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Teatro

Sai biografia de Cacilda Becker

Redação - Folha de Londrina
19 out 2002 às 16:35

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No intervalo de ''Esperando Godot'', de Samuel Beckett, a atriz Cacilda Becker sentiu-se mal. ''Estou tendo um derrame'', disse ela, pedindo um analgésico para abrandar a forte dor de cabeça. Não foi suficiente - incapaz de voltar para o segundo ato, Cacilda foi carregada nos braços pelo ator Líbero Ripoli Filho no meio da platéia do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde, naquela tarde de 6 de maio de 1969, ela se apresentava para estudantes secundaristas.

Vestindo as roupas rasgadas de seu personagem, Estragon, a atriz seguiu, em uma ambulância, para um hospital onde, depois de 39 dias de coma profundo, viria a morrer, aos 48 anos, vítima de aneurisma. Os últimos minutos daquela que ainda é considerada a maior atriz brasileira abrem, de forma impactante, o livro ''Cacilda Becker, Fúria Santa'' (Geração Editorial, 626 páginas, R$ 49), uma caudalosa pesquisa do jornalista Luís André do Prado, que será lançado na terça-feira, no TBC.

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São depoimentos dos que estavam no teatro naquele dia, desde nomes conhecidos, como o ator Walmor Chagas, então recém-separado de Cacilda e seu companheiro de palco na encenação de ''Esperando Godot'', até figuras desconhecidas da platéia, como a então estudante Maria Cristina Rodrigues Lopes. Apesar de contraditórios em determinados pontos, são relatos que compõem, como um quebra-cabeça, os tensos momentos finais da atriz antes de sair carregada do teatro.


''Foi uma solução para valorizar a importância da história oral'', conta Prado, que acumulou 135 horas de fitas gravadas com depoimentos de 250 pessoas. ''Também tive uma inspiração cinematográfica, valendo-me de minha experiência jornalística'', completa ele.


O livro exigiu dele um trabalho árduo, iniciado em 1994 e que ganhou força no ano seguinte, quando se sentiu atraído por um artigo de Sérgio Augusto sobre Cacilda, intitulado justamente ''Fúria Santa''. ''Desde aquele momento, sabia que aquele seria o título do livro'', conta Prado, que buscou retratar todas as qualidades e contradições humanas da atriz.

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*Leia mais na edição deste domingo da Folha de Londrina


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