Começa nesta sexta nos Cinemas Maringá (anexo ao BIG) a "Semana do Cinema Nacional", que vai exibir cinco destaques da cinematografia brasileira. O título mais velho é o segundo trabalho de Walter Salles Jr. (junto com Daniela Thomas), "Terra Estrangeira", de 1995. O filme relata um dos momentos mais polêmicos do Brasil moderno: a era Collor, mais precisamente o seqüestro das cadernetas de poupança ordenado pela ministra da economia Zélia Cardoso. A partir disso, o personagem vivido por Fernando Alves Pinto (revelando-se ótimo ator) vai tentar a vida em Portugal, numa terra estrangeira onde a dor e a saudade serão constantes companheiros. "Terra Estrangeira", que não chegou a ser exibido em Maringá, volta às telas da cidade na mesma época do lançamento nacional de "Abril Despedaçado", novo trabalho de Walter Salles.
Outro filme da mostra é "Brava Gente Brasileira" (2000), de Lúcia Murat, que fala do choque entre duas culturas no Brasil de 1778: de um lado o português colonizador, deslumbrado e atormentado pela visão do novo mundo e de outro o povo indígena, que viu suas terras invadidas, suas tribos dizimadas e nem por isso se deu por vencido. Sem fazer a apologia do "Bom Selvagem", Murat narra um episódio polêmico sem os preconceitos (por uma parte ou por outra) que costumam permear a história "real" do Brasil. Com reconstituição de época e desempenhos marcantes de Leonardo Villar e Luciana Rigueira, "Brava Gente Brasileira" foi exibido em vários Festivais de Cinema no mundo e ganhou críticas respeitosas.
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"Lavoura Arcaica", de Luiz Fernando Carvalho, foi o acontecimento do ano 2001 nos cinemas brasileiros. Baseado na obra magnífica de Raduan Nassar, Carvalho fez um filme aclamado pela crítica como uma verdadeira obra-de-arte. O tema do filho pródigo às avessas é visitado no filme, cuja tensão é marcada pelo desejo do incesto, pela castração paterna, o amor materno, os laços de sangue, a fúria do desejo e tudo o que faz parte da natureza humana: combate e liberdade, visões e realidade. Ancorado por um elenco que instalou-se durante quatro meses numa fazenda do inteiror paulista, Carvalho fez seu filme fechado no mundo que queria retratar para ultrapassar a mera construção técnica e encontrar "uma fabulação, um sonho, com tamanha força de contaminar o escuro do cinema como uma peste", disse ele. Ao que parece, conseguiu.
Os demais filmes são dois dos grandes sucessos atuais do nosso cinema: "Bellini e a Esfinge" e "O Invador". O primeiro é baseado no romance policial do titã Tony Belloto, e foi dirigido por Roberto Santucci Filho. Fábio Assunção e Malu Mader (sempre uma mulher esplêndida) estão no elenco, numa trama que gira em torno da morte de uma prostituta. Com cenas de violência e sexo, esta estréia nacional faz parte de uma corrente cinematográfica que visa uma observação mais atenta para os problemas urbanos e, também, numa construção de um cinema policial brasileiro (cinema este um pouco desaparecido). É um dos grandes sucessos de público em São Paulo - onde foi filmado.
"O Invasor", que também acaba de ser lançado nos melhores cinemas brasileiros, segue a mesma linha urbana, violenta e feroz, revelando as mazelas, as contradições e as frustrações da sociedade brasileira. Terceiro longa de Beto Brant ("Matadores" e "Ação Entre Amigos"), "O Invasor" foi premiado em Sundance (festival dos independentes americanos) como o melhor filme latino do ano. Também recebeu prêmios em Brasília e elogios rasgados da crítica. Isso tudo porque Brant aposta num bom roteiro (baseado em Marçal Aquino) e num elenco que inclui Alexandre Borges, Marco Ricca, Mariana Ximenes e o também titã Paulo Milkos - que foi premiado como revelação em Brasília, em trabalho inesperado. A história diz respeito a dois sócios de uma empreiteira que querem ver eliminado o terceiro, contratando para isso um bandido chamado Anísio (Paulo Miklos). Depois do serviço pronto, o matador decide mudar de vida e atormentar a vida dos mandantes, transformando tudo à sua volta e tornando-se o invasor do título.
A "Semana do Cinema Nacional" fica em cartaz até dia 02 de maio e é uma oportunidade rara de se ver, de uma tacada só, cinco filmes brasileiros que chegam até Maringá através de uma iniciativa do Grupo Cinesystem (que inclui os Cinemas Maringá e Cinemas Aspen).
Serviço:
Semana do Cinema Nacional
Quando: 26 de abril a 2 de maio
Local: Cinemas Maringá (anexo ao BIG)
Horários: (Todos os dias)
"O Invasor" - 15h e 19h30
"Bellini e a Esfinge" - 17h e 21h20 horas
"Brava Gente Brasileira" - 15h e 17h
"Terra Estrangeira" - 19h20
"Lavoura Arcaica" - 21h20
Ingressos: (segunda, terça e quinta) inteira a R$ 4 reais e meia a R$ 2/ (sexta, sábado e feriado) inteira a R$ 5 e meia a R$ 2,50 (até as 17h)/ inteira a R$ 6 e meia a R$ 3 (depois das 17h)/(domingo) inteira a R$ 4 e meia a R$ 2 (até 17h)/inteira a R$ 6 reais e a R$ 3 reais (depois das 17:00 horas). * Pacote para todos os filmes a R$ 12,00 (Doze reais).
Confira a programação da semana dos cinemas em Maringá