O monólogo encenado e dirigido por Carla Dyacov volta aos palcos londrinenses. A estréia foi há quase dois anos na casa da Sônia (nome da personagem), um espaço alugado e montado especialmente para a apresentação. O retorno será no T.O.U. - Teatro Obrigatório Universal, onde a peça fica em cartaz de 2 a 4 de novembro.
Com texto de Nelson Rodrigues, “Valsa nº 6” apresenta uma personagem que se descobre morta e interpreta vários personagens. É uma encenação intimista, onde a platéia interage com o espetáculo fazendo parte do cenário, o que limita o público a 40 pessoas por apresentação.
“Valsa nº 6” foi encenado pela primeira vez em julho de 1951, por Dulce Rodrigues, irmã de Nelson. Ele precisava de dinheiro e ela queria ser atriz. A idéia do texto surgiu quando Nelson estava em uma lanchonete localizada ao lado de um cinema. Estava em cartaz o filme “À noite sonhamos”, no qual Merle Oberon interpreta George Sand, moça apaixonada por um tuberculoso que tocava a Valsa nº 6 de Chopin. Nelson Rodrigues resolveu unir útil ao “desagradável” (como ele mesmo definia seu teatro) e escreveu o monólogo “Valsa nº 6”.
O “teatro desagradável” de Nelson Rodrigues ofende e humilha. A idéia é fazer a platéia sofrer tanto quanto a personagem e como se também fosse personagem. Segundo ele, o sofrimento cria a relação mágica na qual o espectador sobe ao palco e perde a noção da própria identidade.
Só depois de acabar a apresentação é que o público percebe a “distância crítica”, inventada por Brecht. Para Nelson Rodrigues, a grande vida do bom espetáculo só começa quando baixa o pano. “É o momento de fazer a meditação sobre o amor e a morte”, define.
Serviço:
“Valsa nº 6”
Data: 2 a 4 de novembro
Local: T.O.U. - Teatro Obrigatório Universal
Endereço: R. Rio Grande do Sul, 75
Horário: 22h
Ingressos: R$ 8 (normal) R$ 4 (estudantes, classe artística e aposentados)
Telefone: (43) 9995-7499 (Camila)