Superar todos os desafios. Com esse ideal a Companhia Ballet de Londrina conseguiu criar uma nova proposta e montar o espetáculo "Eternamente". Entre os maiores obstáculos está o financeiro, mas o maior desafio foi a criação em conjunto. "Buscamos fazer a coreografia numa relação mais íntima com todo o grupo. A criação da música também ficou mais próxima de todos. É uma proposta nova, que tem tudo a ver com o cenário atual da Companhia, que completa 10 anos em 2003", conta Leonardo Ramos, diretor do Ballet de Londrina. Outro desafio para os bailarinos vai ser a busca pelo lado mais expressivo da dança, e, pela primeira vez na história da Companhia, todo o elenco vai dançar descalço. A estréia vai ser realizada no Circo Teatro Funcart, no dia 14 de junho, sexta-feira, a partir das 21h. Em Londrina, acontecem mais duas apresentações nos dias 15 e 16 de junho, também às 21h. A capacidade do teatro é de 200 lugares. Depois o espetáculo segue em turnê para Toledo, Cascavel, Ponta Grossa, Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Apesar de fazer parte de uma trilogia iniciada com o espetáculo "Nunca", em 2001, "Eternamente" não dá continuidade à obra, mas procura levantar uma discussão sobre a relação entre as pessoas. A idéia de "Eternamente", pode ser resumida em um trecho do escritor Jorge Luis Borges, citado no início do espetáculo "Nunca": "O passado é indestrutível. Cedo ou tarde as coisas voltam, e a primeira coisa que volta é o projeto de abolir o passado".
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"O espetáculo anterior, "Nunca" pregava a liberdade, novas descobertas, novas possibilidades, novos encontros. As cenas misturavam força e delicadeza, e mostravam um homem cheio de possibilidades, negando sempre o nunca. Já ‘Eternamente’ se contrapõe ao nunca mais, e constata que sempre vamos estar presos na repetição, mesmo na busca de algo novo. As coisas se repetem", explica Leonardo Ramos.
Para trabalhar com a perspectiva do eterno retorno, o diretor buscou na memória, a matéria para a sua produção. "Trabalhamos com a idéia do ser humano preso ao círculo vicioso de suas próprias lembranças, e com as diversas possibilidades da memória humana", diz o diretor. "Eternamente" é o espetáculo mais distante do trabalho do coreógrafo e dos bailarinos da Companhia, todos de formação clássica.
"É uma experiência que aproxima o bailarino do papel de intérprete e criador. Assim o trabalho passou a ser mais de direção do que de criação coreográfica", conta Leonardo Ramos. A primeira experiência do grupo neste formato foi a performance "Movimento", criada em 2001 a partir da obra do pintor americano Jackson Pollock, e a sua pintura de ação.
Outro desafio (e também um diferencial) de "Eternamente" é a cenografia, assinada por Regina Mello. "Foram colocadas chapas de raio X em três paredes do palco, o que dificultou a montagem da iluminação, mas o resultado ficou muito bom", se entusiasma o diretor, que conta com a assistência de Ana Aromatário na direção. A coordenação técnica é de Roberto Carlos Cunha da Rosa e a trilha sonora de Marco Tureta.
No elenco estão os bailarinos Aguinaldo Souza, Alessandra Menegazzo, Alysson Pedrão, Alexandro Micale, Luciana Lupi, Cláudio de Souza, Marciano Boletti, Marx Bruno, Patrícia Proscêncio, Raphael Panta, Viviane Terrenta e Wagner Rosa. A trilogia iniciada com "Nunca" deve ser encerrada no próximo ano com a montagem do espetáculo "Fome". "Nesta terceira e última parte vamos mostrar a sede pela transformação", adianta Leonardo Ramos.
Serviço:
Espetáculo "Eternamente"
Companhia Ballet de Londrina
Estréia: 14 de junho, sexta-feira
Em cartaz: 15 e 16 de junho (sábado e domingo)
Classificação etária: 16 anos
Local: Circo Teatro Funcart
Lotação: 200 lugares
Endereço: R. Souza Naves, 2380
Horário: 21h
Ingressos: R$ 6 ou R$ 3 (para estudantes, maiores de 65 anos e contribuintes da Funcart)
Telefone: (43) 342-7941