"Inverno da Luz Vermelha", com direção de Monique Gardenberg e texto de Adam Rapp, é a estreia profissional em palco curitibano da atriz curitibana Marjorie Estiano.
Será também sua primeira participação no Festival de Teatro de Curitiba, do qual o espetáculo, protagonizado também por André Frateschi e Rafael Primot, faz parte. "Estou bem feliz em participar do Festival que sempre acompanhei e de voltar à minha cidade com um espetáculo do qual tenho muito orgulho", diz a atriz.
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"Marjorie sempre foi uma possibilidade na minha cabeça, na medida que a personagem canta. Minha dúvida era se conseguiria fazer uma personagem que entra numa área que ela não tinha experimentado, a do erotismo. Mas, para o bom ator não tem isso e foi um salto o que ela deu. É bonito ver a Marjorie diariamente, porque ela é de uma firmeza em cena absurda", avaliza a diretora, que divide a tarefa com Michele Matalon.
"A peça fala muito da solidão, mas de forma divertida e ao mesmo tempo traz à tona questões muito fundamentais da juventude, o que provoca uma reflexão sobre a nossa enorme vontade de ser amado e sobre todas as ilusões a que nos agarramos para achar que isso está de fato acontecendo", explica Monique.
Ao ser convidada para dirigir, ela recebeu o texto e um curta dirigido por Primot. "Fiquei encantada com o trabalho dele", lembra. Logo em seguida, aconteceu o primeiro encontro para a leitura do texto. "Em geral, texto lido deixa dúvidas se terá a força que precisa para ir para o palco, mas quando comecei a ouvir os diálogos eram de uma precisão tão grande, de um jogo tão forte que ficou evidente que podia ser algo realmente diferenciado", comenta a diretora, que foi atraída pelo "jogo de cena muito brutal e divertido e ao mesmo tempo, com temáticas e abordagens contemporâneas" do texto.
Monique retoma a direção teatral, depois de quatro anos, convencida de que para fazer teatro é preciso trabalhar com textos que lhe toquem profundamente – ou não vale o risco. "Teatro é muito o momento presente, em um instante de segundo você pode perder sua verdade. É fundamental que o texto esteja muito ligado a você", observa.
Em Inverno da Luz Vermelha isso acontece e fica evidente, mesmo que Monique seja uma pessoa de voz mansa e tranquila, o prazer que o trabalho lhe deu. "Foi um processo riquíssimo, o nível de troca fantástico e isso é muito gostoso, porque o diretor enxerga coisas, mas precisa que o ator traga suas próprias ideia, que se arrisque", diz. "Foi uma felicidade ter esses três atores. Porque é uma peça com um monte de armadilhas, se não fizer com critério absolutamente perfeito de interpretação, pode ir pra um lugar errado", avalia, comentando o perfil de cada personagem. "Eles conseguiram marcar as nuances de cada um, o que cada um aparenta ser e é de verdade. Ao trazer as diferenças deram densidade", conclui.
'Serviço':
DRAMA | SÃO PAULO-SP | Guairinha
Dias 6/04 às 21h, 7/04 às 22h | Ingressos: R$25 e R$50