O Kid Abelha desembarca em Londrina nesta sexta-feira (16) para mais um show da turnê de 30 anos do grupo, a partir das 21h no Teatro Marista.
Em entrevista por e-mail, George Israel fala sobre o início de carreira, os momentos mais marcantes da banda nestes 30 anos e o rótulo de banda 'pop descartável'. Confira:
Que lembrança vocês têm do primeiro show oficial do kid Abelha?
Era um sábado, terceira semana do Circo Voador na Lapa. Abrimos para Jards Macalé . Como a musica Distração já tocava na radio Fluminense, algumas pessoas estavam lá para nos ver. ´Rramos uma banda new wave com uma concepção diferente de pop-rock, diferente das bandas de rock. De qualquer maneira, felizes por tocar num palco bacana e um lugar lotado. Tenho orgulho de ter começado por lá, o palco mais democrático e aglutinador do Rio.
Como vocês recebiam as críticas de que o Kid Abelha fazia pop descartável? Teve algum trauma ou rancor na época ou vocês levaram na boa?
Todo mundo gosta de reconhecimento, demoramos para conquistá-lo na imprensa por exemplo, mas hoje vejo que o que fica, não são as críticas e sim as canções. Lembro claramente, no começo da carreira, do dia que detonaram um disco numa critica de jornal em São Paulo; e nosso show lá na mesma noite estava lotado e todo mundo cantando as músicas. A partir do "Tomate" e principalmente do "Kid" começamos a receber boas críticas. Coincidentemente foram discos que tocaram menos na rádio...(risos).
Fazendo um balanço dos 30 anos de trajetória, quais foram os momentos mais importantes da banda?
Os dois Rock in Rio, a gravação e turnê do acústico, o show do CD Tomate no
Maracanazinho. O sucesso de Amanhã é 23, primeira parceria minha com a Paula e que marcou a continuidade do Kid mesmo com a saída do Leoni.
Cada musica que tocou na radio, era comemorada também. É nosso maior patrimônio.
Como a crise da indústria fonográfica afetou a banda ? O que vocês fazem hoje que não faziam antes, seja durante o processo de gravação de discos ou de produção ou agendamento de shows?
Acho que a crise chegou num momento da nossa carreira em que isso não interferiu tanto; continuamos lotando os shows e nosso CD acústico vendeu 1.300.000 copias; talvez tenhamos sido dos últimos artistas a vender mais de um milhão de copias. Mas acho que a gravação de discos de musicas inéditas ficaram muito prejudicadas; as gravadoras só querem saber de projetos.
O Kid Abelha tem seguidores no pop nacional? Quais bandas poderiam ser consideradas influenciadas pelo som de vocês?
Acho que o pop-rock no formato de banda deu uma sumida. O rock que ficou pop pega mais o segmento adolescente, ou foi reprocessado pelo sertanejo universitário. Sempre mais para produto do que discos feitos com critérios mais artísticos. (Colaborou Nelson Sato, da Folha de Londrina)