Se você andou pelo Parque de Exposições Governador Ney Braga este ano, percebeu que a palavra de ordem é eficiência. Com as margens de lucro cada vez mais apertadas, as fabricantes e revendas não estão mais vendendo apenas metal; elas estão vendendo algoritmos, automação e economia de insumos.
Da inteligência artificial que fotografa a lavoura via satélite aos tratores voltados para a agricultura familiar, a feira mostrou que o agronegócio brasileiro já vive o futuro. Confira os destaques que brilharam no estande e nos campos:
A Cocamar subiu a régua com a Série 7 de colheitadeiras. O grande diferencial aqui é o sistema de autorregulação por GPS e sensores: a máquina não apenas colhe, ela "enxerga" a área nove metros antes da plataforma, usando fotos de satélite para ajustar a operação conforme a coloração das folhas. Além disso, a telemetria permite que o produtor monitore tudo pelo smartphone, em tempo real.
Na parte de plantio, a Plantadeira 1200 chegou para substituir a veterana 1100, trazendo chassi mais alto para lidar com a palhada e linhas em ferro fundido para maior durabilidade.
Para quem busca robustez, a Lavorpeças trouxe os tratores Landini (com destaque para o modelo 175) e as plataformas de milho ultra-leves em alumínio da Planti Center. Já na Comasa Agro (Master Jacto), o foco foi no "bolso": o pulverizador Uniport 8030, equipado com o sistema Balance Control para estabilização de barras, foi oferecido com agressivos 38% de desconto.
Engenharia nacional
O estande da Terra Forte apresentou a plantadeira Princesa, uma máquina auto transportável pensada especificamente para as ondulações e o solo argiloso do Norte do Paraná. O sistema é engenhoso: ao passar por terraços, o módulo ajusta automaticamente a profundidade da linha para garantir que a semente seja depositada com uniformidade milimétrica.
Pela primeira vez na história da feira, a Coamo marcou presença. O foco da cooperativa não foi vender máquinas, mas sim consolidar sua expansão na região — lembrando que recentemente adquiriu cinco unidades na região de Londrina e Cambé.
E para quem acha que a inovação fica só no campo, a Londrilift mostrou que o galpão também mudou: empilhadeiras elétricas com baterias de lítio agora permitem recargas rápidas (carga de oportunidade) durante o almoço, eliminando o antigo "vício" das baterias de chumbo.
| Equipamento | Marca | Destaque Tecnológico | Preço Médio (Est.) |
| Patriot 2550 | Agricase | Estação meteorológica e Auto Boom | R$ 1,5 milhão |
| Uniport 8030 | Jacto | Sistema Balance Control | R$ 1,3 milhão* |
| Linha T6 | New Holland | Válvula Planter (plantio a vácuo) | R$ 450 mil |
| Landini 175 | Landini | Sistema semi-eletrônico | R$ 600 mil |
| Puma 140 | Case IH | Visual repaginado (estilo Magnum) | R$ 600 mil |
| Princesa | Stara/Terra Forte | Articulação central para relevos | Sob consulta |
*Preço com desconto exclusivo da feira.
A 64ª ExpoLondrina deixou claro que o produtor que quiser sobreviver aos próximos ciclos terá que ser, acima de tudo, um gestor de dados. Seja com o trator 7630 (o famoso "pé de boi" que resiste desde 1993) ou com as colheitadeiras autônomas de última geração, a feira provou que a tecnologia embarcada não é mais luxo, é item de sobrevivência.