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Luis Melo acredita que festivais ainda precisam crescer

19 mar 2001 às 10:32

O ator Luis Melo, que esteve no Festival de Teatro de Curitiba em "Nova Velha História", como um inesquecível Lobo Mau, prisioneiro de Chapeuzinho Vermelho, em "Veredas da Salvação" e no comovente monólogo "Nijinsky", é da opinião que os festivais de teatro brasileiros, incluindo obviamente o de Curitiba, são ainda muito novos, falta o peso dos anos para lhes dar feição com uma personalidade acabada.

- A importância maior que vejo nesses eventos é a criação de público para teatro e a criação de referenciais dos mais diversos possíveis para que o público consiga ter, através desse panorama, uma opinião a respeito das diversas formas de se fazer teatro e perceber, num senso crítico, aquilo que está indo assistir.


Melo afirma que dá para sentir uma evolução no crescimento do público para essa arte, mas ainda é necessário um trabalho direcionado especialmente à produção local, para que as platéias apoiem os espetáculos realizados no transcorrer do ano e não compareçam somente nos dez dias de festival, atendendo ao apelo de um modismo fugaz.


Assim como uma peça está para o artista, suscetível a críticas boas e más, o mesmo ocorre com o Festival de Teatro de Curitiba que tanto pode acertar como errar em suas edições. "Não existe uma fórmula concreta, você está trabalhando com arte", comenta o ator.


Luis Melo não vê importância alguma num evento que se situa apenas para incrementar o calendário artístico-cultural. É preciso ir além, influir na comunidade. "Essa é a função do festival", diz. "Existem pitadas, existem caminhos, há uma efervescência durante o festival, mas os resultados por esses dez anos ainda não se aconteceram".


Um exemplo de como a comunidade pode se beneficiar e alterar seu perfil é o grande festival de teatro de Hedimburgo que, aliás, inspirou a criação do Fringe no FTC. A partir dele a Bélgica despertou-se para a dança contemporânea e hoje é uma referência internacional nessa arte.


Em sua avaliação o ator coloca como elemento de vital importância neste contexto a participação da classe artística. Através dela é que será possível "fomentar e tornar Curitiba um celeiro de criação e não apenas local de amostragem de teatro". Dividindo seu tempo entre a escola que inaugurou este ano e o Rio de Janeiro, Melo está mais enfronhado com a vida cultural da cidade. Daí suas considerações que enfeixam o papel do FTC e da comunidade teatral como um todo:

- Uma das coisas que observo em Curitiba é que muitas vezes a própria classe não prestigia ou não comparece aos eventos. Já fui a alguns, como por exemplo o de dança com Marila Andreazza, sobre a dramaturgia do corpo. Evento maravilhoso sobre a tendência da dança contemporânea, do bailarino criar a própria dramaturgia do corpo. Teve muito pouca gente de dança, de teatro, de artes do Paraná. Às vezes sinto isso também no Festival de Teatro de Curitiba: a própria classe artística não o frequenta. Tudo bem, quando você vai aos espetáculos se sujeita a assistir coisas muito boas ou muito ruins, mas muitas vezes sinalizam-se caminhos diferentes. Acho que tanto a organização do festival como a própria classe tem que confiar e arriscar mais.


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