A pintura suave contrasta com a personalidade marcante da artista plástica carioca Marília Kranz, reconhecida internacionalmente por seu talento. Hoje, ela está em Curitiba para inaugurar a exposição "Construção Eros e Metafísica", que resume quase 40 anos de seu trabalho. A mostra poderá ser vista a partir das 19 horas no Museu de Arte Contemporânea (MAC).
É uma retrospectiva que reúne obras produzidas entre 1960 e 1996. São 19 óleos sobre tela, nove relevos, 11 desenhos, 18 estudos, seis gravuras em metal e duas esculturas, que revelam um pouco da brilhante trajetória da artista.
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Marília frequentou seu primeiro curso de pintura em 1954, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Seu aprendizado incluiu ainda passagens por vários ateliers, como o de pintura de Catarina Baratelli e de gravura de Eduardo Sued, além da Escola Nacional de Belas Artes e o curso de Educação Através da Arte, com Tom Hudson, no Cardiff College of Art, da Inglaterra.
Sua primeira exposição individual foi em 1968, na Galeria Oca. A primeira participação em mostra coletiva já tinha acontecido dois anos antes, no Salão Nacional de Arte Moderna.
Desde o início, Marília sempre desenhou muito: a lápis, carvão, pastel ou aquarela. Ainda hoje, utiliza como base de suas pinturas o desenho. A cor vem depois, definindo com maior precisão a forma e o espaço.
Na exposição "Construção Eros e Metafísica", a fase inicial do trabalho da artista está representada através de esboços, estudos, desenhos, cadernos e um pequeno conjunto de pinturas. Nas telas mais antigas que estarão expostas, o espectador percebe espaços amplos e profundos, característicos da paisagem carioca. Também estão na mostra flores, naturezas-mortas e algumas composições com figuras simplificadas.
Dona de traços marcantes e grande capacidade de síntese, Marília sempre evitou os excessos de cores e materiais. O despojamento formal, aliás, é uma de suas marcas registradas.
Além de sua brilhante contribuição ao panorama artístico brasileiro, Marília e suas convicções também fazem parte de vários capítulos da história do País. Foi presa política em 1971, devido a sua intensa luta contra a ditadura; batalhou pelos direitos da mulher bem antes do assunto se tornar pauta frequente na mídia, atuou na revolução de costumes dos anos 50 e sempre militou em prol dos direitos do cidadão.
Por estes e outros motivos, ganhou o apelido de "Leila Diniz das Artes Plásticas". Entre os seus muitos trabalhos artísticos espalhados pelo mundo, um deles está em Curitiba. É o painel frontal da Prefeitura Municipal, em cerâmica pintada, com 340 metros quadrados. Há também um painel em óleo sobre tela na Rockefeller Plaza, Quinta Avenida em Nova York. Uma de suas obras já foi vendida em leilão da Sotheby"s.
No exterior, expôs em várias cidades como Tóquio, Nova York, Quioto, Washington, Estocolmo e Cidade do México, entre outras.
Antes de chegar a Curitiba, a exposição "Construção Eros e Metafísica" já passou pelo Museu de Belas Artes, no Rio de Janeiro; pelo Palácio do Itamaraty, em Brasília; e pelo Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Aqui permanecerá até o dia 28 de março.
Serviço: A exposição "Construção, Eros e Metafísica", de Marília Kranz, será inaugurada hoje, às 18 horas, no Museu de Arte Contemporânea (Rua Emiliano Perneta, 29). A mostra poderá ser vista até o dia 28 de março.