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Começa o Festival de Teatro

22 mar 2001 às 11:22

E as cortinas se abrem. A partir de hoje, 25 espaços convencionais da cidade serão destinados exclusivamente para as artes cênicas, além das ruas e espaços estratégicos escolhidos para abrigar os espetáculos do 10º Festival de Teatro de Curitiba. São mais de 100 espetáculos que integram a mostra oficial e o Fringe, mostra paralela. Durante 11 dias, dramas, comédias e tragédias estarão "prontas para o consumo", conforme anuncia a campanha do evento este ano. Abre o festival, o espetáculo "Fantasmas", com roteiro e direção de Rodrigo Matheus, criado especialmente para a bela e pouco funcional Ópera de Arame.

A peça reúne personagens chaves do teatro - da comédia grega aos estereótipos modernos - que habitam o espaço utilizando técnicas circenses. "São números conhecidos do teatro que recriamos para o espetáculo", adianta Matheus. Foram apenas três semanas de ensaio, mas o diretor garante que o pouco tempo não vai prejudicar a qualidade do espetáculo. "A conclusão da peça só foi possível porque houve muita dedicação das pessoas envolvidas", desabafou.


"Fantasmas" é uma realização da Central de Circo, grupo paulista que reúne três companhias circenses. As companhias La Mínima, Linhas Aéreas e Circo Mínimo aceitaram o desafio de realizar um espetáculo com um orçamento (e tempo) reduzido oferecido pelo festival, que Matheus prefere não divulgar.


A central do Circo está acostumada a enfrentar - e superar - dificuldades. Surgiu em janeiro de 1999 quando as três companhias decidiram que seria mais fácil e rentável alugar um espaço único para os ensaios dos grupos. "Temos o mesmo objetivo. Queremos buscar a conexão do circo com o teatro", enfatiza o diretor.


Essa conexão é a essência de "Fantasmas". Apenas alguns textos pontuam o espetáculo enquanto atores, bailarinos, trapezistas fazem da estrutura da ópera uma lona típica do Novo Circo, aquela tendência cênica que desafia os limites corporais. Dezessete artistas integram o espetáculo, a maioria já com um certa intimidade com a maratona do festival.


Esses seres etéreos que habitam o imaginário dos espectadores, revela Matheus, aparecem em forma de personagem shakesperianos, tcheckovianos ou simplesmente em números circenses. Ele exemplifica com cenas do espetáculo que são realizadas em trapézios, pernas de pau, cordas ou tecidos.


Esta é a quarta vez que o diretor participa do festival. A primeira foi logo quando ele voltou de uma incursão pela Europa para aprimorar as técnicas circenses, que durou quatro anos. Foi em 1996, com o espetáculo "Prometeu". No ano seguinte, Matheus estreou a peça "Deadly", no Teatro Paiol e em 1998, aportou no festival com o espetáculo "Orgulho". A apurada técnica corporal que Matheus desenvolve ficou clara em todos eles. "Fantasmas" é uma compilação da técnica desenvolvida esses anos.


A peça será apresentada apenas hoje e amanhã no 10º Festival de Teatro de Curitiba. Depois Matheus embarca em outras planos. Um deles é o espetáculo "Gravidade 0", escrito especialmente pelo londrinense Mário Bortolotto para o ator. A peça conta a história de um jovem que não consegue pôr os pés no chão.

Segundo Matheus, o texto fala da solidão intrínseca ao mundo atual. A metáfora vêm ao encontro à técnica desenvolvida por Matheus. "Fiquei honrado quando o Mário (Bortolotto) disse que iria escrever um texto para mim", contou. Revela que já conhecia os textos do escritor e que o estilo de Bortolotto sempre o agradou. O monólogo será dirigido por Elias Andreato e tem estréia marcada para maio, em São Paulo.


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