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A presença de Adélia Prado

14 mar 2001 às 08:29

Os poemas de Adélia Prado, a mulher que escancara seu cotidiano de mineira e universal, entre cheiro verde e cebolinha, lençóis incandescentes e água de moringa, estão no hall do 2º andar da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba. Dois motivos foram essenciais para a mostra: o Dia da Mulher e o Dia da Poesia, que transcorrerá dia 14.

A religiosidade da mineira, seu amor à família e ao marido José se estendem na poesia, sem preocupações com a moda literária. A onda do hai-kai - ciência oriental que sofre aviltamentos diários em textos sem sentido - não se transforma em armadilha para a poeta. "Minha única preocupação é à fidelidade e à emoção. Pouco me importa ser vanguardista, retaguardista ou escapista".


Com 65 anos de idade, a filha ilustre da cidade de Divinópolis cresceu ouvindo histórias saborosas e comuns, que se transformariam em versos nos moldes da poesia, e em densas linhas de prosa, retratando a vida pacata e rica. Escrever foi sua sina, nasceu para isso.


Os primeiros versos surgiram ainda menina, na época em que estudava com os padres franciscanos. Já tinha entrado na casa dos 40 anos quando "Bagagem" chegou às livrarias. Imediatamente o Brasil se encantou com o estilo, as confissões ditas com serenidade, sem esconder a religiosidade, o olhar de fé, o humor, a rebeldia, a sensualidade quente da mocidade.


Foi Drummond de Andrade quem apresentou-a ao país, pelas páginas do Jornal do Brasil. Ali começava uma história que iria render outros títulos, como "O Coração Disparado", "Solte os Cachorros", "Cacos para um Vitral", "Terra de Santa Cruz", "Os Componentes da Banda".

Serviço: Poemas de Adélia Prado, em exposição no 2º andar da Biblioteca Pública do Paraná, Rua Cândido Lopes,133. Horário de visitação pública: de segunda a sexta-feira, das 10 às 20h, aos sábados, das 9 às 13h. Entrada franca.


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