Uma peça que fala de ética, dos caminhos da humanidade e da condução que alguns homens dão ao mundo movidos pela frieza de raciocínio faz hoje sua estréia em Curitiba, dentro do 10º Festival de Teatro de Curitiba. "Copenhagen", com Oswaldo Mendes e Carlos Palma nos papéis dos cientistas Niels Bohr e Werner Heisenberg, abre o painel de debates sobre os tensos dias que antecederam à construção da bomba atômica. O espetáculo poderá ser visto hoje às 21h30 e amanhã às 21 horas, no Teatro da Reitoria.
O dramaturgo inglês Michael Frayn montou o texto ficcional a partir de um encontro histórico entre Bohr e Heisenberg, em 1941. Não se tem maiores conhecimentos daquilo que os dois homens discutiram e aí entra a trama de "Copenhagen": o autor dá vazão à imaginação para discutir temas que vão muito além das questões meramente científicas.
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"O espetáculo é uma forma de denunciarmos todo este estado de coisas que está por aí", comentou o diretor Marco Antonio Rodrigues, dias atrás para a Folha Dois. Por ser um trabalho denso que coloca no tablado o embate dos pensamentos, este não é o melhor programa para quem quer somente se divertir. Mas esse não é empecilho para o elenco e realizadores, como observou Rodrigues:
- A gente aposta na inteligência da platéia brasileira. Achamos que este paradigma de imbecilização que se criou nos obriga a criar outros paradigmas em paralelo. E há um público qualitativo e não quantitativo para este paralelo. Hoje temos um movimento de teatro muito forte que vai contra essa maré de barbárie e estupidez.
Serviço: "Copenhagen", de Michael Frayn, direção de Marco Antonio Rodrigues. Com Oswaldo Mendes, Carlos Palma e Selma Luchesi. Teatro da Reitoria (Rua XV de Novembro, 1299), hoje às 21h30 e amanhã, às 20 horas. Ingressos: R$ 20,00.