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‘Dias Felizes’ coloca Vera Holtz no armário

Francelino França - Folha do Paraná
25 mar 2001 às 13:55

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“De agora em diante, vou tomar cuidado com o que deixar”, sentenciou a atriz Vera Holtz, em Curitiba, sobre o mote de “Felizes Para Sempre”. Nesse projeto, ela protagoniza a peça “Dias Felizes”, do irlandês Samuel Beckett. Os diretores Adriano e Fernando Guimarães, a partir de objetos herdados do avô, deram início ao projeto e colaram textos de Beckett. A adesão ao convite se deu também porque Vera Holtz teve formação em Artes Plásticas, antes de abraçar definitivamente a carreira de atriz.

“Esse projeto é inspirador. Meu armário fica dentro de um armário”, diz Vera. O primeiro é um minúsculo armário hospitalar onde Winnie, sua personagem, fica durante toda a peça. O segundo, é a caixa preta do teatro. “Ensaiei ajoelhada e estava prejudicando a circulação das pernas. Agora tenho um apoio para ficar no armário”, disse, com o forte sotaque de Bauru. Sobre sua imersão no universo beckttiano, a atriz ressalta que Beckett absorve a palavra com uma tal intensidade em seus textos que acaba por ampliá-la, por vezes, mudando seu significado.

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Para a expansiva Vera, a dificuldade em “Dias Felizes” foi se manter praticamente imóvel. Na maior parte do tempo, apenas sua cabeça aparece fora do armário. Vera percebe muitas semelhanças entre a cultura irlandesa e brasileira, como a religiosidade, o humor e a resistência do povo. Por isso, a identificação com o autor irlandês.


“Dias Felizes” busca elementos mínimos para atingir o público. Vera fala, não se movimenta. Um verdadeiro exercício para domar seus limites, pois está acostumada à cerimônia coletiva dionisíaca da comédia. Vera Holtz, conhecida pela energia contagiante em cena, chegou a paralisar por minutos algumas comédias em que atuou, em função das gargalhadas do público. Isso aconteceu em “Pérola”, de Mauro Rasi.

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Na temporada gloriosa dessa grande comédia, Vera Holtz conta também que bebia doses do autêntico Campari durante as apresentações, porque não conseguiram uma fórmula artificial que se igualasse a cor característica da bebida. Com “Pérola”, uma celebração à alegria da mãe de Mauro Rasi, Vera Holtz recebia aplausos em cena aberta.


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