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Senegalês é destaque em Recife

Antônio Mariano Júnior - Folha do Paraná
27 nov 2001 às 20:46

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Mão com unhas e dedos grossos. Um homenzarrão! Impossível para Soriba Kouyaté passar despercebido ainda mais depois que deixou em estado de graça a platéia que acompanhou sua apresentação na noite de sexta-feira, no Recife. E olha que as quase 15 mil pessoas lá presentes aguardavam ansiosamente por Rita Lee. Bastou o senegalês de 37 anos pegar o Kora (instrumento com uma grande cabaça de madeira e um braço com 21 cordas) e executar a primeira música para ganhar fortes aplausos.

Soriba preserva suas origens musicais. Porém, ao conhecer o mundo acrescentou elementos jazzístico à sua musicalidade. Não à toa que chamou a atenção de monstros sagrados da música universal com quem compartilhou palcos e estúdios. A lista, entre outros, inclui Peter Gabriel, Youssou N’dour, Dizzy Gillepsie, Salif Keita. A pouca fluência do francês, idioma com o qual se expressa quando longe de sua terra, e talvez o excesso de modéstia não deixam que o músico expresse melhor sua arte. "O que faço é música tradicional, mas até aceito que chame de jazz. Mas não jazz americano e, sim, jazz africano", diz ele. "A música está no meu sangue", complementa Soriba.

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E quando ele diz isso não está utilizando nenhuma metáfora. Soriba herdou a tradição do kora do pai, o mítico Mamadou Kouyaté. O instrumento, com sons ligeiramente semelhantes a uma harpa, caiu em suas mãos aos cinco anos. Tamanha afinidade e dedicação fez com que Mamadou, oito anos depois, fizesse a seguinte afirmação: "Soriba, de agora em diante você está pronto para tocar para todo mundo e irá me acompanhar no palco". E assim se fez.

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Soriba foi ganhando o mundo e, consequentemente, conhecendo outros músicos que o influenciaram profundamente, especialmente John Coltrane, Miles Davis, Duke Ellington e Charlie Mingus. Enfim, o jazz ajustou-se ao universo sonoro do músico senegalês que desenvolveu técnica própria e ganhou o repeito do mundo. "É amor o que sinto pela música", resume.


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