Shows & Eventos

Mostra sobre a solidão inaugura espaço cultural em Curitiba

22 nov 2001 às 10:47

Mais do que uma coletânea de imagens, a mostra "Coletivo Solitário", do fotógrafo Ricardo Almeida, é um projeto social. Iniciada há quatro anos, e ainda sem previsão de conclusão, a exposição retrata presidiários, meninos em mocós, asilo de velhos, hospital psiquiátrico e pessoas utilizando o transporte coletivo.

"Vou passar o resto da minha vida trabalhando nesse projeto", conta entusiasmado. Uma parcial do trabalho poderá ser vista a partir desta quinta-feira, no Espaço Cultural da Faculdade Dr. Leocádio José Correia.


São 20 fotos em preto e branco que procuram detalhes, sinais captados pelo fotógrafo de uma maneira muito introspectiva. "Eu não gosto muito de cor. Acho que ela às vezes atrapalha a percepção de algumas coisas, portanto procuro trabalhar a questão do claro e do escuro, com muito preto e alguma coisa em branco", conta. "Assim, tento buscar a densidade desses ambientes que fotografo".


É neles que analisa os grupos sociais, principalmente os gerados de forma não espontânea, como os da mostra "Coletivo Solitário". O resultado, na opinião de Almeida, retrata o amadurecimento do fotógrafo e suas longas observações.


Natural do Estado de Santa Catarina e com 12 anos de fotojornalismo diário, Almeida desenvolveu vários outros trabalhos similares. Entre os temas sociais que sua câmera já focou estão o circo mambembe e os cemitérios da cidade, por exemplo. "Às vezes, a dificuldade em prosseguir um trabalho assim é financeira, já que sou eu que banco todos os custos".


O longo projeto "Coletivo Solitário" está longe de ser concluído. "Ainda nem comecei a fotografar os hospitais psiquiátricos e o transporte coletivo", conta. "Com certeza, vou levar a vida inteira fotografando esse projeto, já que a visão vai mudando muito e eu vou evoluindo como pessoa", justifica.


"Quando você trabalha com ensaio fotográfico, o envolvimento com o grupo é muito grande. Chega um momento em que as pessoas não te enxergam mais como fotógrafo, aí, é o momento em que não tiro, mas ganho fotos. As pessoas nos dão imagens. São como presentes que você vai recebendo do grupo. Esse é o grande projeto da minha vida", afirma.


A mostra "Coletivo Solitário" já fez parte da 2ª Bienal Internacional de Fotografia. As fotos dos presidiários, cerca de 80 imagens, também já fizeram parte de uma exposição exclusiva para os detentos da Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba. Nesta quinta, a coletânea inaugura a sala de exposições do Espaço Cultural Dr. Leocádio José Correia.

A exposição "Coletivo Solitário" ficará em cartaz desta quinta até o dia 9 de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 13 às 18 horas, no Espaço Cultural da Faculdade Dr. Leocádio José Correia (Rua Mateus Leme, 990, Centro). Mais informações pelo fone 41-352-2685.


Continue lendo