A arte do polonês Bruno Lechowski do período de 1925 a 1940, estará a partir de hoje, às 19h30, exposta na Casa Andrade Muricy. A mostra composta de paisagens urbanas e rurais, marinhas e retratos, além de obras temáticas alegóricas, faz parte do acervo da filha de Bruno, Wanda Lechowski, e de telas emprestadas por colecionadores locais.
Exímio aquarelista, Lechowski utilizava materiais como têmpera, encáustica e óleo sobre tela. Em muitos de seus trabalhos, os especialistas encontraram alguma dificuldade em estabelecer limites entre a aquarela e a têmpera. Isso porque, o artista os fundia em exercícios de liberdade técnica e expressiva, chegando mesmo ao uso de textura em aquarelas, ou do verniz como complemento.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Segundo Ennio Marques Ferreira, diretor da Casa Andrade Muricy, "houve uma necessidade de resgatar, para o meio cultural do País, a imagem desse artista incomum que procurava se adaptar à atmosfera dos trópicos, onde os impulsos e a improvisação pareciam, em certos momentos, substituir as rígidas e imutáveis fórmulas artísticas, éticas e comportamentais que ele havia deixado no outro lado do oceano".
Ao lado de outras personalidades ligadas às artes visuais, que em épocas diversas por aqui andaram, "deveria ele receber o pleno reconhecimento de todos nós, não apenas pela significativa obra brasileira que nos legou, mas também pelo seu empenho em abrir, para nossos artistas, novas perspectivas de modernidade e pelo simples fato de ter, conscientemente, escolhido esta terra para passar o resto de seus dias", conclui o diretor.
Graças à Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que permitiu a implantação do projeto Bruno Lechowski: catalogação, acondicionamento e registro fotográfico, que a mostra "A Arte de Bruno Lechowski no Brasil: 1925-1940" será realizada pela Secretaria de Estado da Cultura.
Bruno Lechowski nasceu em Varsóvia, Polônia, em 1887. De família tradicional, teve uma formação artística formal e acadêmica. Iniciou seus estudos de arte em Kiev e formou-se na Academia de Belas Artes de São Petersburgo. Realizou várias exposições, recebeu importantes prêmios e integrou o corpo docente da Academia de Arte de Varsóvia. Organizou uma escola de arte para jovens carentes, com o objetivo profissionalizante, que serviu de fundamento para o projeto da Casa Internacional do Artista, divulgado a partir de 1922. Difundiu este projeto pelo interior da Polônia e por diversos países europeus, onde apresentava suas obras ao ar livre, em praças e jardins, com montagens práticas e portáteis.
Sobrevivendo com a venda de ingressos para visitação das exposições, Lechowski não vendia suas pinturas, oferecia-as a quem demonstrasse interesse. Imbuído dessas idéias e com o intuito de propagá-las, decidiu viajar para a América do Sul, tendo o Rio de Janeiro, como sua primeira escala. Buscando iniciar o convívio com os artistas da terra, expôs em fins de 1925, no Liceu de Artes e Ofícios, trabalhos trazidos da Europa, e as primeiras paisagens pintadas no Rio de Janeiro. Reiniciou viagem em direção aos estados do Sul, passando por São Paulo e instalando-se em Curitiba.
Aqui participou, com os jovens artistas locais, de
várias mostras na capital e no interior, retomando suas exposições portáteis, com entrada paga e sorteio de obras. Em 1929, transferiu-se para São Paulo e associou-se ao arquiteto Domaradzki, executando pinturas murais em residências, publicando juntos o álbum Projetos Arquitetônicos para Residências Modernas Brasileiras. Fundou o Centro de Artes e Ofícios, onde instalou um teatro e uma fábrica de brinquedos. Em seguida, mudou-se para o litoral paulista dedicando-se às pesquisas sobre flora brasileira, pigmentos naturais e plantas medicinais.
Retornou ao Rio de Janeiro, e em 1931 juntou-se a alunos e professores do curso livre da Escola Nacional de Belas Artes - o Núcleo Bernadelli. Os objetivos principais do grupo, impressos por seus orientadores, entre eles Quirino Campofiorito e Manoel Santiago, eram a liberdade de pesquisa, a reformulação e democratização do ensino da escola, e a melhoria dos critérios de seleção e premiação dos Salões. Reconhecido como orientador de muitos artistas, teve clara influência no trabalho que Bruno Lechowski retomou, a partir de 1940, com seus ideais de engajamento no trabalho com a terra, concretizando os preceitos socialistas que sempre nortearam sua vida.
Mudou-se com a família e vários refugiados de guerra para um sítio em Campo Grande, perto do Rio, onde dedicou-se ao plantio de árvores frutíferas, hortaliças e à criação de pequenos animais. Com o resultado desse trabalho em comunidade, organizou e desenvolveu, com os agricultores vizinhos, um sistema de cooperativa para produção e venda de seus produtos. Nesse ambiente rural, faleceu repentinamente em 1941. Após sua morte, sua obra foi mostrada em 1942, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro; e em 1991, no Museu de Arte do Paraná, em Curitiba.
A exposição "A Arte de Bruno Lechowski no Brasil: 1925-1940" poderá ser vista de hoje a 8 de abril, na Casa Andrade Muricy, à Rua Alameda Dr. Muricy, 915. Das 10h às 20 horas, de terça-feira a domingo. Os ingressos a R$ 3,00 e R$ 1,00 (estudantes). Maiores de 65 anos e menores de sete anos não pagam. Nas terças-feiras a entrada é franca.