Shows & Eventos

A indústria da cultura a todo vapor

22 mar 2001 às 08:16

O lançamento oficial da coleção "Brasil Diferente" da Imprensa Oficial do Paraná, realizado na segunda-feira no Palácio Iguaçu, marca também uma mudança de postura na atividade editorial paranaense. Além de resgatar obras importantes da literatura do Estado - como o "Diário de um Crítico", de Temístocles Linhares -, o órgão começa a criar uma estrutura verdadeiramente profissional para a edição e impressão de livros.

Para tanto, a Imprensa está atuando em duas frentes: ao mesmo tempo em que investe em inovações técnicas - a instituição está em vias de adquirir um equipamento para a costura automática de livros, máquina que não existe nem nas maiores gráficas do Estado -, a aposta também se volta para capas e diagramações de nível profissional. Acreditando no talento local, todas os projetos gráficos dos recentes lançamentos da Imprensa foram criadas por escritórios de design de Curitiba.


Miguel Sanches Neto, diretor da entidade, lembra que a postura de investir na parte gráfica é recente até mesmo no Brasil. "Um dos maiores escritórios do gênero do País, o de Victor Burton, está no mercado há apenas 15 anos", conta. Por isso, é até compreensível que tenha demorado tanto para esta preocupação ter chegado ao Paraná. "Até pouco tempo atrás, colocava-se um estagiário para fazer as capas dos livros", explica Sanches.


Mas isto está mudando aos poucos. A reimpressão das 21 edições da revista "Joaquim", editada por Dalton Trevisan nos anos 40, ganhou uma embalagem especial: uma caixa projetada pela Nexo Design, de Curitiba. Além desta, o escritório foi responsável ainda pela capa de mais quatro livros já lançados pela coleção, entre eles um que ainda está em fase de conclusão: "Dois Repórteres no Paraná", de Rubem Braga e Arnaldo Pedroso d"Horta.


Mas o cuidado não se restringe às capas. Sanches revela que um dos próximos lançamentos da instituição, o livro de crônicas "Pequena Casa de Jornal", de Nilson Monteiro, terá sua diagramação a cargo de Joba Tridente, artista plástico paranaense que tem no currículo o projeto gráfico do finado "Nicolau", um dos mais influentes jornais literários do País, que circulou de 1987 a 94. A capa também é da Nexo.


"A nossa preocupação é fortalecer o mercado editorial do Paraná", afirma Sanches. Segundo ele, a meta da sua gestão é criar uma estrutura adequada para se editar livros. "Dentro disto, é muito importante o trabalho dos capistas e dos diagramadores", lembra. E parece que o seu exemplo já está sendo seguido. A Editora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a renascida editora Criar, de Roberto Gomes, também estão apostando no esmero gráfico para atrair os leitores.

Fazem parte da coleção "Brasil Diferente" as seguintes obras: "Paraná Vivo", de Temístocles Linhares, "Pensão Alto Paraná", de Domingos Pellegrini, "Colônia Sicília", de Giovanni Rossi, "O Diário de um Crítico", de Temístocles Linhares.


Continue lendo