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A arte da preservação

Elisa Marilia Carneiro - Folha do Paraná
06 mar 2001 às 08:27

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Dois artístas com preocupações diferentes mas bem contemporâneas, mostram seus trabalhos a partir de hoje, às 18 horas, na Sala do Artista Popular. Do Carmo Fortes pinta as faces do Brasil em manifestações políticas e sociais. Nelson Rigoni Júnior constrói animais, figuras humanas e abstratas em aço.

Ambos são autodidatas e usam seus trabalhos como documentos de suas épocas. Do Carmo conta que por ter sido casada com militar, o pai ser nordestino e ter nascido no Rio de Janeiro, teve oportunidade de viajar pelo Brasil inteiro e testemunhar vários episódios dignos de registro.

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Para a Sala do Artista Popular, Do Carmo faz uma retrospectiva dos últimos dez anos com 25 obras. São todas em óleo sobre tela em dimensões variadas. "Minha pintura é a primitiva, mas não aquela considerada inculta, mas a primitiva por opção. Documento o meu tempo, o misticiosmo, as manifestações afro-brasileiras, enfim, as faces do Brasil", afirma. Nos seus trabalhos, Do Carmo prefere sempre cores fortes e quentes "bem brasileiras".


Nelson Rigoni Júnior trabalha com comércio de automóveis e para as suas obras de arte desmonta correntes de moto e remonta-as com solda formando objetos de decoração. Entre seus temas favoritos estão o animais. "Quero deixar registrado para as gerações futuras, como eram o corpo-espinho, o cavalo-marinho, as tartarugas, os peixes. Faço também, como forma de protesto, sapatos. Só para contar que se mata um animal para enfeitar os pés de poucos", esclarece.

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No total, Rigoni mostra 17 trabalhos em escultura de alturas variando de 10 a 70 centímetros. Ele diz que a dificuldade maior do trabalho é moldar o aço. "É um material ingrato, por ser muito duro e pouco maleável. Mas as correntes de motos, quando são trocadas, não servem mais para nada e vão mesmo parar no lixo. Utilizá-las em arte é uma forma de preservar o meio ambiente", constata.


Nelson define seus trabalhos como insônias criativas. "Perco o sono facilmente e começo a criar. Tenho que dar vazão a minha insônia. Fixo a imagem em minha mente, e quando acordo vou direto realizar a obra imaginada". A preocupação com a ecologia é uma constante do artista, e
cita como exemplo: "Os animais retratados em minhas obras, infelizmente ,em um futuro próximo, só serão lembrados em fotos, filmes ou representações artísticas".

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Maria do Carmo Fortes Cavalcanti, ou apenas Do Carmo Fortes, como usa artisticamente, nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Radicada em Curitiba, há 40 anos, desenvolveu aqui suas atividades artísticas. Participou em mais de 300 exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Premiada em Salões Nacionais de Artes, com medalhas de Ouro, Prata e Bronze, é verbete em 12 Dicionários de Artes Plásticas e Literários.


Nelson Rigoni Junior nasceu em Curitiba. É escultor autodidata, com formação na área tecnológica, na parte de solda e ajustagem mecânica. O escultor mostra pela primeira vez suas obras na Sala do Artista Popular.

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Serviço A exposição de pinturas e esculturas poderá ser vista de hoje a 8 de abril, de segunda a sexta-feira, das 12h30 às 19 horas, na Sala do Artista Popular, à Rua Saldanha Marinho, anexa à Casa Andrade Muricy.


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