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Londrina EC prega cautela em 2026, mas sem deixar de comemorar 2025

24 dez 2025 às 10:45

O ano do Londrina foi positivo, mesmo que tenha sido mais um sem taças levantadas. Os dois principais objetivos alvicelestes para o ano foram a vaga de volta à Copa do Brasil e o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, ambos conquistados passo a passo, sem grandes sustos.


A temporada do Tubarão pode se resumir a isso: um time que passou confiança ao torcedor e que sempre mostrou que os objetivos estavam próximos de serem alcançados. No Campeonato Paranaense, bastava ser um dos semifinalistas, e isso foi conquistado sem que o time precisasse “suar sangue”, como é dito no jargão do futebol.


Na primeira fase do Estadual, o LEC jamais deixou o G4, posição que daria o direito de decidir a vaga em casa contra o adversário das quartas de final. O Tubarão então enfrentou o Cianorte, venceu a ida por 2 a 0 no Albino Turbay, e repetiu a vitória pelo mesmo placar no estádio do Café. O 4 a 0 no agregado levou o LEC de volta à Copa do Brasil.


No Campeonato Brasileiro da Série C, o trabalho feito, passo a passo, foi praticamente idêntico. O Tubarão ficou a maior parte da competição entre os quatro primeiros, mesmo que a classificação viesse já com o G8. Porém, o clube nunca abriu mão de ficar entre os quatro primeiros colocados, já que assim poderia fazer um possível jogo do acesso dentro de seus domínios no quadrangular final: dito e feito.


O LEC caiu no grupo do quadrangular com a oportunidade de fazer a última partida como mandante, e de forma que parecia até mesmo friamente calculada, mais uma vez jamais deixou a zona de classificação à Série B. Mesmo com a série de empates no Vitorino Gonçalves Dias (VGD), não perdia posição, até vencer duas vezes fora de casa no quadrangular, ao bater Caxias e Floresta, e justamente com um empate no VGD, diante do São Bernardo, em jogo que poderia até perder, tamanha a tranquilidade da reta final da equipe, conseguiu o acesso de volta à Série B após dois anos de ausência.

“Conquistamos os objetivos do ano. Óbvio que a gente queria o título, mas a gente não pode ser ingrato. Tivemos um ano com todas as metas desportivas cumpridas”, disse o executivo de futebol, Lucas Magalhães, após o fim da Série C.

Faltou o passo além

Se os dois objetivos do ano foram conquistados de forma calculada pelo clube, o que deixou a torcida em êxtase, faltou o passo além, o título, a coroa, ou a “cereja do bolo”. E isso ocorreu tanto no Campeonato Paranaense, quanto na Série C.


No Estadual, o time enfrentou o Operário na semifinal, venceu a ida em Ponta Grossa por 1 a 0, mas na volta, em pleno estádio do Café, perdeu por 2 a 1. Nos pênaltis, com vários garotos em campo, sucumbiu e viu o time dos Campos Gerais vencer e ficar com a vaga na decisão, posteriormente sendo campeão diante do Maringá.


Na Série C, o mundo do futebol se desenhou da mesma forma, agora na final contra a Ponte Preta, onde o Londrina chegou após terminar seu grupo do quadrangular como líder isolado. O time, mais uma vez, não teve força para o passo além. Empatou a ida, no VGD, por 0 a 0, e na volta, no Moisés Lucarelli, mesmo após segurar um empate na etapa inicial, tomou dois gols no segundo tempo e viu a Macaca se sagrar campeã nacional pela primeira vez.


                                                Foto: Rafael Martins / Londrina EC

E para 2026?

O próximo ano do Londrina tem objetivos sólidos e definidos pela diretoria do clube: voltar à semifinal do Campeonato Paranaense, o que mais uma vez daria a vaga na Copa do Brasil no próximo ano, e conseguir a permanência na Série B do Campeonato Brasileiro, sem correr grandes riscos.


Para isso, o Londrina vai contar com um orçamento maior do que teve nos dois primeiros anos da SAF, comandada pela Squadra Sports, empresa de Guilherme Bellintani. Em 2024 e 2025, o valor ficou entre R$ 12 milhões e R$ 13 milhões. Para o próximo ano, entretanto, será entre R$ 27 milhões e R$ 28 milhões. O LEC vai ultrapassar a folha mensal de R$ 1 milhão, alta historicamente para o clube, mas baixa em relação ao que se pratica atualmente na Série B, o que gera alguma preocupação.


“O mercado brasileiro ficou muito mais caro. Mas o mesmo jogador que ganhava R$ 100 mil por mês agora está ganhando o dobro ou o triplo. É o mesmo jogador. O futebol dele não qualificou, necessariamente”, admitiu Bellintani.


