"O ator tem que se responsabilizar pela peça em que está atuando. É preciso se livrar da idéia de que o diretor é a autoridade absoluta de um espetáculo porque isso empobrece o trabalho cênico". Com este pensamento, o diretor César Almeida desenvolve um trabalho diferenciado entre a classe artística de Curitiba. Quem assistiu sua última peça, "Ardor", em cartaz no Miniauditório do Teatro Guaíra, pôde perceber que a atuação do elenco era bastante espontânea.
Fabiano Amorim, um dos protagonistas, confirma a impressão. "César Almeida dá bastante liberdade para os atores. Escolhemos o figurino de cada apresentação e não há muita rigidez quanto ao texto. Podemos criar novos diálogos, contanto que não fujam do conceito da peça", revela Fabiano, deixando a entender que há bastate liberdade, mas sem anarquia. Muitas vezes, um ator chama o outro pelo próprio nome, em vez do personagem. O diretor não vê o menor problema nisso. "Iludir o espectador é uma característica do cinema. No teatro não tem disso. O que o público vê no palco é real", defende.
"Ardor" voltou em cartaz no Mini Guaíra após uma bem sucedida temporada de um mês no final do ano passado. Baseada em um fato real ocorrido em Curitiba no ano de 1990, a história pode ser definida como uma tragédia GLS. Um casal de homosexuais se envolve em um triângulo amoroso complicado, que quase chega a ser quadrilátero. A perda do controle emocional leva um dos parceiros a cometer um crime.
Um fato curioso é que o diretor conhecia o casal da história. Ele até participa de uma cena, que remonta a última vez que os viu. É justamente nesta etapa do espetáculo em que há uma pausa para reflexão, em que César Almeida lê seu manifesto para um novo teatro. "O texto levanta questões sobre a produção teatral de Curitiba, que precisa realizar obras compatíveis com o nosso tempo, sem usar fórmulas esgotadas. É uma provocação para que se faça um teatro contemporâneo, sem as repetição de clichês", argumenta.
Esta cena exemplifica uma característica de seus trabalhos: desenvolver ficção a partir da realidade. "Em minhas peças anteriores eu fiz o caminho inverso: buscava textos literários de ficção para chegar a um resultado que tivesse relação com a minha realidade". Entre estes trabalhos passados estão "Hamlet Trash" e "As Lágrimas Ressuscitadas de Dorian C.", realizados pelo Grupo de Teatro e Dança da Rainha de Duas Cabeças S/C Ltda. A pessoalidade está estampada em seu currículo. "Não consigo dirigir textos de terceiros. Sempre enceno meus próprios textos. Pode-se dizer que faço um um trabalho de autoria", finaliza.
Serviço:
Ardor
Direção de César Almeida
Elenco: Fabiano Amorin, Glauco Menta, Guta Borges, César Almeida, e Carla Rodrigues
Datas: de quinta a domingo, entre os dias 22 de fevereiro e 03 de março
Horário: 21h
Local: Teatro Guaíra - Auditório Glauco Flores de Sá Brito (Mini Guaíra)
Endereço: Praça Santos Andrade, entrada pela Rua Alfredo Bufren
Ingressos: R$ 10 (inteira), e R$ 5 (bônus, classe artística, estudantes, e maiores de 60 anos)
Informações: (41) 322-8191
E-mail:tguaira@pr.gov.br
Site: www.teatroguaira.pr.gov.br