A Associação Brasileira de Críticos de Arte divulgou nesta sexta-feira a lista dos indicados ao Prêmio ABCA 2002, destinado a profissionais, personalidades e instituições que contribuíram para a cultura nacional durante o ano passado.
Na próxima segunda-feira, a associação divulgará os nomes dos vencedores. Eles receberão o prêmio - um troféu idealizado pelo escultor Nicolas Vlavianos - em abril, no Centro Cultural Branco do Brasil, em São Paulo.
O Prêmio ABCA foi criado em 1978, destinado a críticos, artistas, pesquisadores, instituições e personalidades atuantes na área das artes visuais pela contribuição à cultura nacional.
Entre o rol de vencedores estão artistas, personalidades e instituições de expressão como Siron Franco, Milu Villela, Cícero Dias, Marcos Mendonça, Ferreira Gullar, Jacob Klintowitz, Centro Cultural Banco do Brasil (RJ), Instituto Moreira Salles e outros.
Os prêmios são atribuídos por votação dos associados, a partir das indicações que todo sócio pode enviar para discussão e aprovação da Assembléia Geral da entidade.
A votação é realizada por cédula, com as indicações aprovadas. A apuração é feita por uma comissão de associados, com a participação da diretoria, sendo apresentada à Assembléia para verificação e aprovação final.
A Associação Brasileira de Críticos de Arte foi criada em 1949 e é a mais antiga associação brasileira de profissionais da área das artes visuais. Foram fundadores os críticos Sérgio Milliet (primeiro presidente), Mário Barata, Antonio Bento e Mário Pedrosa, entre outros intelectuais atuantes na crítica de arte.
A ABCA nasceu ligada à Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), fundada em 1948, em Paris, como uma ONG. Ela surgiu como uma das primeiras atividades da UNESCO no impacto do final da Segunda Guerra Mundial, quando a cultura era um ideal para a reconstrução dos novos tempos. A AICA incentivou a criação de mais de 70 associações, unindo diferentes culturas e perspectivas estéticas.
Veja os indicados:
Artista Contemporâneo (Prêmio Mário Pedrosa)
Artur Barrio – Lembrado pela sua pesquisa e produção artística desde a década de 1960, vem realizando exposições no campo da arte contemporânea no Brasil e no Exterior.
Ernesto Neto – É um dos artistas brasileiros de maior trânsito internacional e foi o único brasileiro a expor na última Bienal de Veneza. Tornou-se nos últimos anos um dos mais competentes representantes brasileiros no campo das instalações.
Vik Muniz – Possui trabalhos nos principais museus de arte moderna e contemporânea de Nova Iorque e já recebeu retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Participou das bienais de Veneza e Liverpool.
Waltercio Caldas – Realiza exposições desde 1973 e suas últimas exposições foram a individual no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, e a intervenção urbana realizada na coletiva do Sesc/SP o ano passado.
Pesquisador (Prêmio Sérgio Milliet)
Helouise Costa – Professora da USP, foi Indicada pela pesquisa e publicação do livro "Waldemar Cordeiro e a Fotografia". A obra estuda a questão da ruptura como metáfora, mapeia as referências importantes para o artista e analisa a fotografia em seu processo criativo.
Ruth S. Tarasantchi – Sua indicação foi pelo livro livro "Pintores Paisagistas – São Paulo, 1890-1920", resultado de sua tese de doutorado. A obra reúne informações sobre o meio artístico da época, fazendo um inventário de mais de 60 artistas com estudos de documentos, registros, declarações e depoimentos.
Personalidade (Prêmio Ciccillo Matarazzo)
Ricardo Brennand – Promoveu a maior exposição já realizada sobre os artistas de Maurício de Nassau, o Brasil Holandês do Século XVII. É promotor de um museu de arte referente ao Brasil.
Ruy Mesquita – Foi criador do Jornal da Tarde e é o diretor geral de O Estado de S. Paulo. Tem livros publicados, prestigiou artistas, intelectuais e a arte em geral. Estimula as artes pelo Prêmio Multicultural Estadão.
Ítalo Campofiorito – Arquiteto e urbanista, diretor e membro do Conselho consultivo do MAC/Niterói, tem dado apoio à realização de exposições e eventos. Tem se empenhado na restauração, preservação e conservação do Patrimônio Cultural e Artístico do Brasil.
