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Músicas anti-bélicas ganham mercado próprio

30 mar 2003 às 21:21

Mesmo com as principais emissoras de rádio evitando as canções polêmicas e as assessorias de imprensa de alguns artistas tentando abafar a controvérsia, o mercado das músicas anti-guerra está oficialmente formado. A rápida distribuição de manifestos isolados de nomes como Lenny Kravitz, R.E.M. e Beastie Boys impulsiona a produção de uma compilação chamada ''Peace Songs'' e de um web site que vai centralizar novas gravações políticas.

A organização War Child, que ajuda crianças em países afetados por guerras, está por trás do projeto ''Peace Songs'', que chega ao mercado americano em maio. O disco deve trazer uma mistura irregular de nomes famosos, como Paul McCartney, David Bowie, Céline Dion, Avril Lavigne, Cat Stevens, Barenaked Ladies e Bryan Adams.


Alguns vão gravar faixas originais: McCartney interrompeu os ensaios da turnê européia para produzir a música, cujo título ainda não foi divulgado, e Cat Stevens fez sua primeira canção pop desde que se converteu ao islamismo, nos anos 70. Outros vão apostar no cover: Avril Lavigne contribui com uma versão de ''Knockin' on Heaven's Door''. A pergunta é: será que ela sabe quem é Bob Dylan? O disco não foi feito para o conflito no Iraque: já estava previsto havia alguns meses.


Paralelamente, o guitarrista do Sonic Youth, Thurston Moore, acaba de lançar o ''selo'' virtual Protest Records (no endereço). A idéia é criar um espaço em que ''artistas, músicos e poetas possam expressar amor e liberdade em face à ganância, o sexismo, o racismo e a guerra''.


Já estão disponíveis faixas como ''In a World Gone Mad'' (recém-gravada pelos Beastie Boys, postada no site deles há poucos dias); ''Rockets'', de Cat Power; e um cover de ''Masters of War'', de Bob Dylan, gravada por Carla Bozulich. As músicas podem ser baixadas, copiadas e trocadas na internet sem nenhum custo. ''Só não venda para ninguém'', diz o site.


Nas últimas semanas chegaram à internet contribuições de R.E.M. (''The Last Straw'', postada no endereço http://www.remhq.com); Lenny Kravitz (''We Want Peace'', ); System of a Down (''Boom!'', ); e Green Day (''Life During Wartime'', ).


A internet vem sendo utilizada para promover as músicas principalmente porque as emissoras de rádio americanas não querem tocar canções anti-guerra. O incidente com as Dixie Chicks (que tiveram uma queda de 30% na execução de suas músicas depois de uma crítica ao presidente) vem impusionando inclusive a proliferação de programas pró-guerra, como o ''Rally for America'', da gigante ClearChannel.


Uma exceção é o novo single do Fleetwood Mac, ''Peacekeeper'', que vem tendo uma ótima recepção em todo o país. O grupo dos anos 70 continua com uma enorme base de fãs nos Estados Unidos, renovada com uma turnê de ''reunião'' em 1997.

Para tentar contornar o problema, a assessoria de imprensa de Madonna, por exemplo, está trabalhando duro para convencer o mercado de que ''American Life'' não é uma música anti-guerra. ''A música não é política em nenhuma forma'', diz Liz Rosenberg. ''O vídeo pode ter algum conteúdo político, mas eu ainda não assisti.''


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