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Pronto para as telas

Simone Mattos - Folha do Paraná
28 mai 2001 às 08:56

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Com a respeitável assinatura dos irmãos Schumann, acaba de ser concluída a comédia romântica "Onde Os Poetas Morrem Primeiro", que aborda as dificuldades dos relacionamentos humanos nas grandes metrópoles. Ainda sem data de lançamento, este é o primeiro longa-metragem a ficar pronto na lista de 24 filmes produzidos pela Associação de Vídeo e Cinema do Paraná (Avec) e que recentemente tiveram o apoio financeiro das secretarias da Cultura e da Comunicação para a fase de finalização.

"Onde os Poetas Morrem Primeiro" tem 90 minutos de duração e foi escrito, dirigido e produzido por Willy e Werner Schumann. A película é uma adaptação do livro "O Tribunal", do jornalista e escritor paulista Álvaro Faria.

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No início dos anos 80, Werner achou este livro num sebo e ficou fascinado pela narrativa cômica e poética ao mesmo tempo. Ele e Álvaro se encontraram pela primeira vez há 17 anos, em São Paulo, para conversar sobre a adaptação do livro para o cinema.


A este roteiro inicial foi anexado outro, uma comédia romântica intitulada "Um Cupido Passou Por Aqui", de autoria de Willy, irmão-gêmeo de Werner. O desafio maior foi juntar um filme poético com uma comédia romântica.

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Os cineastas ainda não têm a data de lançamento nacional e nem da pré-estréia do filme, mas já avisam que ele deverá participar de todos os festivais nacionais. "A principal intenção nossa nem é vencer, mas apenas exibir a fita para o grande público", explicam.


Com baixíssimo orçamento final, que não ultrapassou os R$ 300 mil (chamado de "ultra-low-budget"), o filme contou com o apoio do governo do Estado nos R$ 25 mil referentes a finalização da obra. Integralmente gravado em Curitiba, "Onde os Poetas Morrem Primeiro" tem todo o elenco formado por atores locais, com exceção apenas do americano Jeff Beech, que interpreta o personagem Peter Raymond, peça-chave da trama.

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A história gira em torno dos personagens Guido e Charlotte, vividos pelos atores Maíra Weber e Marcos de Góes, que rompem de modo agressivo um longo namoro de 12 anos. O pai da moça, interpretado por Ênio Carvalho, temendo pela saúde da filha vai tirar satisfações com Guido, um jovem escritor.


Ainda não costumado com a fama repentina de seu primeiro livro, além do término do namoro, o protagonista sofre também com a pressão de seu agente literário, que o força a entregar o seu novo livro na data prometida pelo contrato.

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Através da imaginação do escritor, o filme descreve o processo criativo de seu novo trabalho literário, onde o próprio Guido se vê como personagem de seu livro: um poeta envolvido em situações absurdas numa guerra e num tribunal. Todos os personagens que aparecem na obra, aliás, estão de alguma forma relacionados com as pessoas que cercam Guido.


Enquanto o escritor luta com suas crises pessoais, Charlotte tenta curar a depressão com novos relacionamentos. Primeiro, ela sai com Fabrício, um milionário super protegido pela mãe dominadora. Depois, conhece Caco e mais tarde Peter Raymond, um artista plástico americano.

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Numa discussão, ao ser chamada de prostituta, Charlotte quebra um vaso na cabeça dele. O suspense da trama começa quando, em desespero, ela chama a amiga Betti para se livrar do corpo e de qualquer vestígio do assassinato.


As filmagens foram realizadas no ano passado e contaram com mais de 100 figurantes. Este é um dos primeiros longas-metragens brasileiros de ficção produzidos com tecnologia digital. Ao todo, foram mais de 26 horas de filmagem em material bruto, o que rendeu 50 fitas. A edição é de Marcos Ferreira e, depois de montado, o filme foi transferido para 35 milímetros.

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O elenco conta ainda com Sílvia Monteiro, Danilo Avelleda, Emílio Pitta, Yara Marçal, Armando Maranhão, Paulo Friebe, Raquel Rizzo e Chico Nogueira, Fernando Klug, Regina Vogue e Luiz Paello, entre outros.


Os diretores paranaenses Werner e Willy Schumann pertencem à nova geração do cinema brasileiro. Começaram suas carreiras em meados dos anos 80, dirigindo produções independentes como os longas-metragens "Muiraquitã" e "Batem os Sinos Para os Jacobinos", além de documentários para televisão como "Ervilha da Fantasia", sobre a obra do poeta Paulo Leminski.

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Produziram e dirigiram vários filmes de curta-metragem além de comerciais, vídeo-clipes e programas de televisão. Com o curta-metragem "Volk" recebem o prêmio de Melhor Vídeo-Arte no Festival Curitiba Arte 06, exibido pela TV Cultura de São Paulo. Receberam também o prêmio estímulo da Concorrência Fiat do Brasil para a realização do documentário "De Bona-Caro Nome" com a participação do ator José Wilker.


Em 1994, ganharam o prêmio Estímulo do Governo do Paraná pela realização de "Pioneiros do Cinema", uma comédia que homenageia os cineastas pioneiros do Sul do Brasil. Com este telefilme, receberam também o Prêmio Tatu de Ouro de Melhor Ficção na 21º Jornada Internacional de Cinema da Bahia. A fita foi ainda exibida em rede nacional pelo canal de TV CNT.

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Quatro anos atrás, os irmãos dirigiram o curta-metragem "Trabalho de Parto", filme sobre dança e artes plásticas que integra o acervo do Centro Pompidou de Paris, na França. Em 1999, Willy protagonizou o filme "Aldeia", de Geraldo Pioli. Atualmente, Werner reside em Nova York.


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