A música de fronteira, do gado, dos peões e das comitivas boiadeiras vai cruzar regiões e instalar-se em Londrina neste final de semana. Para pontear a viola, foi convocado o cantor e compositor sul-mato-grossense Almir Sater, famoso também como ator de novelas.
Sater, que completa 46 anos no próximo mês, esteve no palco das duas últimas edições locais da Exposição Agropecuária e Industrial. Desta vez ele se apresenta em jornada dupla com shows hoje (21 horas) e amanhã (20h30) no Teatro Marista de Londrina.
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Como nas ocasiões anteriores, o artista não deverá se prender a roteiros prévios de repertório, atendendo a pedidos da platéia. Virtuose da viola de dez cordas, Almir Sater foi o arauto involuntário do resgate do instrumento, ainda que pioneiros como Renato Andrade tenham sempre permanecido em silenciosa e internacional atividade.
Na esteira, ao longo dos anos 90, despontaram nomes como Paulo Freire, Roberto Corrêa, Braz da Viola, Helena Meirelles, Tavinho Moura e Passoca juntando-se a desbravadores como Zé Côco do Riachão e Pena Branca e Xavantinho. Sater lançou holofotes sobre a viola, então um instrumento menosprezado pela classe média e que fora trazido pelos portugueses ganhando aqui um acentuado sotaque local.
O músico do Pantanal revalorizou as dez cordas após surgir como revelação no início dos anos 80 combinando os ritmos das polcas e guarânias com a música popular urbana de Campo Grande (MS) e do Vale do Jequitinhonha. Depois de integrar o grupo Lírio Selvagem (do qual fazia parte Tetê Espíndola) e acompanhar a cantora Diana Pequeno, estreou no mercado fonográfico com o álbum ‘Estradeiro’, cuja faixa ‘Luzero’ seria escolhida como tema de abertura do programa de TV Globo Rural.
Pouco depois, como todo violeiro que se preze, embrenhou-se pelo Pantanal mato-grossense pesquisando a música e os costumes da região. Em 1989, levou os acordes caipiras para o Free Jazz Festival, prestígio que seria substituído na temporada seguinte pela fama instantânea ao atuar na novela Pantanal, da TV Manchete.
O lirismo das imagens capturava um interior longínquo e idílico que Almir emoldurava com sua viola. Aproveitando a projeção televisiva em escala nacional, o artista difundiria o instrumento e divulgaria violeiros conhecidos apenas nos círculos de iniciados, como Tião Carreiro (do qual foi aprendiz) e Renato Andrade.
Na TV, participaria ainda das novelas ‘Ana Raio e Zé Trovão’ e ‘Rei do Gado’, impulsionando a carreira musical. Os CDs ‘Instrumental I’ e ‘Instrumental II’ fixaram o artista no repertório regionalista, levando-o a conquistar o Prêmio Sharp em 1990, troféu que abocanharia também com a música ‘Tocando em Frente’, gravada por Maria Bethânia. Seu último trabalho é ‘Caminhos me Levem’, lançado em 1996.
‘Faço música popular brasileira com viola caipira. Não faço a música caipira que eu ouvia no rádio, mas tenho influências do interior do Brasil’ – afirma ele no livro ‘Música Caipira – Da Roça ao Rodeio’, de Rosa Nepomuceno, lançado há dois anos pela editora 34. A mesma dificuldade em definir seu estilo musical talvez seja compartilhada pelo público durante os dois shows desse final de semana em Londrina.
Show com Almir Sater. Hoje (às 21 horas) e amanhã (às 20h30), no Teatro Marista (Rua Cristian Machado, 240), em Londrina. Ingressos a R$ 15,00 (estudantes e aposentados), R$ 25,00 (antecipados) e R$ 30,00 (na hora do show). Ponto de venda: bilheterias do Teatro Marista. Mais informações pelo telefone (43) 374-3500.