessoas de qualquer idade. Porém, o uso sem moderação pode fazer com que elas deixem de ser um instrumento enriquecedor de conhecimento e prejudiquem a saúde", ressalta a psiquiatra Simone Pistori.
Embora jogos também façam parte da lista, os casos mais comuns de dependência tecnológica estão ligados às redes sociais e troca de mensagens. Essas ferramentas criadas para promover o encontro entre as pessoas podem fazer exatamente o contrário. "Você vai a um restaurante e não vê mais as pessoas conversando. Estão todos isolados em seus smartphones e tablets", constata o psiquiatra Luiz Alves Nunes.
Segundo ele, a Associação Americana de Psiquiatria já estuda incluir o distúrbio da dependência de internet entre as doenças mentais. "Os males causados por essa adicção vão desde dores de cabeça, baixa autoestima até crises de ansiedade e depressão. É semelhante à dependência de drogas", conta Nunes.
A psicóloga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Anna Lucia King, vai mais longe e acrescenta outros impactos causados pelo uso excessivo de tecnologias. "Os impactos se dão não só na vida pessoal, social e familiar, mas na vida profissional, acadêmica, na saúde física, mental e até no meio ambiente, porque as pessoas geram uma quantidade de lixo eletrônico impressionante", afirma.
A dependência digital, segundo ela, não está diretamente relacionada ao tempo de conexão, mas sim aos níveis de perda de controle na vida real do usuário. "O limite entre uso e abuso é muito tênue. É como a linha que separa o remédio e o veneno, pode curar ou pode matar. O limite está na dose. A tecnologia, para quem sabe usar e usa com bom senso, pode trazer bons frutos ou pode trazer problemas para a visão, coluna, articulações, obesidade", pondera.
Segundo ela, deixar de sair de casa, de praticar atividades físicas, de se relacionar com as pessoas de forma real, perder produtividade no trabalho são indícios de que as tecnologias estão tendo um papel maior do que deveriam.
Uma pesquisa realizada pela Universidade Maryland, dos Estados Unidos, revelou que a dependência em tecnologia é semelhante ao uso de drogas. Depois de analisar mil jovens com idades entre 17 e 23 anos, os pesquisadores concluíram que 79% deles apresentam desconforto, confusão mental, isolamento e até coceira quando submetidos à restrição de eletrônicos.
"A internet e as novas tecnologias são importantes para o desenvolvimento e aprendizado de crianças, adolescentes e pessoas de qualquer idade. Porém, o uso sem moderação pode fazer com que elas deixem de ser um instrumento enriquecedor de conhecimento e prejudiquem a saúde", ressalta a psiquiatra Simone Pistori.
Embora jogos também façam parte da lista, os casos mais comuns de dependência tecnológica estão ligados às redes sociais e troca de mensagens. Essas ferramentas criadas para promover o encontro entre as pessoas podem fazer exatamente o contrário. "Você vai a um restaurante e não vê mais as pessoas conversando. Estão todos isolados em seus smartphones e tablets", constata o psiquiatra Luiz Alves Nunes.
Segundo ele, a Associação Americana de Psiquiatria já estuda incluir o distúrbio da dependência de internet entre as doenças mentais. "Os males causados por essa adicção vão desde dores de cabeça, baixa autoestima até crises de ansiedade e depressão. É semelhante à dependência de drogas", conta Nunes.
A psicóloga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Anna Lucia King, vai mais longe e acrescenta outros impactos causados pelo uso excessivo de tecnologias. "Os impactos se dão não só na vida pessoal, social e familiar, mas na vida profissional, acadêmica, na saúde física, mental e até no meio ambiente, porque as pessoas geram uma quantidade de lixo eletrônico impressionante", afirma.
A dependência digital, segundo ela, não está diretamente relacionada ao tempo de conexão, mas sim aos níveis de perda de controle na vida real do usuário. "O limite entre uso e abuso é muito tênue. É como a linha que separa o remédio e o veneno, pode curar ou pode matar. O limite está na dose. A tecnologia, para quem sabe usar e usa com bom senso, pode trazer bons frutos ou pode trazer problemas para a visão, coluna, articulações, obesidade", pondera.
Segundo ela, deixar de sair de casa, de praticar atividades físicas, de se relacionar com as pessoas de forma real, perder produtividade no trabalho são indícios de que as tecnologias estão tendo um papel maior do que deveriam.
CLÍNICAS ESPECIALIZADAS
No Brasil, o tema ainda é pouco explorado, mas em vários países, como Reino Unido, Itália e China, já existem clínicas especializadas em dependência digital. No Brasil, o Instituto Delete, no Rio, é o primeiro núcleo especializado em desintoxicação digital. Segundo Anna Lucia, que coordena o instituto, além de fazer um trabalho educativo e preventivo, o Delete oferece suporte no uso abusivo.
"Nós recebemos a pessoa que acha que está com problemas, fazemos uma triagem e uma avaliação médica e psicológica, a partir de uma escala de dependência", explica Anna Lucia. Segundo ela, esse processo diferencia os dependentes normais, que fazem uso abusivo por lazer ou trabalho, dos dependentes patológicos, que podem ter o problema associado a um transtorno de ansiedade.