Além de atingir os objetivos, o LEC busca o passo além na temporada, e isso pode ser conquistado nos jogos de mata-mata da Copa do Brasil, em que o Tubarão ainda não sabe quem será o adversário de estreia. O próprio Guilherme Bellintani definiu que quer o LEC avançando o maior número de fases possível no torneio nacional, contando com a rentabilidade financeira da competição, mas também dando cancha no principal torneio de mata-mata do país.


Além disso, o passo além pode ser dado no próprio Campeonato Paranaense, em que o clube pretende brigar nas primeiras posições desde o início.


Entretanto, o foco não deixa de ser a Série B em momento algum e o clube quer se firmar no segundo escalão do futebol nacional pelos próximos três anos, mesmo que segundo o próprio Belllintani, se uma campanha surpreendente vier, “um acesso ninguém nega”, garantiu ele em entrevista recente.


“O Londrina tem que ter jogadores que queiram estar aqui. Isso faz toda a diferença para o nosso trabalho, para construção, para o modelo, para fazer um grande Paranaense, avançar na Copa do Brasil. Estou feliz por eles, é um começo de trabalho”, disse Roger Silva, que participou da construção do elenco para o próximo ano, mas que resolveu deixar o clube na reta final da pré-temporada para assumir o Sport Recife, que será rival do LEC na Série B.


CT, VGD e patrocínios

O Londrina vai começar o ano de 2026 ainda sem seu centro de treinamentos próprio. A obra, que começaria em outubro e teria o início da entrega entre março e abril, teve alguns atrasos por conta de trâmites burocráticos e agora só deve ter início em janeiro. A ideia é que os dois primeiros campos, que serão realizados para treinos, fiquem prontos até junho. Assim, o LEC poderia parar de usar o VGD como campo para treinamentos, dando descanso ao gramado que o time utiliza para jogos. O investimento será feito em três partes e a ideia é que a primeira parte seja encerrada por completo até o fim de 2026. Todas as partes do projeto podem ser encerradas até 2029.


Outro ponto em questão para a próxima temporada é o VGD. O estádio será a casa do Londrina na Série B e passa por uma troca completa no gramado para ter um piso melhor, já que na reta final o gramado foi alvo de críticas da comissão técnica e de jogadores, tanto adversários, quanto do próprio Tubarão. Até por isso, o time tem treinado e vai iniciar o Campeonato Paranaense no estádio do Café. A ideia é que o VGD seja utilizado para treinos até que ao menos o primeiro campo do CT seja entregue, mas há também a possibilidade de o LEC treinar em campos alternativos da cidade.


Por fim, um ponto de foco importante da diretoria do Londrina para 2026 é a busca por patrocínios locais. Bellintani deixou claro que o clube vai ter o tamanho que a cidade quiser, e isso passa pelo apoio ou não de empresas locais. Em 2025, empresas do ramo de academias, de assessoria financeira, cadeados, alimentação e supermercado estiveram estampadas na camisa do clube na temporada.


Porém, a diretoria admite que para a Série B a ideia é dar “um passo a mais” na questão financeira, pelos custos maiores que envolvem a segunda divisão nacional, e em contrapartida também pelo retorno midiático que uma Série B daria para essas empresas. O clube está em negociações com algumas delas, mas ainda não definiu acordos. O Londrina também pretende ter um patrocinador máster em 2026, algo que não teve no acesso à Série C. Outra ideia que pode ocorrer é ter uma casa de apostas em um dos espaços de patrocínios, o que o clube chegou a ter por alguns meses do ano, mas que se encerrou sem grandes explicações na reta final da Série C.


“Queremos fortalecer o clube. Construir nosso centro de treinamento, pagar as dívidas. Não queremos antecipar processos e colocar tudo a perder”, destacou Guilherme Bellintani.


                                                Foto: Rafael Martins / Londrina EC

Plano colocado em prática

Uma das principais ideias de Guilherme Bellintani para a Squadra Sports e para o Londrina era atrair ativos de grandes clubes brasileiros e que não teriam espaço nos principais times do país por conta da idade de base estourada, ou seja, jogadores entre 20 e 23 anos. E isso tem sido colocado em prática na pré-temporada. Estão no clube, em definitivo, atletas formados em equipes como Bahia, Cruzeiro, Fluminense, Flamengo, Ceará e Internacional. Por empréstimo, jogadores do Bragantino fecharam com o LEC. Com isso, o gestor consegue algo que projetava, mas que na Série C não tinha aval e pouco interesse por parte dos próprios atletas e seus empresários.


O Londrina então dará espaço para jogadores que estão buscando espaço no time profissional e que já tem como experiência o peso de terem vestido camisas de equipes do mais alto escalão do país. Com contratos definitivos, eles se tornam ativos visando futuras vendas. Com os empréstimos, o Londrina e a Squadra estreitam laços visando uma parceria futura pensando em divisão de direitos ou ao menos taxa de vitrine.


“A gente acredita que é um projeto de médio e longo prazo. A gente está plantando, e lá na frente a gente vai colher, com certeza”, seguiu Bellintani.

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