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Desenhos fora de ordem

Katia Michelle - Folha do Paraná
19 set 2001 às 12:59

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Apenas um papel e uma caneta. Nem é preciso ter uma idéia na cabeça para produzir uma obra de arte. Ela acontece, ao acaso do caos (ou da ordem). É o que defende o projeto instalação do artista plástico e publicitário Cassiano Pires. Ele concebeu a "Caixa Lausac - Desenho, Vídeo, Acaso e Coletividade", uma cápsula desmontável que capta desenhos coletivos e os transforma em uma única obra, a partir de interferências distintas e inúmeras. Parece difícil acreditar que um emaranhado de riscos feitos ao acaso possam ter algum valor artístico, belo ou reflexivo. Mas é exatamente esse o objetivo de Pires com a caixa, que vai estar instalada hoje no bar, restaurante e espaço cultural Don Trajano, em Curitiba.
Com o projeto, o artista quer provar que é possível fazer arte ao acaso e de maneira coletiva. Dá espaço para a discussão sobre o que é arte no mundo contemporâneo e aproxima o público do processo de produção de uma obra de arte. A instalação da caixa segue um cronograma itinerante em centros culturais, ruas, bares, presídios e outros espaços. "Estou mapeando as atividades para ver até que ponto o meio interfere na produção artística", explica Pires.
A instalação de hoje abre a mostra dos coletivos que resultaram do projeto Caixa Lausac. Trata-se de uma caixa de madeira e ferro, onde se encontram ingredientes básicos: papel e caneta. Os objetos ficam dispostos sobre umma mesa de vidro, embaixo dela, há uma câmera de vídeo que capta o desenho e o projeta simultaneamente em uma tela. Assim que a caneta encosta no papel, está dada a largada do que será uma obra de arte. Fácil, seguro e – para se enquadrar aos moldes contemporâneos – produzido com rapidez.
A idéia do projeto surgiu quando Pires concluia a Faculdade de Artes do Paraná, há dois anos. Ele fundamenta a Caixa Lausac como um pesquisa que visa a coleta e análise de dados para refletir sobre a linguagem visual e seu papel nas diferentes culturas. "Ao mesmo tempo que pesquisa, a caixa tenta devolver às pessoas o prazer primitivo do desenho, mostrando que a expressão do indivíduo não é nada sem a coletividade".
O objetivo, conta Pires, é diversificar os locais de instalação para obter o maior número de participações possíveis. O resultado vai se transformar em vídeo documentário e livro. "A proposta é avaliar o códigos e sinais de cada classe social e culturas geograficamente distintas e refletir sobre a legitimidade da produção artística contemporânea atual".
A Caixa Lausac fica em atividade apenas hoje, quando abre a exposição dos resultados do trabalho. São 12 painéis com as obras que retratam as participação no projeto de pesquisa. A exposição fica aberta até o dia 09 de outubro.
A Caixa Lausac, Desenho, Vídeo, Acaso e Coletividade. Projeto instalação de Cassiano Pires. Abertura hoje, às 20 horas, no Don Trajano (Rua Trajano Reis, 147), em Curitiba.
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