"Se houver algum transtorno relacionado ao uso excessivo de tecnologias, como compulsões ou transtorno de ansiedade, a pessoa é encaminhada para o Detox Digital. Vamos conscientizá-la sobre o uso abusivo, orientar sobre quanto ela deve usar por dia, e, se necessário, tratamos até com medicamentos", explica a psicóloga. (J.G.)
No Brasil, o tema ainda é pouco explorado, mas em vários países, como Reino Unido, Itália e China, já existem clínicas especializadas em dependência digital. No Brasil, o Instituto Delete, no Rio, é o primeiro núcleo especializado em desintoxicação digital. Segundo Anna Lucia, que coordena o instituto, além de fazer um trabalho educativo e preventivo, o Delete oferece suporte no uso abusivo.
"Nós recebemos a pessoa que acha que está com problemas, fazemos uma triagem e uma avaliação médica e psicológica, a partir de uma escala de dependência", explica Anna Lucia. Segundo ela, esse processo diferencia os dependentes normais, que fazem uso abusivo por lazer ou trabalho, dos dependentes patológicos, que podem ter o problema associado a um transtorno de ansiedade.
"Se houver algum transtorno relacionado ao uso excessivo de tecnologias, como compulsões ou transtorno de ansiedade, a pessoa é encaminhada para o Detox Digital. Vamos conscientizá-la sobre o uso abusivo, orientar sobre quanto ela deve usar por dia, e, se necessário, tratamos até com medicamentos", explica a psicóloga. (J.G.)
Medo de ficar longe do celular
"Uso o celular desde a hora que acordo até quando vou dormir. Até para ir ao banheiro, ele vai junto", conta uma universitária que não quis ser identificada. O vício é assumido e ela reconhece que exagera. "Na sala de aula, meu celular fica sempre sem sinal. Eu sei que isso não deveria ser mais importante que a aula, mas eu fico bem aflita e, às vezes, acabo saindo em busca de sinal para saber se estou perdendo alguma coisa", confessa.
Essa angústia causada pela impossibilidade de se comunicar através do celular é o que caracteriza a nomofobia, nome dado ao mal-estar ou ansiedade apresentados pelas pessoas quando não estão com seus aparelhos. "A nomofobia caracteriza-se por um medo irracional de ficar sem o celular, de que o crédito acabe ou que não haja cobertura. Medo de ficar sem bateria e, inclusive, de esquecer o aparelho em casa", explica a psiquiatra Simone Pistori.
Segundo ela, muitas vezes, a proximidade vale mais do que realmente estar manipulando o celular o tempo todo. "A pessoa tem necessidade de ter o aparelho sempre perto, ao alcance da mão", afirma Simone. Entre os sintomas da nomofobia, a psiquiatra destaca taquicardia, falta de ar, tremores, insônia, irritabilidade e angústia. "Esse tipo de transtorno independe de idade, mas é mais comum em crianças e adolescentes, já que os sintomas aparecem exatamente na fase da vida de grande desenvolvimento neuropsicomotor."
O nome deste transtorno tem origem no termo em inglês "no-mobile" (sem celular), mas está associado também ao medo de ficar sem notebooks ou outros aparelhos portáteis de comunicação. (J.G.)
"Uso o celular desde a hora que acordo até quando vou dormir. Até para ir ao banheiro, ele vai junto", conta uma universitária que não quis ser identificada. O vício é assumido e ela reconhece que exagera. "Na sala de aula, meu celular fica sempre sem sinal. Eu sei que isso não deveria ser mais importante que a aula, mas eu fico bem aflita e, às vezes, acabo saindo em busca de sinal para saber se estou perdendo alguma coisa", confessa.
Essa angústia causada pela impossibilidade de se comunicar através do celular é o que caracteriza a nomofobia, nome dado ao mal-estar ou ansiedade apresentados pelas pessoas quando não estão com seus aparelhos. "A nomofobia caracteriza-se por um medo irracional de ficar sem o celular, de que o crédito acabe ou que não haja cobertura. Medo de ficar sem bateria e, inclusive, de esquecer o aparelho em casa", explica a psiquiatra Simone Pistori.
Segundo ela, muitas vezes, a proximidade vale mais do que realmente estar manipulando o celular o tempo todo. "A pessoa tem necessidade de ter o aparelho sempre perto, ao alcance da mão", afirma Simone. Entre os sintomas da nomofobia, a psiquiatra destaca taquicardia, falta de ar, tremores, insônia, irritabilidade e angústia. "Esse tipo de transtorno independe de idade, mas é mais comum em crianças e adolescentes, já que os sintomas aparecem exatamente na fase da vida de grande desenvolvimento neuropsicomotor."
O nome deste transtorno tem origem no termo em inglês "no-mobile" (sem celular), mas está associado também ao medo de ficar sem notebooks ou outros aparelhos portáteis de comunicação. (J.G.)