Artista – Trajetória (Prêmio Clarival do Prado Valladares)
Arcangelo Ianelli – Participou ativamente do movimento artístico brasileiro como expositor, membro de júris e comissões organizadora de salões, além de curador de mostras no Brasil e no Exterior. De início figurativa, sua pintura passou à abstração no começo dos anos 60.
Abraham Palatnik – Indicado pelo seu pioneirismo na pesquisa da arte tecnológica. Realizou exposição de caráter retrospectiva no Instituto Itaú Cultural de São Paulo, em 2002. Vem desenvolvendo várias atividades no campo artístico.
Franz Weismann – Participou de várias Bienais de São Paulo, desde a primeira em 1951. Desde a década de 60 também expõe no Exterior. Em 1998 foi realizada uma grande retrospectiva de seus trabalhos no Centro Cultural Banco do Brasil e no MAM/RJ.
Curador (Prêmio Maria Eugênia Franco)
Agnaldo Farias – Indicado pela curadoria da exposição "Territórios", a Quarta etapa do projeto "A Recente Trajetória da Arte Brasileira", realizada no Instituto Tomie Ohtake. É professor de Arquitetura e Urbanismo, curador do Instituto Tomie Ohtake e já escreveu e publicou livros e textos críticos.
Daniela Bousso – Historiadora e crítica de artes visuais, sua indicação vem pela exposição "Intimidade", realizada no Paço das Artes, em São Paulo, onde é diretora. Realizou várias exposições e é curadora do Prêmio Ségio Motta desde 2000.
Paulo Klein – Indicado pela curadoria da exposição "Pop Brasil : A Arte Popular e o Popular na Arte", realizada no Centro Cultural Banco do Brasil. É jornalista, crítico de artes visuais e produtor de eventos culturais desde a década de 70.
Instituição (Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade)
Centro Cultural Banco do Brasil/Brasília – Pelas atividades que vem realizado em Brasília, junto à comunidade, pelo conjunto de mostras e outras atividades culturais como seminários, debates e cursos.
Fundação Joaquim Nabuco – Faz parte do Museu do Homem do Nordeste, com sede em Recife, nascido de um projeto de Gilberto Freyre e que inclui o Museu de Antropologia, Arte Popular e do Açúcar.
Sesc/São Paulo – Em atividade desde a década de 40, promove eventos em todas as áreas culturais. O Sesc realiza um evento de grande porte e já tradicional que é o ArteCidade. Organiza mostras com características diversificadas, workshops, congressos, seminários e eventos múltiplos.
Crítico Filiado (Prêmio Gonzaga Duque)
Jorge Coli – Professor de História da Arte e da Cultura e do programa de pós-graduação do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.
José Neistein – Diretor-executivo do Brazilian-American Cultural Instituto e consultor da Biblioteca do Congresso em Washington, dedica-se à crítica e à difusão da arte brasileira nos Estados Unidos.
Pierre Santos – Escritor e tradutor, foi professor de História e Crítica da Arte, por 40 anos, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.
Raul Córdula – Crítico de arte contemporânea, em particular a do Nordeste Brasileiro, ele vive e trabalha em Olinda, onde também desenvolve uma pintura de raiz simbolista.
Crítico – Trajetória (Prêmio Mário de Andrade)
Geraldo Edson de Andrade – Foi presidente da ABCA e é seu presidente de honra. Membro do Conselho do Museu Internacional de Arte Naif do Brasil e Rio de Janeiro, professor, curador, escritor e jornalista. Participou do júri de vários salões de arte e possui diversas obras sobre a arte brasileira.
Radha Abramo – Foi diretora de vários centros de Artes Visuais em São Paulo, fez mestrado na França e no Brasil, participou das bienais de São Paulo e de Veneza. Professora de História da Arte, participou de júris de salões e escreveu para jornais, revistas, museus e galerias de arte.
Fernando Cocchiarale – Artista plástico, crítico de arte e professor de Estética do Departamento de Filosofia e do curso de Especialização e História da Arte e da Arquitetura do Brasil na PUC/Rio de Janeiro e da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Atualmente é curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.