Se fosse vivo ainda o artista-pintor paranaense Theodoro De Bona estaria feliz com a homenagem a seu centenário que o Clube Curitibano está lhe prestando.
A alegria de De Bona seria porque está sendo reconhecido por obras suas já acabadas, penduradas em paredes e não como o que lhe aconteceu nos últimos anos de vida (ele morreu em 1990) quando ele vendia seus quadros antes mesmo de pintá-los.
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‘Uma coisa que entristecia muito De Bona em seus últimos anos de vida era o fato de as galerias de arte comprarem e pagarem por suas obras antes mesmo dele pintá-las. Ele dizia que não estavam comprando sua obra e sim seu nome’, conta a crítica de arte Maria Cecília Araújo Noronha.
A tristeza que afetou o artista nos últimos anos de vida era uma característica de quem realmente tinha a arte no sangue e na alma. Nascido em Morretes em 1904, ele é um dos grandes nomes da arte paranaense.
Foi pintor e professor e mais do que isso. Seu engajamento com a arte ajudou a criar escola, ao contrário das rupturas que aconteciam nas primeiras décadas do século passado quando sempre que surgiam novos estilos rompia-se com o passado.
Depois de ter começado a estudar em Curitiba com o mestre norueguês Alfredo Andersen, De Bona conseguiu uma bolsa de estudos e seguiu para a Itália. Lá foi aluno de Ettore Tito e Vincenzo Stefani na Real Academia de Belas Artes de Veneza, onde ficou por dez anos sobrevivendo com sua própria arte.
Participou de várias mostras importantes em Florença, Roma e Veneza - inclusive da Biennale de 1930-1934. Entrou para o Grupo di Ca Pesaro, com artistas de linguagem renovadora, como Santomaso. Ainda na Itália em 1934, ao participar de um concurso promovido pela rainha sobre a Guerra de 1914, De Bona ficou entre os 48 finalistas, entre 898 pintores. Esse seu trabalho está na cidade de Longaroni.
Em outro bom momento na XVII Bienal de Veneza, o próprio rei da Itália adquiriu a tela sobre óleo ‘Paese sotto la neve’. ‘De Bona mudou o conceito de arte no Paraná. Criou um novo espaço, não rupturas’, conta Maria Cecília ao se referir à exposição de 120 quadros que o artista fez no próprio Clube Curitibano em 1937 quando chegou de Veneza.
Em 1940, De Bona partiu para o Rio de Janeiro e lá viveu anos. Pintou tipos populares, favelas, e ganhou alguns prêmios também. Durante esse tempo recebeu uma encomenda do governo paranaense e pintou dois painéis históricos que podem ser admirados no Palácio Iguaçu e no Colégio Estadual.
Ao retornar ao Paraná assumiu as cadeiras de Desenho Artístico e Pintura da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Mais tarde foi diretor da entidade de 1970 a 1974. De Bona foi artista de todos os gêneros, mas sua marca ficou impressa como paisagista e pintor de figuras.
Quem quiser entender um pouco da personalidade apaixonada de artista através de suas obras pode fazer um tour por esse locais públicos (Palácio Iguaçu e Colégio Estadual do Paraná) e ainda ir até a Pinacoteca do Clube Curitibano até o dia 9 de julho. Lá estão cerca de 20 obras do artista.
Além desse locais haveríamos de encontrar o Museu Theodoro De Bona que atualmente só existe no papel. Suas obras estão espalhadas entre colecionadores e sabe-se lá mais aonde, já que o espaço onde deveria funcionar o museu (rua Carlos Cavalcanti, 1.184) está fechado.
Serivço:
Exposição de 20 obras do pintor Theodoro De Bona
Data: de 24 de junho até até 9 de julho
Local: Clube Curitibano
Endereço: Avenida Getúlio Vargas, 2.857