Shows & Eventos

Os artistas dos bastidores

19 mar 2001 às 08:54

Quem está nas (nem sempre) confortáveis poltronas dos teatros, muitas vezes não imagina a parafernália necessária para que o espetáculo aconteça. Luz, som, cenário e, só então, espetáculo. As coisas acontecem mais ou menos nessa ordem, mas o festival teve que percorrer um árduo caminho para encontrar pessoas que pudessem realizar toda essa mise-en-scŠne.

No início do festival, lembra o iluminador Beto Bruel, era preciso uma parceria com técnicos de São Paulo, já que Curitiba não oferecia mão-de-obra para montagem de luz. "Os técnicos foram se formando com o passar dos anos. Hoje, 100% da mão-de-obra é de Curitiba e Região Metropolitana", conta. Bruel, que assina a maior parte das produções curitibanas e desde 96 assumiu a prestação de serviços de iluminação das peças do FTC, diz que a formação de profissionais é um ponto positivo no festival. Mas deixa claro que interessados só têm uma escola para aprender: a prática.


O que significa que quem não está por perto da classe teatral, tem poucas chances de aprender o ofício. "O próprio festival deveria oferecer mais cursos profissionalizantes nessa área, pois faltam técnicos para montar a luz dos espetáculos", opina.


Este ano, 32 técnicos de luz vão atender as 130 peças do festival. Serão usados mais de 2 mil refletores nos espetáculos. Em um só dia, 1,5 mil refletores estarão acesos ao mesmo tempo. Até bem pouco tempo, o ex-proprietário de um lava-car Rogério Couto, 28, nem poderia imaginar que estaria coordenando toda essa parafernália. "Comecei no festival segurando escada, não sabia nem o que era uma extensão", brinca o agora técnico de luz. Hoje ele coordena a divisão de todo o equipamento e é categórico ao afirmar que "trabalho no festival não falta". Depois é outra história.


Essa trajetória é a mesma para as outras funções que envolvem o árduo caminho de uma montagem teatral. "A área está carente. O festival cresce e a mão-de-obra não acompanha", opina o responsável pela montagem cenográfica do evento Sérgio Richter. Ele assegura que o festival é extremamente dinâmico e que os grupos que vem de fora não querem saber se Curitiba tem ou não profissionais capacitados. "Eles querem ser atendidos", revela.

A dificuldade maior, conforme acredita o responsável pelo fornecimento dos equipamentos de som, João Cassemiro Correa, da empresa Dó Ré Mix, é formar equipes. "A profissão já é complicada, relacionada ao teatro é ainda pior". Ele explica que para atender todos os grupos e acompanhar as mudanças tecnológicas e tendências dos espetáculos é preciso criatividade e investimento. Este ano, serão usadas quase 400 caixas de som, cerca de 350 microfones e 50 aparelhos de CD. "Depois do festival, esse equipamento é guardado. Não existe demanda o resto do ano para utilizá-lo".


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