Os instrumentos musicais tradicionais da Península Ibérica são feitos com materiais facilmente encontrados na natureza e de uso doméstico. A história desses instrumentos foi mostrada pelo multinstrumentista Paco Díez, numa palestra na última quarta-feira e num concerto, na quinta, no Teatro do Paiol.
Segundo Díez, que é um incansável pesquisador da música ibérica e judaico-espanhola, os instrumentos usados na música brasileira têm muito daqueles construídos na Espanha e em Portugal. "E não só os instrumentos, mas alguns ritmos são similares, como o maracatu, do Recife, que lembra muito o brincao, do oeste da Espanha", reconhece. Esses instrumentos e ritmos têm ainda a rica herança de países do Norte da África.
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Díez conta que os instrumentos usados na Península Ibérica eram feitos de madeira, chifres de animais, bambus e até de cereais como cana-de-açúcar e centeio. "Os músicos eram bastante criativos e usavam a imaginação para compôr e acompanhar dançarinos. Utilizavam até objetos usados nas cozinhas tradicionais como pilão, as frigideiras de paella, dedal de costura, colheres e até tábuas de lavar roupas. Tudo isso em função da música e da expressão corporal", afirma.
O instrumentista trouxe para o Brasil - ele já esteve no Recife (PE) e em Florianópolis (SC) - 32 instrumentos tradicionais da Península Ibérica e também de origem judaico-espanhola. A apresentação desses instrumentos foi dividida em quatro grandes famílias: percussão com membranas, percussão, sopro e corda. Entre os instrumentos pode-se reconhecer as influências, principalmente, árabe e indiana.
No concerto, Díez usou ainda instrumentos melódicos como o realejo e a flauta de três furos. "Mas o que os ibéricos mais usam é a voz, que considero o instrumento tradicional mais importante de todos."
No Brasil, o multinstrumentista está entrando em contato com os instrumentos musicais usados aqui e reconhece que alguns são revolucionários e bem aperfeiçoados. "O Brasil é o país da percussão, até mesmo pela mistura de culturas", diz.