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A magia está de volta

14 mar 2002 às 17:28

2002 está sendo um ano de grande projeção nacional para o Ballet do Teatro Guaíra. Em fevereiro, eles participaram do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Seus dançarinos desfilaram em um carro alegórico da Mocidade Independente de Padre Miguel, que tirou o 4º lugar na competição. Batizado como "O Grande Circo Místico", o samba-enredo da escola falava da magia circense, uma homenagem a uma peça de mesmo nome do Guaíra.
Realizado originalmente em 1983, o espetáculo é a obra clássica do repertório da companhia. Para este ano está sendo preparada uma nova versão desta obra criada por Chico Buarque e Edu Lobo, dois mestres da música brasileira. Foram eles os responsáveis pela composição da trilha-sonora, que ganhou intérpretes como Milton Nascimento, Jane Duboc, Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Simone e Zizi Possi. Este "Circo 2002" é uma releitura e uma homenagem a este grande sucesso do Balé. O responsável pela direção coreográfica do novo espetáculo é Luís Arrieta, que já está trabalhando com o elenco.

O cantor e compositor Edu Lobo veio a Curitiba especialmente para acompanhar os primeiros ensaios, realizados nos dias 12 e 13 de março. Em entrevista coletiva à imprensa paranaense, Edu Lobo revelou algumas modificações que a trilha sonora sofrerá, além de comentar sobre a importância de acompanhar o trabalho de perto, dedicando-se integralmente a ele até a data de estréia, que acontecerá no dia 13 de junho. Em seguida a montagem segue em turnê por todo o Brasil.


Bonde: Passaram-se quase 20 anos que "O Grande Circo Místico" foi apresentado pela primeira vez. Como é regravar um espetáculo antigo?
Edu Lobo: Eu tinha todas as canções na cabeça. Mas a parte instrumental eu não lembrava. Voltei a ouví-las para poder realizar o trabalho. Há músicas que eu gosto da maneira original e outras nas quais vou fazer algumas alterações.


Bonde: Que tipo de alterações?
Edu Lobo: Vamos mexer bastante na parte instrumental, mas as canções vão ficar inalteradas. Serão cantadas da mesma maneira como aparecem no disco. Existe a possibilidade de se regravar uma das canções. Tenho em mente qual delas vai ser, mas não vou revelá-la ainda porque não tenho certeza se será possível regravá-la. Vai depender da disponibilidade do intérprete.


Bonde: Por falar em intérpretes, eles serão os mesmos da versão original?
Edu Lobo: Sim, são os mesmos. A única diferença, como já falei, é que uma das canções pode se regravada com o mesmo intérprete, mas de uma maneira diferente.


Bonde: O que vai ser mantido?
Edu Lobo: As canções ficam do mesmo jeito. Já na parte instrumental, pouca coisa será mantida porque na versão original havia muita repetição. A gente sempre fazia uma versão instrumental e outra cantada de cada música. Isso agora vai mudar, porque o repertório já é conhecido e as músicas não precisam ser reforçadas para que o público as assimile. Em vez disso, vai ser criado outro arranjo instrumental que introduz a canção. Por exemplo, "Beatriz" tinha um solo de Tom Jobim ao piano no começo. Depois tinha uma outra versão instrumental e em seguida vinha a canção na voz de Milton Nascimento. Tudo isso vai ser mudado. Na nova versão, a entrada do Milton Nascimento será a terceira parte de uma suíte. Primeiro haverá um prelúdio. Depois vem uma parte instrumental que insinua o tema. Por último entra o intérprete.


Bonde: Você veio a Curitiba exclusivamente para assistir aos ensaios do ballet. Qual a importância de acompanhar o coreógrafo?
Edu Lobo: É fundamental este acompanhamento para saber o que ele pretende. O Luís Arrieta me passa sua visão, pois esta nova coreografia é diferente da original, a interpretação é diferente e as necessidades do coreógrafo são diferentes. Estou animado com o trabalho desta nova versão. Assisti ao primeiro ensaio e gostei bastante. A coreografia está muito ligada a o que a música pede. Vai ser uma boa parceria.


Bonde: A trilha sonora de "O Grande Circo Místico" foi relançado em CD há tempos e provavelmente está fora de catálogo. Há a possibilidade de ser relançado?
Edu Lobo: A idéia é de relançá-lo simultaneamente com a peça do teatro. O Chico Buarque e eu somos os donos destes fonogramas, então temos a liberdade de relançá-los a qualquer momento por qualquer gravadora.


Bonde:Vai agradar os saudosistas ou público mais jovem?
Edu Lobo: Eu não me preocupo com isso, mas sim com o resultado final de meu trabalho. Não costumo ficar imaginando que tipo de som vai ser mais adequado a um tipo de geração.


Bonde: Você tem uma boa história de participações no Ballet Teatro Guaíra. Comente um pouco a respeito.
Edu Lobo: Eu tinha sido convidado pelo Guaíra para fazer um espetáculo chamado "Jogos de Dança", inteiramente instrumental. Não lembro exatamente quando foi, mas deve ter sido por volta do final dos anos 70 e começo dos 80. Em seguida, encomendaram outra composição. Eu tinha a idéia de fazer um ballet com canções, uma espécie de musical. Na época, eu e o Chico Buarque tínhamos feito uma música em parceria. Estávamos interessados em fazer um trabalho para teatro. Certa vez nos encontramos para conversar sobre um novo projeto e o Chico comentou que o Naum Alves Souza havia lhe procurado com a sugestão de fazer um musical com poema do Jorge de Lima. A idéia original do "Grande Circo Místico" foi do Naum, que roteirizou o poema que leva o mesmo nome. Eu e o Chico entramos com as letras e as músicas, mas também criamos alguns personagens. A Lily Braun, por exemplo, é obra do Chico.


Bonde: Há possibilidades de outros desdobramentos para o "O Grande Circo Místico"?
Edu Lobo: existe um projeto de transformá-lo em um musical, com textos e atores. Neste caso, a história seria contada por inteira, pois no ballet ela está sendo contada de uma forma mais simples.

>>> veja letras de "Ciranda da bailarina" e "Beatriz", da trilha de "O Grande Circo Místico"


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