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Conheça o mestre da fotografia no PR que largou tudo para viver no mato

12 mar 2003 às 10:08

Ele fez o que muita gente já pensou em fazer pelo menos uma vez na vida: deixou o trabalho, os amigos, destruiu todos os seus documentos e foi morar no meio do mato. Para resumir bem, foi isso que Jesus Santoro, um dos mais expressivos fotógrafos que já passaram pelo Paraná, fez há pouco mais de uma década. Hoje, aos 78 anos, voltou à Curitiba para um tratamento de saúde.

O Museu da Imagem e do Som (MIS), que guarda grande parte do acervo fotográfico de Santoro, aproveitou a sua passagem pela cidade para gravar um depoimento com ele. No registro, que ainda não tem data para ser mostrado ao público, o fotógrafo conta parte de sua curiosa história.


Santoro conviveu com a nata intelectual de Curitiba, em plena efervescência cultural da cidade, entre as décadas de 50 e 70. Era amigo de Poty Lazarotto, Miguel Bakun, Wilson Martins e Marcel Leite, para citar alguns. Aprendeu fotografia no seminário, com um padre francês. Foi lá também que aprendeu a falar latim, francês, russo e começou a dar os primeiros passos na arte culinária. Já era um jovem culto quando chegou na cidade, aos 20 e poucos anos.


Foi quando conheceu o também fotógrafo Franciso Kava, já morto, com quem montou a Prisma Realizações, uma das primeiras empresas fotográficas e de publicidade em Curitiba. A Prisma se tornou uma espécie de ponto de encontro para os artistas da época e referência para o trabalho nessa área em todo o Estado. ''Quem se interessava por cinema e fotografia, parava por ali'', conta o fotógrafo Nego Miranda, um dos frequentadores assíduos do local. Além de registrar boa parte da vida política do Paraná, a Prisma fazia a montagem de filmes institucionais e documentários. Santoro chegou a participar do filme ''Moradas'', de Silvio Back, atuando como diretor de fotografia.


''Ele também ensinou a maioria dos fotógrafos que hoje atua em Curitiba'', revela o fotógrafo João Urban que por muitas vezes utilizou o laboratório de Santoro. Nas cerca de três décadas que Jesus Santoro trabalhou como fotógrafo, ele reuniu um acervo gigantesco, composto por fotos de cidades paranaenses; manifestações folclóricas; personalidades; indústrias; estradas; plantações e festas religiosas no interior do Estado. No final dos anos 80, Santoro doou parte desse acervo cerca de 15 mil negativos em acetato para o Museu da Imagem e do Som. Os outros milhares de negativos se perderam no tempo. Quando questionado sobre o material no depoimento que gravou, Santoro diz ''devem estar por aí''.

Saiba mais sobre Santoro na reportagem de Kátia Michelle na edição desta quarta-feira da Folha de Londrina


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