''Um espelho de mil faces, onde se multiplicam a diversidade cultural, o respeito à diferença, a liberdade do indivíduo, o diálogo, a imaginação, a criatividade''. É com esse conceito que a 36ª edição do Festival Internacional de Londrina (Filo) será aberta nesta quinta, no Cine-Teatro Ouro Verde. O espetáculo de abertura é ''O Segundo Sopro'', do Balé Teatro Guaíra, de Curitiba.
Com 65 apresentações de grupos do Brasil e do exterior, a programação do Filo 2003 busca mais uma vez refletir as múltiplas linguagens e experiências artísticas do cenário mundial. Além disso, apresenta 15 Projetos de Maio como canal para a valorização do acesso, da fruição e da produção dos bens culturais.
O lançamento do festival, ocorrido ontem durante coletiva à imprensa, reuniu pela primeira vez a direção do Filo e representantes do Estado, do município e da sociedade organizada. Estiveram presentes a diretora artística do festival, Nitis Jacon, presidente de honra do evento e representante do Governo do Estado; o secretário municipal da Cultura, Bernardo Pellegrini; a reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Pupatto; o coordenador geral do festival e presidente da Àmen (co-promotora do evento), Luiz Bertipaglia, o diretor técnico Fernando Jacon e o diretor da Casa de Cultura da UEL, Kennedy Piau.
Apesar de ter a grade de programação reduzida por causa da falta de recursos, o festival promete revelar ao público tendências mundiais da artes cênicas e apresentar bons espetáculos de teatro. Entre as 15 atrações internacionais há trabalhos de dança do Les Ballets C. de B., da Bélgica; uma superprodução a céu aberto do Lunatics, da França; bonecos para adultos com o Stuffed Puppet Theatre, da Holanda, e Green Ginger, da Inglaterra, e de teatro aliado a dança, música e acrobacia na co-produção das companhias Karlic Danza, Samarkanda Teatro e Teatro del Silencio (Espanha-Chile).
A produção brasileira está representada pela Armazém Companhia de Teatro (RJ) com ''Pessoas Invisíveis''; Oficcina Multimédia (MG) e a sua versão para ''A Casa de Bernarda Alba'', tragédia de Federico García Lorca; a atriz Berta Zemel (SP) no monólogo ''Anjo Duro'', sensação do Festival de Teatro de Curitiba em 2000, e a Cia. Carona de Teatro (SC) com a tragicomédia ''Os Camaradas'' - alguns dos destaques entre as 14 atrações nacionais.
Doze espetáculos londrinenses poderão ser vistos nas três semanas de festival. Pela primeira vez, a UEL - co-promotora do Filo - terá na programação cinco montagens produzidas na instituição. A relação com todos os participantes do festival pode ser conferida na página 2 e a programação completa, com dias e locais de apresentação, no site www.filo.art.br.
Este ano, algumas das atrações do Festival de Londrina também poderão ser vistas em outras quatro cidades brasileiras. O Filo estendeu suas parcerias com instituições de Maringá, Curitiba, São Paulo e Brasília (nessa última, acontece até o dia 25 a ''Mostra Satélite do Filo'', no Centro Cultural Banco do Brasil).
Um dos assuntos que se destacaram no lançamento do Filo 2003 foi a indefinição sobre a realização do Cabaré. O ponto de encontro do festival, que nos últimos anos tornou-se sensação por causa das atrações musicais, pode não estar na programação desse ano por falta de verba. Existe, sim, uma possibilidade de realizar o evento em um formato mais enxuto, ou seja, em apenas três noites. Para isso, seriam necessários cerca de R$ 150 mil - verba que ainda depende de patrocínio.
O 36º Festival Internacional de Londrina acontece até o dia 31 de maio, com apresentações em ruas, praças e em quatro salas: Cine-Teatro Ouro Verde, Teatro Zaqueu de Melo, Núcleo I e Alternativo (montado nas instalações da Casa de Cultura da UEL). No total, mais de 400 artistas e técnicos estarão circulando pela cidade nos dias do evento.