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"Madrugada" chega aos palcos norte-americanos

02 mar 2001 às 08:36

O espetáculo teatral "Madrugada", dirigido pela curitibana Dedé Pacheco e por Juliana Jardim, será apresentado amanhã no Seattle Fringe Theatre Festival, o mais antigo festival de fringe dos Estados Unidos. "Madrugada" será o primeiro espetáculo brasileiro nos festivais de Seattle e de Los Angeles, nos Estados Unidos. Em Seatle ocorrem uma encenação de rua e mais seis no teatro, entre os dias 8 e 18. A peça estreou em Curitiba, no Teatro do Paiol, em maio de 2000.

Este é o primeiro espetáculo da América do Sul a participar do festival desde seu início em 1989. De Seatle, "Madrugada" segue para o Los Angeles Women"s Theatre Festival, onde se apresenta na noite de abertura, dia 22. A peça retorna a São Paulo para duas apresentações na série Solos de Teatro no Sesc Ipiranga, dias 5 e 6 de abril de 2001.


No Los Angeles Women"s Theatre Festival, que vai de 22 a 25 de março, Juliana Jardim participa com uma performance de "Madrugada". Juliana é a primeira atriz brasileira a participar desse Festival de Performers Femininos, que tem o ator Danny Glover como apresentador.


"Madrugada" é um jogo cômico. A atriz e autora Juliana Jardim criou a peça a partir dos treinos com as máscaras do Palhaço e do Bufão, e toda a dramaturgia surgiu durante os ensaios. Durante a peça, a atriz que parte e retorna à cama, revelando a heróica trajetória cotidiana de todos nós, relaciona-se com a platéia contando a vida da protagonista Madrugada - simbolicamente batizada com o nome do período mais solitário do dia -, enquanto percorre diversos estados dessa personagem (velhice, infância, Madrugada travestida de homem, sua melhor amiga - Argentina, entre outros).


Durante suas curtas temporadas no Brasil, "Madrugada" revelou-se bastante empática com a platéia, que sempre participou espontâneamente durante as apresentações. "Do começo ao fim, falo diretamente com a platéia e peço, ao final, que o público cante para que eu durma. Todas as noites tive a deliciosa alegria de encerrar a peça sendo ninada pela platéia. Isso confirma a conexão que a peça tem, do começo ao fim, com a platéia, além de revelar a possibilidade, cada vez maior, de que essa interação ocorra sem imposição, mas por necessidade e desejo de palco e platéia", confere Juliana Jardim.


Segundo ela, o teatro precisa voltar a incluir o espectador. "O sujeito, hoje em dia, corre muitos riscos para estar num teatro, além de ter de desembolsar quantia considerável. Por que dar somente a ele mais um dia de televisão? Se o teatro pode oferecer a possibilidade de conexão e relação, por que não fazê-lo? No mínimo, o público deve saber que está sendo considerado, notado, percebido. Se pudermos ir além, com generosidade e delicadeza, vamos", festeja Juliana.


Nos Estados Unidos, "Madrugada" será feita em três versões: em Seattle, quatro apresentações da versão original em Inglês, com uma hora de duração, e duas totalmente em Português. Em Los Angeles, por se tratar de um festival de performers, com quatro apresentações diferentes por noite, haverá uma apresentação, toda em Inglês, com 30 minutos de duração. Será uma performance criada a partir de "Madrugada", com a exclusão total de algumas cenas e manutenção de outras, com alterações. Todas as apresentações no exterior ocorrerão, pela primeira vez, com percussão ao vivo. Serão três novas estréias, já que a trilha executada no Brasil era toda mecânica.


A peça já esteve no teatro Lume, em Campinas (SP), em setembro de 2000, e fez temporada em São Paulo, no Teatro Crowne Plaza, em novembro e dezembro de 2000. No ano passado, o Seattle Fringe teve 18,9 mil pessoas em suas platéias e por ele já passaram mais de 400 espetáculos, em sua maioria dos Estados Unidos e Canadá.


Atriz, pesquisadora e professora de teatro, Juliana Jardim, atuou em mais de 20 espetáculos teatrais, entre os quais "Esperando Godot", de Samuel Beckett, convidado para o Festival Internacional de Londrina de 1996, "Péricles" e "Príncipe de Tiro", de W. Shakespeare, dirigido por Ulysses Cruz, "É o fim do mundo!", ganhador da Jornada Sesc de Teatro (SP), em 1995.

Por sua vez, Dedé Pacheco, é diretora e professora de teatro, dirigiu diversos espetáculos, entre os quais destacam-se "Free Play", levado ao Festival de Curitiba 2000, "Aliciar" e "Lactolove", ambos em temporadas paulistanas. Foi assistente de direção de Marco Nanini em "O médico e o monstro". Professora de teatro em Curitiba desde 1998, desenvolve cursos de jogos teatrais, texto e jogo e improvisação.


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