No rastro da recente, revolucionária e original visão-homenagem idealizada por Baz Luhrmann no filme-instalação ''Moulin Rouge'', o musical insiste mais uma vez em recapturar a popularidade da era dourada de Gene Kelly e Fred Astaire, que atingiu o nível máximo de maturidade com ''Amor Sublime Amor'', ''Hair'' e ''Cabaret'' nos anos 60 e 70.
Agora é a vez de ''Chicago'' se colocar como prestigiosa alavanca para o processo de resgate do gênero, cercado de muita expectativa a partir da sólida performance de marketing que resultou em uma dúzia de indicações para o Oscar que será entregue no dia 23.
Baseado no livro homônimo escrito em 1926 por Maurine Dallas Watkins e na montagem de Bob Fosse, John Kander e Fred Ebb, ''Chicago'' é a história de Roxie Hart (Renée Zellweger), medíocre aspirante a estrela que mata o amante enganador e convence o patético marido Amos (John C. Reilly) a contratar o inescrupuloso advogado Billy Flynn (Richard Gere) para que a defenda.
Enquanto isso, na prisão, Roxie ganha os favores da supervisora Mama Morton (Queen Latifah) e o ódio crescente da detenta Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), uma diva caída em desgraça depois de assassinar a irmã e o marido pegos em flagrante. As duas presas, famintas de fama, fazem o impossível para obter a liberdade e brilhar como artistas.
Por tudo que se vê sem nenhum enfado por quase duas horas, mas também imaginando que certas ambições iniciais foram ficando pelo caminho, é prudente catalogar ''Chicago'' como um filme satisfatório mas não imprescindível, dinâmico mas não vibrante, correto mas nunca genial. Para a Academia de Hollywood, que adora celebrar a si mesmo e cultiva suas memórias com carinho, o melhor filme do ano deve ser mesmo ''Chicago''.
Leia a crítica completa de Carlos Eduardo Lourenço Jorge na Folha de Londrina desta sexta-feira
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