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Quatro décadas de televisão no Paraná

Zeca Corrêa Leite - Folha do Paraná
29 mai 2001 às 10:31

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Dos 41 anos de televisão no Paraná, o jornalista Jamur Júnior acompanhou passo a passo cada uma dessas décadas. Ele não viu a história acontecendo na telinha em preto e branco, mas participou dela ajudando a construir seus pilares. Por insistência da mulher e da filha que cursa a faculdade de Jornalismo e se bate atrás de material sobre o assunto, Jamur deu-se por vencido: sentou em frente ao computador, puxou pela memória e escreveu "Pequena História de Grandes Talentos", livro que será lançado hoje, às 17 horas, na Assembléia Legislativa, contando 40 anos dessa trajetória.

Diz o autor que o título se justifica "porque é um resgate da memória da televisão e uma homenagem aos talentos que a fizeram numa época em que só era permitido mesmo o talento". Nesses idos - a partir de 1960 - não havia tecnologia nem espaço para o estrelismo. Os que ali estavam enfrentavam o touro a unha. Um capítulo especial traz a história da TV Coroados, de Londrina.

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"O camarada tinha de criar, de inventar, de improvisar, de descobrir os segredos da TV que era um bicho completamente desconhecido para todo mundo aqui". A primeira emissora a surgir no Paraná foi a TV Paranaense - Canal 12, em 28 de outubro de 1960. Jamur Júnior que a essas alturas já tinha experiência em várias rádios da capital foi convidado para compor o "cast" de apresentadores de notícias.


"Fui um dos primeiros", afirma. "O primeiro telejornal do Canal 12 foi o Repórter Real, às sete da noite, que era apresentado por Alcides Vasconcellos e às nove e pouco tinha um jornal, o Estado do Paraná na TV, que eu apresentava com Moacir Gouveia, Vasconcelos e Flávio Menghini. Isso num tempo sem vídeo tape, a TV em preto e branco, sem ilustração".

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Nessa época a televisão ainda engatinhava no Brasil. Ela existia há dez anos no Brasil, com o empreendimento de Assis Chateaubriand, que inaugurou a primeira estação em São Paulo. Os dez anos de diferença entre uma capital e outra davam cancha para a empresa das Associadas. Em Curitiba repetia-se o duro aprendizado.


O autor de "Pequena História de Grandes Talentos" explica que os noticiários de então eram "um jornal de rádio com imagens". Aquilo que se fazia nos estúdios radiofônicos, era refeito na televisão. "Tudo a mesma coisa: não tínhamos nem filme para ilustrar as matérias". As notícias levadas ao ar vinham de empresas, órgãos de imprensa e pelo teletipo. Não tinha equipe de reportagem para cobrir os acontecimentos.

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Aliás, nem tinha como captar imagens. Apareceram então algumas filmadoras mudas americanas "que eram um transtorno". "Para começar não tinha como revelar aqui em Curitiba, precisava mandar para São Paulo. Aí, quando voltava, era preciso metrificar, cortar, emendar... Era uma dificuldade", recorda jornalista.


Em dezembro desse mesmo ano a Rede Tupi inaugurou o Canal 6 - TV Paraná. Chegou com estrutura superior e contando com apoio do carro-chefe de São Paulo. "O jornal deles era melhor que o nosso, era mais profissional. O pessoal de São Paulo dando cursos, orientando o pessoal daqui". Enquanto isso a estação pioneira que nada sabia nada da arte "ia descobrindo a saída à medida que as coisas surgiam".

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Os horários de programação eram restritos, e os cartazes baseavam-se em filmes e programas locais. Os títulos dos filmes: "I Love Lucy", "Aventuras Submarinas", "Perry Mason". Eram produções feitas para a televisão americana, não passavam de meia-hora de duração. As produções locais, ao vivo, dividiam-se entre debates, entrevistas, curiosidades e programas infantis. O formato era praticamente o mesmo de hoje: apresentadores promoviam concursos, gincanas, e tinha os velhos desenhos animados do Picapau, Tom e Jerry.


Aos dias atuais pode parecer estranho, mas era natural para os profissionais do início dos anos 60 atuar em várias frentes. O apresentador do noticiário era o mesmo que comandava programa de variedades ou o animador de gincanas. O ecletismo era qualidade fundamental exigida dos funcionários. Exemplos é que não faltam ilustrando esses anos.

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Como havia peças de meia-hora adaptadas para teleteatros - ou teledramas -, certa vez com a falta de um ator, o diretor de TV, Renato Mazanni, não se deu por achado: defendeu o papel. Mas nem tudo terminava bem: uma garota-propaganda do Canal 6 decorou o texto dos Móveis Cimo, mas na hora de falar esqueceu completamente tudo. Arrasada, sentou na cama e começou a chorar.


Mais presença de espírito teve William Sade. Como o grito da moda era o sofá-cama, Sade foi escolhido para falar do produto e enfatizar que bastava um leve toque para transformar o sofá em cama. Bem que ele tentou, mas a peça emperrou e não teve outro jeito - o moço desculpou-se com o telespectador: "Esse aqui está estragado, mas o que está na fábrica é bom".

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Serviço: "Pequena História de Grandes Talentos - Os Primeiros Passos da Televisão no Paraná", de Jamur Júnior. Lannçamento hoje, às 17 horas, na Assembléia Legislativa. R$ 15,00.


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